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Lotarias 1Lotarias da Misericórdia
Artigo Nº 2129 Comércio, moeda e preços Vol. II · pp. 540–541 2 min de leitura

Lotarias

Panorama das lotarias públicas autorizadas no Funchal no século XIX, destinadas sobretudo a financiar a Santa Casa da Misericórdia, mas também a reconstrução do Teatro Grande e a assistência aos leprosos.

Lotarias

1Lotarias da Misericórdia

A Santa Casa da Misericórdia desta cidade teve mais duma vez a faculdade de estabelecer uma lotaria destinada a auxiliar as despesas com a sustentação desta casa de caridade. A primeira de que temos conhecimento foi concedida pelo aviso régio de 5 de Abril de 1803, sendo de trinta contos de réis e dividida em seis mil bilhetes ao preço de cinco mil réis cada um. Os trabalhos desta lotaria eram dirigidos pelo corregedor da comarca, pelo juiz de fora e por mais três indivíduos nomeados pelo governador e capitão-general. A extracção dela deveria realizar-se algumas vezes no ano, mas parece que não chegou nunca a andar a roda.

Por diligências do provedor da Santa Casa, o ilustre madeirense Dr. João Francisco de Oliveira, foi feita nova concessão à misericórdia do Funchal em 1823, devendo a receita que produzisse a lotaria ser aplicada a consertos no Recolhimento das Órfãs e a transformar este estabelecimento numa casa de educação de meninas decentes tanto da cidade como das vilas distantes.

Tendo a proposta do provedor sido apresentada ao Governo, com informação favorável do Governador, obteve facilmente a Santa Casa da Misericórdia as licenças regias necessárias para a realização da referida lotaria, determinando-se porém que o que esta produzisse seria aplicado em primeiro lugar ao pagamento das dividas da mesma Santa Casa e depois aos reparos de que carecesse o citado recolhimento. Julgamos ter tido pouca duração esta lotaria.

Por carta regia de 12 de Setembro de 1857, ainda outra concessão alcançou a Misericórdia, que lhe aproveitou por alguns anos. O prémio grande da lotaria variava muito de valor, tendo sido de 400$000 réis, 500$000 réis, 600$000 réis, 800$000 réis e 1:000$000 réis.

Em Maio de 1865, havia 2.400 bilhetes e 488 prémios, sendo os três maiores de 800 e de 200 e de 100 mil réis; e em Janeiro de 1868 era a lotaria de 1800 bilhetes, dos quais 600 premiados, havendo um premio de 400, outro de 100 e um terceiro de 50 mil réis. Cada bilhete custava 1000 réis e os prémios menores eram de 1200 réis.

2Outras lotarias

Nos princípios do século XIX, foram os reedificadores do Teatro Grande coadjuvados pelo governo com a concessão duma lotaria anual, cujo prémio grande era de 3 contos de réis, e, na acta da sessão da Câmara Municipal do Funchal de 12 de Janeiro de 1814, faz-se referência a «uma loteria que houve nesta cidade em beneficio dos lazaros», mas nenhuma outra informação podemos colher acerca da mesma lotaria, que, segundo parece, foi promovida pela Municipalidade com o fim de obter meios para melhorar as condições daqueles doentes.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 06
  1. Um aviso régio concedeu à Misericórdia do Funchal uma lotaria de trinta contos, que aparentemente nunca chegou a ser sorteada.

  2. As atas da Câmara Municipal do Funchal referem uma lotaria realizada em benefício dos leprosos.

  3. Foi concedida uma nova lotaria à Misericórdia para pagar dívidas e reparar o Recolhimento das Órfãs.

  4. Uma carta régia concedeu à Misericórdia uma lotaria que se realizou durante vários anos.

  5. Realizou-se uma lotaria com 2 400 bilhetes e 488 prémios.

  6. Realizou-se uma lotaria com 1 800 bilhetes, dos quais 600 premiados.

Lugar

Lugares mencionados · 03
Mapa: Madeira (3)
  1. Funchal

    Cidade cuja Misericórdia realizou as lotarias.

  2. Recolhimento das Órfãs

    Funchal. Recolhimento de órfãs cujas obras de reparação seriam financiadas pela lotaria de 1823.

  3. Teatro Grande

    Funchal. Teatro cuja reconstrução foi apoiada por uma lotaria anual.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 01
  1. Provedor madeirense da Santa Casa da Misericórdia que obteve a concessão da lotaria de 1823.

Na folha L

Vistos recentemente

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