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Elucidário Madeirense Início
Deportados Politicos 1Os presos de 1844
Artigo Nº 1171 Acontecimento histórico Vol. I · pp. 674–675 3 min de leitura

Deportados Politicos

Descreve dois grupos de presos políticos deportados para a Madeira: os insurgentes da revolta de Torres Vedras de 1844 contra Costa Cabral e 289 monárquicos enviados em 1919 após a revolução monárquica, oito dos quais fugiram para Las Palmas numa lancha a motor.

Deportados Politicos

1Os presos de 1844

Por ocasião da revolta que se deu em Tôrres Vedras em 4 de Fevereiro de 1844, com o fim de fazer cair o governo de Costa Cabral, foram presos e enviados para a Madeira 23 insurgentes, entre os quais figuravam os advogados António Maria Ribeiro da Costa Holtreman e Leonel Tavares Cabral, o juiz do Tribunal do Comercio Lourenço de Oliveira Grijó, o cónego Dr. Manuel Joaquim Cardoso Castelo Branco e oito oficiais do exército.

Destes presos políticos, que vieram no brigue Douro, que chegou ao Funchal a 20 de Abril, e deram entrada na fortaleza do ilhéu; os restantes vieram no cuter Andorinha, que chegou aqui a 28 do mesmo mês, e recolheram á fortaleza do Pico. Foram todos postos em liberdade logo que chegou á Madeira a noticia oficiosa do malogro da revolução de Torres Vedras.

2Os presos de 1919

Em 1919, depois da revolução monárquica dos princípios deste ano, vieram para o Funchal novos prisioneiros políticos, que chegaram aqui no vapor Africa, da Empresa Nacional de Navegação, o qual fora arvorado em transporte de guerra. Esses prisioneiros, em numero de 289, que vinham acompanhados de uma fôrça de marinha, desembarcaram no dia 8 de Maio, três dias depois da chegada do Africa, sendo instalados no Lazareto de Gonçalo Aires. Entre os prisioneiros vinham o antigo ministro João de Azevedo Coutinho, o ex-coronel João de Almeida, o conde de Sucena, o conde de Arrochela, o visconde de Siqueira e João Moreira de Almeida, tendo ficado no Funchal uma força de 30 praças da armada e 1 sargento para guardar o Lazareto, e vindo juntar-se a essa força, também para o mesmo fim, um destacamento de infantaria, comandada por um alferes. Por determinação do capitão do porto, foi proibida a passagem e a permanência de quaisquer embarcações na zona marítima limitada pela fortaleza de S. Tiago e o cabo Garajau.

Não obstante estas precauções, deu-se no dia 3 de Junho pelo desaparecimento de 8 prisioneiros, entre os quais o conde de Sucena, sabendo-se depois que todos eles tinham chegado a Las Palmas, na lancha-automovel Glafiberta, pertencente ao sportsman Humberto dos Passos, que foi quem preparou a evasão. Sôbre o modo como se deu a fuga, lemos num jornal o seguinte: “Numa bela tarde, quasi todos os presos políticos internados no Lazareto do Funchal saíram do edifício com o pretexto de arejar e juntaram-se na nesga da praia que lhe fica imediatamente inferior. Os guardas limitaram-se a vigia-los das janelas do Lazareto. Durante momentos cantaram, retoiçaram, deram vivas, e quando a algazarra atingia o seu auge e os guardas estavam distraídos com o pagode, aproximou-se da praia um bote destacado da Glafiberta e recolheu sem pressa, os 8 presos... Horas depois, a lancha-automovel, rebocada pelo Milano, da casa Blandy (que ignorava que espécie de serviço se pedira ao seu rebocador), singrou em Direcção ás Desertas, e mais tarde aproou ao sul, caminho das Canárias”.

Com os oito prisioneiros foi também o proprietário da Glafiberta, que pedira dias antes ao capitão do porto autorização para fazer com o seu barco uma viagem á roda da ilha.

Dos restantes prisioneiros que haviam recolhido ao Lazareto, 7 foram postos em liberdade em virtude de um telegrama recebido do ministro da guerra em 13 de Maio, tendo todos os demais saído para Lisboa em diferentes paquetes que tocaram no Funchal desde Junho até Agosto. O vapor Moçambique conduziu os prisioneiros, os últimos dos 280 que tinham desembarcado no Funchal em 8 de Maio.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. Eclodiu em Torres Vedras uma revolta contra o governo de Costa Cabral, que levou a deportações para a Madeira.

  2. Presos políticos da revolta de Torres Vedras chegaram ao Funchal a bordo do brigue Douro, em 20 de abril, e do cúter Andorinha, em 28 de abril.

  3. Cerca de 289 presos políticos da revolta monárquica, entre eles Salema Vaz, desembarcaram no Funchal vindos no vapor Africa e foram internados no lazareto de Gonçalo Aires.

  4. Sete deportados políticos detidos na Madeira foram libertados por telegrama do ministro da Guerra.

  5. Os restantes deportados políticos na Madeira foram enviados de navio para Lisboa entre junho e agosto.

  6. Foi descoberta a fuga de oito deportados políticos, entre eles o Conde de Sucena, da Madeira para Las Palmas.

Lugar

Lugares mencionados · 11

No estrangeiro

Mapa: Arquipélago da Madeira (11)
  1. Cabo Garajau

    Santa Cruz. Outro limite da zona marítima de circulação restrita em 1919.

  2. Canárias

    Spain. Destino da lancha utilizada na fuga.

  3. Desertas

    Santa Cruz. Direção inicialmente tomada pela lancha utilizada na fuga.

  4. Fortaleza de São Tiago

    Funchal. Um dos limites da zona marítima interditada às embarcações enquanto os prisioneiros estiveram detidos.

  5. Fortaleza do Ilhéu

    Funchal. Fortaleza onde ficaram detidos os prisioneiros chegados em 1844 a bordo do brigue Douro.

  6. Fortaleza do Pico

    Funchal. Fortaleza onde ficaram detidos os prisioneiros chegados em 1844 a bordo do cúter Andorinha.

  7. Funchal

    Porto onde desembarcaram os deportados em 1844 e 1919.

  8. Las Palmas

    Spain. Porto das Canárias a que chegaram os oito prisioneiros evadidos.

  9. Lazareto de Gonçalo Aires

    Funchal. Edifício de quarentena onde foram internados os prisioneiros monárquicos em 1919.

  10. Lisboa

    Portugal. Local para onde foram enviados os restantes prisioneiros.

  11. Torres Vedras

    Portugal. Cidade portuguesa onde eclodiu a revolta de fevereiro de 1844.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 12
  1. Advogado deportado para a Madeira em 1844 após a revolta de Torres Vedras.

  2. Preso monárquico detido no Funchal em 1919.

  3. Preso monárquico de 1919 que fugiu do lazareto do Funchal para Las Palmas.

  4. Chefe do governo português que a revolta de Torres Vedras de 1844 procurou derrubar.

  5. Desportista e proprietário da lancha Glafiberta, que organizou a fuga de oito presos em 1919 e partiu com eles.

  6. Antigo ministro entre os presos monárquicos detidos no Funchal em 1919.

  7. Antigo coronel entre os presos monárquicos detidos no Funchal em 1919.

  8. Preso monárquico detido no Funchal em 1919.

  9. Advogado deportado para a Madeira em 1844 após a revolta de Torres Vedras.

  10. Juiz do Tribunal do Comércio deportado para a Madeira em 1844.

+ 2 mais
  1. Cónego deportado para a Madeira em 1844 após a revolta de Torres Vedras.

  2. Preso monárquico detido no Funchal em 1919.

Na folha D

Vistos recentemente

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