Camara de Lôbos (Municipio de) 1O logar de Câmara de Lôbos
Camara de Lôbos (Municipio de)
Verbete sobre o concelho de Câmara de Lobos, que explica que a sua sede era historicamente um «lugar», e não uma vila, cita a descrição de Gaspar Frutuoso e apresenta a criação do concelho em 1835 e as alterações posteriores às suas freguesias.
1O logar de Câmara de Lôbos
A pesar de comummente se chamar vila de Camara de Lobos ao agrupamento de casas que constitue a parte mais central e importante da freguesia, a verdade é que a capital deste concelho nunca foi vila, mas simplesmente logar, que era noutro tempo a designação dada á povoação intermediaria entre a vila e a paroquia, havendo na Madeira os logares de Camara de Lôbos, Ribeira Brava, Faial, S. Jorge, S. Vicente, Pôrto do Moniz e Caniço.
Era ao logar de Camara de Lôbos que Gaspar Frutuoso se referia quando dizia: “Hindo da ribeira dos Soccorridos para o Occidente hum quarto de legoa, está uma aldeya que chamão Camara de Lobos, perto do mar, que tem huma calheta pequena e huma furna onde dormiam e dormem ainda lobos, de que tomou nome o Logar; e os capitães da ilha o de Camaras, pelos achar nella o primeiro capitam João Gonçalves Zargo, quando ali desembarcou a primeira vez, como já tenho dito.
Tem esta aldeya como duzentos fogos, e huma só rua principal, e muito comprida, e no cabo della a igreja muito boa e bem concertada: tem mais dous engenhos de assucar, hum que foi de Antonio Correa, e outro de Duarte Mendes, e muitas canas e vinhas de boas malvazias, e muitas fructas de toda a sorte, e muita agoa”.
2Criação do concelho
Com sede no Logar de Câmara de Lôbos, foi em 1832 criado o concelho do mesmo nome, mas não chegou a proceder-se à sua instalação. Somente depois do estabelecimento do governo constitucional é que, no ano de 1835, se criou êste municipio e ficou definitivamente instalado no dia 16 de Outubro do mesmo ano. A êle pertenceram desde a sua criação as freguesias de Câmara de Lôbos, Estreito de Lôbos, Curral das Freiras e Campanário. Constituindo-se em 1848 a nova paroquia da Quinta Grande, formada com alguns sítios desmembrados das freguesias de Câmara de Lôbos e do Campanário, ficou o concelho de Câmara de Lôbos acrescentado com mais aquela paróquia, mas a sua área total não sofreu modificação alguma. Com a criação do recente concelho da Ribeira Brava, no ano de 1914, passou a freguesia do Campanário a fazer parte do novo concelho, sendo desagregada do de Câmara de Lobos. O brasão de armas da Câmara Municipal deste Concelho é representado por duas focas ou lobos marinhos, entre os quais se vê o escudo das armas de Portugal.
As respectivas repartições concelhias estão instaladas no sitio chamado da Vila, nas casas da Camara Municipal.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Foram criados os concelhos de Santana, Câmara de Lobos e Porto Moniz; o de Câmara de Lobos não foi instalado nessa altura.
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O concelho de Câmara de Lobos foi definitivamente instalado.
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Por carta régia de 24 de julho de 1848, a Quinta Grande foi separada do Campanário e tornou-se freguesia autónoma do concelho de Câmara de Lobos, ficando com a capela da Vera Cruz.
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Um decreto criou o concelho da Ribeira Brava. O Campanário foi-lhe transferido do concelho de Câmara de Lobos, e a Tábua do concelho da Ponta do Sol.
Lugar
Lugares mencionados · 14- Camara de Lôbos · Assunto
Câmara de Lobos
Câmara de Lobos é um concelho da Madeira cuja sede era historicamente um «lugar», e não uma vila. O Elucidário Madeirense cita a descrição de Gaspar Frutuoso e apresenta a criação do concelho em 1835 e as alterações posteriores às suas freguesias.
- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Tema do verbete.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Campanário
Ribeira Brava. Freguesia original do concelho, transferida para o da Ribeira Brava em 1914.
O Campanário é uma freguesia da Madeira que pertenceu ao concelho de Câmara de Lobos antes de integrar o da Ribeira Brava e é atravessada pela Ribeira do Campanário (ou Ribeira da Lapa). O Elucidário regista o seu porto, a sua banda, a sua capitania-mor, os dízimos pagos aos Jesuítas, uma antiga capela de São João fundada em 1728 e o vigário condenado pela Alçada de 1823. Foi também terra natal do bispo D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade e do jurista Francisco Justino Gonçalves de Andrade.
- Caniço
Santa Cruz. Um dos antigos lugares da Madeira.
O Caniço é uma freguesia do concelho de Santa Cruz, situada na fronteira entre as capitanias do Funchal e de Machico. Entre os seus primeiros povoadores contavam-se Gaspar Rego, Vasco Fernandes Rego e Álvaro de Ornelas, cuja família aí instituiu morgados; o seu alcaide e juiz eram nomeados pelo Senado do Funchal. Na freguesia encontram-se a estátua do Garajau, a residência dos Jesuítas no Socorro e a Quinta do Barão da Conceição.
- Curral das Freiras
Câmara de Lobos. Uma das freguesias originais do concelho.
Pequena freguesia do interior, situada num vale profundo que se crê ser a cratera de um vulcão extinto e o principal foco eruptivo da Madeira. A propriedade foi comprada para as freiras de Santa Clara, que ali se refugiaram em 1566 e lhe deram o nome. Foi criada como freguesia em 1790. Antes, servira de pastagem e de refúgio a escravos fugidos e criminosos; em 1927, tornou-se julgado da comarca do Funchal.
- Estreito de Câmara de Lobos
Câmara de Lobos. Uma das freguesias originais do concelho.
O Estreito de Câmara de Lobos é uma freguesia do concelho de Câmara de Lobos, na Madeira, criada no início do século XVI em torno da capela de Nossa Senhora da Graça. Foi o principal centro de fabrico de chapéus de palha de centeio e de queijo; nela cultivam-se as castas Sercial, Verdelho, Tinta e Bastardo. Em 1927, tornou-se julgado da comarca do Funchal.
- Faial
Santana. Um dos antigos lugares da Madeira.
O Faial é uma freguesia da costa norte do concelho de Santana, criada em 1550, cujas nascentes de montanha alimentam a Levada da Serra. Abrange os Chícharos e a capela da Diferença, inclui a parte oriental do Pico Ruivo e é conhecida pelo fabrico de queijo e pelo basalto colunar.
- Porto Moniz
Um dos antigos lugares da Madeira.
Freguesia e concelho do noroeste, com um cais e um porto razoável que oferece boas condições de desembarque quando os ventos do sul impedem o acesso à Costa Sul. Tem uma das mais antigas capelas dedicadas a Santa Maria Madalena no norte da Madeira, cuja festa se celebra a 22 de julho. Foi a terra natal do Dr. Manuel Gomes Jardim.
- Quinta Grande
Câmara de Lobos. Freguesia criada em 1848 e integrada no concelho.
Quinta Grande é uma freguesia do concelho de Câmara de Lobos, cujo nome provém da maior quinta dos jesuítas, vendida por 140 000 cruzados. Tornou-se curazia em 1820 e foi separada do Campanário como freguesia autónoma em 1848, com sede na capela de Nossa Senhora dos Remédios, cuja festa ali se celebra. Em 1927, tornou-se julgado da comarca do Funchal.
- Ribeira Brava
Antigo lugar que se tornou sede de um concelho criado em 1914, ao qual passou a pertencer o Campanário.
Concelho da Madeira criado em 1914 a partir de freguesias dos concelhos da Ponta do Sol e de Câmara de Lobos. A sua sede, o sítio do Lugar, foi elevada à categoria de vila em 1928.
- Ribeira dos Socorridos
Câmara de Lobos · Funchal. Ribeira situada a um quarto de légua a leste de Câmara de Lobos, segundo Frutuoso.
Uma das principais ribeiras da Madeira, nasce nas Torrinhas e separa várias freguesias a oeste do Funchal. O seu nome recorda o salvamento, por Zarco, de companheiros que quase foram arrastados pela corrente na foz. Alimenta a levada dos Piornais, e a construção de uma ponte rodoviária de alvenaria sobre a ribeira começou em 1848.
- São Jorge
Santana. Um dos antigos lugares da Madeira.
Freguesia da costa norte que integrava o concelho de Santana desde a sua criação e dá nome ao arciprestado do norte. É conhecida pelos depósitos de fósseis vegetais e de lignito estudados por Heer e Bunbury, bem como por um deslizamento de terras ocorrido no século XVII. O Elucidário descreve também o seu ilhéu, a sua ponta, o seu cais e a sua ribeira.
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Pessoas
Pessoas mencionadas · 04-
Proprietário de um dos dois engenhos de açúcar de Câmara de Lobos mencionados por Frutuoso.
- Francisco António Correia1457–1572
Antigo proprietário de um dos dois engenhos de açúcar de Câmara de Lobos mencionados por Frutuoso.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista açoriano cuja descrição de Câmara de Lobos é citada neste verbete.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Primeiro capitão do Funchal que, segundo Frutuoso, encontrou lobos-marinhos em Câmara de Lobos ao desembarcar pela primeira vez, dando origem ao nome de família «da Câmara».