Lowe (Padre Ricardo Tomás) 1Vida e residência na Madeira
Lowe (Padre Ricardo Tomás)
Biografia do Padre Ricardo Tomás Lowe (1802–1874), clérigo e naturalista inglês que viveu na Madeira de 1826 a 1852 e publicou obras fundamentais sobre os peixes, a flora e os moluscos da ilha. O Elucidário considera-o o estrangeiro que prestou os maiores serviços científicos à Madeira.
1Vida e residência na Madeira
Naturalista inglês nascido a 4 de Dezembro de 1802. Tendo vindo para a Madeira em 1826, aqui se demorou até 1852, voltando depois a esta ilha em 1855, em 1860, em 1863, em 1865, em 1867 e em 1871. Desejando visitar uma vez mais a Madeira, embarcou no vapor Libéria que deixou o porto de Liverpool, com destino a esta ilha, a 11 de Abril de 1874, mas tendo o mesmo vapor naufragado na baía de Biscaia, no segundo ou terceiro dia de viagem, aí encontrou Lowe a morte, assim como sua esposa Catarina Maria, com quem havia casado em 1828.
Durante a sua longa residência na Madeira, reuniu Lowe materiais importantíssimos para o estudo da fauna e da flora do arquipélago, tendo os relativos á flora, que felizmente para a sciencia haviam ficado em Inglaterra, sido distribuídos depois da sua morte pelo Museu Britânico e Jardim de Kew. Existem duplicados de muitas plantas da Madeira e Canárias, colhidas por Lowe, no Jardim Imperial de Petrogrado, no herbário de Webb, em Florença, e no de De Candolle.
Em 1858, visitou Lowe as Canárias, onde voltou em 1861, e em 1864 e 1866 as ilhas de Cabo Verde. De 1834 a 1848, exerceu o cargo de capelão da igreja britânica na rua dos Aranhas no Funchal.
Era mestre em artes pela Universidade de Cambridge e sócio correspondente da Academia das Sciencias de Lisboa e da Sociedade Zoológica de Londres, e depois de se ausentar para Inglaterra, em 1852, foi por algum tempo capelão em Lea, condado de Lincoln.
No cemitério britânico, à rua do Dr. Vieira, existe uma modesta lápide encimada por uma cruz, onde se pode ver uma inscrição destinada a comemorar alguns factos da vida de Ricardo Tomás Lowe, o estrangeiro que maiores serviços scientíficos prestou à Madeira.
2Trabalhos
Entre os muitos trabalhos de R. T. Lowe, mencionaremos os seguintes
- A Synopsis of the Fishes of Madeira (Trans. of the Zool. Soc., II, 3, 1837)
- Supplement to a Synopsis of the Fishes of Madeira (Idem, III, I, 1839)
- A History of the Fishes of Madeira (Londres, 1843-1860, I vol.)
- Primitiae Faunae et Florae Maderae et Portus Sancti (Trans. Cambridge Phil. Soc. IV, 1, 1830)
- Novitiae Florae Maderensis (Idem, VI, 3, 1838)
- A Manual Flora of Madeira and the Adjacent Islands (Londres, 1868, vol. I e II. parte I)
- Florulae Salvagicae Tentamen (Londres, 1869, I folh.)
- Catalogus Molluscorum Pneumatoram Insularum Maderensium (Proceed. Zool. Soc. of London, 1854)
- e Protest against the ministration in Madeira of the rev. T. K. Brown..., with an appendix (Funchal, 1848).
A propósito da questão travada entre Lowe e Brown por causa da violação verdadeira ou suposta das leis e constituições da igreja inglesa na Madeira, publicou a English Review, do mês de Junho de 1848, um artigo favorável ao primeiro daqueles autores.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
Nasceu Ricardo Tomás Lowe, clérigo e naturalista.
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O naturalista Ricardo Tomás Lowe residiu na Madeira.
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Ricardo Tomás Lowe casou com Catarina Maria.
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Ricardo Tomás Lowe exerceu funções de capelão da igreja britânica no Funchal.
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A controvérsia em torno das funções do reverendo T. K. Brown como capelão anglicano na Madeira deu origem a várias publicações, entre elas um protesto de Lowe, The Madeira Chaplaincy, publicado em Londres, e um panfleto sobre a Igreja Inglesa no Funchal.
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Lowe publicou A Manual Flora of Madeira.
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O naturalista Ricardo Tomás Lowe partiu de Liverpool a bordo do Liberia, que naufragou na Baía da Biscaia, causando a sua morte e a da mulher.
Lugar
Lugares mencionados · 11No estrangeiro
- Baía da Biscaia
France/Spain/Portugal. Local onde o Liberia naufragou, causando a morte de Lowe.
Local onde o Liberia naufragou, causando a morte de Lowe.
- Cabo Verde
Cape Verde. Ilhas visitadas por Lowe em 1864 e 1866.
Cabo Verde é um arquipélago e antiga colónia portuguesa que serviu de lugar de exílio e deportação para madeirenses, incluindo liberais na década de 1820, manifestantes contra os decretos relativos aos lacticínios e participantes nos motins de 1936. Lowe visitou-o em 1864 e 1866. Partilha com a Madeira uma espécie de planta com flor.
- Canárias
Spain. Ilhas visitadas por Lowe em 1858 e 1861.
As Canárias são o arquipélago vizinho da Madeira, cuja descoberta é objeto de relatos divergentes. Segundo a tradição, o seu rei Béthencourt vendeu-as ao Infante D. Henrique em troca de terras na Madeira. O Elucidário refere numerosos contactos entre os dois arquipélagos, incluindo visitas científicas, a digressão do Orfeão Madeirense em maio de 1922 e o massacre de quarenta Jesuítas nas suas águas.
- Cemitério Britânico
Funchal. Tem uma lápide em memória de Lowe.
O cemitério britânico (protestante) do Funchal remonta a uma autorização de 1761. O primeiro cemitério situava-se onde hoje fica o Largo do Conde do Ribeiro Real; o atual foi construído em 1808 e ampliado em 1852 e 1889. Situa-se na Rua da Carreira, junto ao novo Paço Episcopal, e possui uma lápide em memória do reverendo R. T. Lowe.
- Funchal
Cidade onde Lowe exerceu funções de capelão.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lea
United Kingdom. Paróquia do Lincolnshire onde Lowe foi capelão depois de 1852.
Paróquia do Lincolnshire onde Lowe foi capelão após 1852.
- Liverpool
United Kingdom. Porto de onde o Liberia partiu para a Madeira em 1874.
Porto inglês, a 1430 milhas do Funchal, de onde partiam navios para a África Ocidental via Madeira; o Liberia partiu de lá para a Madeira em 1874. Uma obra de Robert McAndrew foi publicada na cidade, e o seu museu conserva exemplares de corais da Madeira.
- Porto Santo
Abordado nas Primitiae de Lowe.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Rua do Dr. Vieira
Funchal. Rua onde se situa o Cemitério Britânico.
A Rua do Dr. Vieira é uma rua do Funchal, anteriormente chamada Rua da Carreira, que inclui hoje a antiga Rua de São Paulo. Nela se situavam o cemitério britânico e a biblioteca de empréstimo Utile Dulci.
- Rua dos Aranhas
Funchal. Local da igreja britânica onde Lowe foi capelão.
A Rua dos Aranhas é uma rua do Funchal que deve o nome à família Aranha, que ali viveu, e anteriormente se chamava Rua do Dr. Chaves. Nela situam-se a Casa de Dona Mécia e uma casa gótica da família Ornelas que ainda subsiste. Foi o local da igreja anglicana inaugurada em 1848, da Escola Normal e do Teatro Esperança; no seu extremo superior erguia-se, até 1904, a porta de São Lázaro.
- Selvagens
Funchal. Objeto da obra Florulae Salvagicae Tentamen, de Lowe.
Pequeno grupo de ilhas desabitadas, que pertence politicamente ao Arquipélago da Madeira. O Elucidário aborda a sua geografia, geologia, fauna e história da propriedade, bem como as lendas de tesouros escondidos, incluindo os planos de Shackleton para os procurar, e assinala a caça anual de cagarras e coelhos. É o único habitat remanescente da lapa Patella vulgata e foi estudado por naturalistas como Lowe e Garreta.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05- Ricardo Tomás Lowe1802–1874
Clérigo e naturalista inglês que estudou a fauna e a flora da Madeira e foi capelão da igreja britânica no Funchal (1834–1848).
- Catarina Maria Lowem. 1874
Mulher de R. T. Lowe, com quem casou em 1828 e morreu no naufrágio do Liberia.
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Botânico em cujo herbário se encontram duplicados de plantas da Madeira e das Canárias recolhidas por Lowe.
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Clérigo inglês na Madeira contra cuja atividade pastoral Lowe protestou publicamente em 1848.
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Botânico em cujo herbário, em Florença, se encontram duplicados de plantas recolhidas por Lowe.