Baldios
Descreve os baldios da Madeira, terrenos incultos de altitude situados sobretudo acima dos 800–900 metros, a sua propriedade privada, em grande parte não documentada, e as propostas para os arborizar a fim de garantir o abastecimento de lenha.
Os baldios, ou terrenos incultos e desaproveitados da Madeira, estão situados na sua maior parte a mais de 800 ou 900 metros acima do nivel do mar, sendo quasi todos eles propriedade de particulares, mas sem que esta propriedade possa as mais das vezes ser comprovada com titulos legais. Segundo se afirma, o Paul da Serra e uma pequena parte das serras de S. Jorge, Boaventura e Poiso são propriedade do Estado, pertencendo a particulares todos os demais terrenos da região montanhosa da ilha, à excepção do Montado do Barreiro, recentemente adquirido pela Camara Municipal da Funchal, e dos montados comprados pela Junta Agricola da Madeira.
Há na ilha cerca de 30:000 hectares de terrenos incultos. Alguns antigos baldios da serra do Monte estão agora revestidos de pinheiros, e bom seria que a plantação destas árvores se estendesse a outros pontos da região montanhosa, a fim de acautelar o mal que nos ameaça de termos um dia falta de lenhas para as necessidades da população. O Paul da Serra, que o povo teve licença para aproveitar nos tempos do governo de D. João VI, poderia produzir o pinheiro de Canarias, essencia esta que no entender do sr. Dr. Jorge Perez é muito propria para a arborização da zona superior da nossa ilha.
Os baldios eram, noutros tempos e em grande parte, separados dos terrenos cultivados por meio de sebes ou tapumes, feitos de estacas e ramos de arvores, que têm o nome de bardos, principalmente destinados a impedir que os gados assaltem as culturas agricolas. Vid. Barreiro.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 06- Montado do Barreiro
Funchal. Terreno de altitude recentemente adquirido pela Câmara Municipal do Funchal.
Zona de altitude, florestada e de pastagem, acima do Funchal, rica em nascentes que alimentam várias levadas e as nascentes dos Tornos, utilizadas no abastecimento de água à cidade. Foi expropriada pela Câmara Municipal do Funchal em 1917, e o processo judicial daí resultante deu origem a opúsculos de Pedro Góis Pita e Juvenal Henriques de Araújo.
- Paul da Serra
Ponta do Sol. Planura de altitude pertencente ao Estado, proposta para a plantação de pinheiro-das-Canárias.
O Paul da Serra é o único planalto extenso da Madeira, situado a cerca de 1 500 m de altitude e abrangendo quatro concelhos, onde as temperaturas podem descer até ao ponto de congelação. Nas suas margens nascem as fontes do Rabaçal e do Risco, a Ribeira da Tabua e a Ribeira da Janela, e dele são alimentadas as principais levadas. O Elucidário regista a sua vegetação, os ensaios agrícolas, as Casas de Abrigo, os encontros para a tosquia das ovelhas, o uso dos terrenos comuns e um projeto de estrada inacabado.
- Poiso
Santa Cruz. Parte da sua serra é apontada como propriedade do Estado.
O Poiso é um local de altitude no interior da Madeira, situado a cerca de 1 390–1 414 m, na estrada n.º 24 e perto do Chão das Feiteiras, do planalto das Alagoas e do Areeiro. Foi uma estação astronómica do interior, onde se realizaram observações meteorológicas, incluindo as de Guilherme Teles de Meneses e observações dos ventos em 1894. Na sua área nascem a Ribeira de João Gomes e a Ribeira do Porto Novo.
- Serra de Boaventura
São Vicente. Parte desta serra é apontada como propriedade do Estado.
A Serra de Boaventura é a região serrana da freguesia da Boaventura, na Madeira, da qual se diz que uma parte pertence ao Estado. É uma das duas elevações entre as quais se situa o passo da Boca das Torrinhas.
- Serra de São Jorge
Santana. Parte desta serra é apontada como propriedade do Estado.
A Serra de São Jorge é uma zona serrana da freguesia de São Jorge, parte da qual se diz ser propriedade do Estado. Nela existe uma levada do Estado.
- Serra do Monte
Funchal. Antigos baldios hoje cobertos de pinheiros.
Antigos terrenos baldios hoje cobertos de pinheiros.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- João VIm. 1826
Rei de Portugal durante cujo governo foi permitido ao povo usar o Paul da Serra.
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Especialista que considerava o pinheiro-das-Canárias adequado à arborização da zona alta da Madeira.