Visita dos Reis de Portugal 1Chegada e recepção
Visita dos Reis de Portugal
Relato da visita de D. Carlos e D. Amélia à Madeira, de 22 a 25 de junho de 1901, com as cerimónias, festividades e autoridades envolvidas.
1Chegada e recepção
A 22 de Junho de 1901, os cruzadores D. Carlos e S. Gabriel e o iate real D. Amélia, ancoraram no porto do Funchal, conduzindo o primeiro a seu bordo o rei D. Carlos e a rainha D. Amélia. Acompanhavam os monarcas o ministro do reino e presidente do conselho Hintze Ribeiro, o ministro da marinha Teixeira de Sousa, os condes de Arnoso, Tarouca e Ribeira Grande, o marquês do Faial, o vice-almirante Brito Capelo, o Dr. Oliveira Feijão e a dama da rainha D. Maria Francisca de Meneses.
Efectuado o desembarque dos soberanos portugueses no cais da entrada da cidade, pelas duas horas da tarde, logo se organizou um imponente cortejo que se dirigiu á Sé Catedral, onde foi celebrado um solene Te-Deum, tomando seguidamente o mesmo cortejo a direcção do palácio de S. Lourenço, transformado em paço real, onde se realizou a recepção de gala que os monarcas deram ao corpo consular, autoridades, titulares e várias entidades oficiais.
Durante a estada dos reis de Portugal nesta ilha, houve uma série ininterrupta de festas e entusiásticas manifestações em honra dos monarcas, de que só poderemos fazer rápida menção. Merecem referência especial a récita de gala no Teatro, tão brilhantemente descrita pelo conde de Arnoso, a sessão solene nos Paços do Concelho, as brilhantes festas oferecidas por Luís da Rocha Machado, visconde de Cacongo e João Blandy, nas suas quintas do Monte, Choupana e Palheiro do Ferreiro, o jantar de gala em S. Lourenço, a missa campal na praça Académica, o baile na quinta Vigia, a exposição industrial e agrícola, etc.
2Visitas, ornamentações e partida
Os monarcas visitaram os quartéis, vários estabelecimentos de caridade e alguns edifícios públicos.
As ornamentações do cais, entrada da cidade, praça da Constituição e de várias ruas e edifícios revestiram um brilho desusado, e as iluminações foram profusas e obedeceram ao mais fino gosto, sendo um dos números do programa dos festejos que mais interesse e admiração despertaram entre os nossos visitantes.
A imponência da recepção aos monarcas portugueses, a que entusiasticamente se associaram todas as classes sociais, deve-se especialmente ao governador civil José Ribeiro da Cunha e ao presidente da Câmara Municipal o Dr. Manuel José Vieira. O cruzador D. Carlos parou na baía do Porto Santo, antes de chegar á Madeira, afim de receber a seu bordo a câmara municipal e autoridades daquela ilha, que foram apresentar os seus cumprimentos aos monarcas.
Os reis de Portugal embarcaram no dia 25 de Junho, pelas 6 horas da tarde, e seguiram para as ilhas dos Açores, onde chegaram na manhã do dia 28.
Quem quiser ter uma noticia mais circunstanciada de todos os festejos, dos discursos proferidos e de vários documentos oficiais respeitantes á visita régia, leia o interessante livro de Ciriaco de Brito Nobrega, intitulado a visita de suas majestades os reis de Portugal ao arquipélago madeirense, onde se faz a descrição completa de tudo quanto na Madeira se realizou para festejar e solenizar a estada dos monarcas portugueses neste arquipélago.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 01-
O rei D. Carlos e a rainha D. Amélia visitaram a Madeira, chegando ao Funchal em 22 de junho e partindo para os Açores em 25 de junho; John Blandy recebeu-os na Quinta do Palheiro, onde o rei jogou ténis, e realizou-se uma exposição na Praça Académica.
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Os monarcas portugueses chegaram aos Açores após a visita à Madeira.
Lugar
Lugares mencionados · 12No estrangeiro
- Açores
Portugal. Destino seguinte dos monarcas.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Choupana
Funchal. Quinta onde se realizou uma festa.
A Choupana é um sítio da freguesia de Santa Maria Maior, no Funchal, a sul do Pico do Infante, onde termina a Levada da Serra do Faial. Ali se encontram as Quintas do Miradouro e da Choupana, tendo nesta última sido realizada uma festa durante a visita régia. Cultivam-se aí Acacia dealbata e eucaliptos, e o sítio foi atingido por um projétil no bombardeamento de 1917.
- Funchal
Local onde fundearam os navios reais.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Monte
Funchal. Localidade onde se situa uma quinta em que se realizou uma festa.
Freguesia de Nossa Senhora do Monte, acima do Funchal, a cerca de 600 m de altitude, onde o aparecimento das folhas ocorre mais tarde do que no Funchal. Inclui os sítios do Jardim Botânico, da Igreja e dos Marmeleiros e a Quinta de Sant'Ana. O Elucidário regista as suas numerosas plantas, entre elas acácias e Sonchus fruticosus.
- Palácio de São Lourenço
Funchal. Serviu de palácio real durante a visita.
O Palácio de São Lourenço, palácio-fortaleza dos governadores no Funchal, foi palco de cerimónias de beija-mão, receções, bailes e jantares, bem como da exposição de 1861. O Elucidário regista ali um grande incêndio em 1699, um museu de história natural em 1850 e uma tentativa de entrada de soldados em 1829. O Teatro Grande ficava em frente.
- Palheiro Ferreiro
Santa Cruz. Quinta onde se realizou uma festa.
Quinta e um dos principais sítios da freguesia do Caniço, mais tarde propriedade dos Blandy, cujos terrenos confinam com os da Capela de Nossa Senhora das Neves. O Conde de Carvalhal ofereceu ali uma célebre festa ao infante D. Luís, e realizou-se também ali uma festa durante a visita dos reis de Portugal. Foi um dos postos de defesa organizados por Travassos Valdês durante a ocupação miguelista, tendo para lá sido destacada parte das tropas.
- Porto Santo
Local onde o cruzador fez escala para receber as autoridades locais.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Praça Académica
Funchal. Local onde se celebrou uma missa ao ar livre.
A Praça Académica foi uma antiga praça do Funchal, traçada em terrenos municipais em 1836; a sua construção levou à demolição da porta do Calhau. Ali se fizeram as primeiras observações da inclinação magnética, em 1839, e realizaram-se feiras a partir de 1850. Foi também palco de uma missa ao ar livre durante a visita régia. O Forte de São Pedro ficava no seu extremo oriental, o Campo das Loucas situava-se a leste e o vapor Queen foi construído a leste da praça.
- Praça da Constituição
Funchal. Ricamente decorada para a visita.
A Praça da Constituição era uma praça do Funchal, anteriormente chamada Passeio Público, que recebeu o nome da constituição liberal ali proclamada em 28 de janeiro de 1821. Chamou-se Praça Real durante o governo de D. Miguel, passou a Praça da República em 1911 e desapareceu em 1914 com a construção da Avenida Oeste. Ficava junto ao Jardim Municipal e era ponto terminal do elétrico.
- Quinta Vigia
Funchal. Local onde se realizou um baile em honra dos monarcas.
Quinta pertencente ao Estado, na freguesia de São Pedro, no Funchal, conhecida pelas suas árvores exóticas raras. Serviu de residência à rainha Adelaide, à imperatriz da Áustria (1860–1861) e ao príncipe de Oldenburgo. Mais tarde, tornou-se quartel da Guarda Republicana, teve um casino que emitiu fichas em 1901 e foi atingida por um projétil no bombardeamento de 1916.
- Sé do Funchal
Funchal. Local onde se celebrou o Te Deum à chegada dos monarcas.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
- Teatro Municipal do Funchal
Funchal. Local onde se realizou o espetáculo de gala.
Local da récita de gala.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 15-
Ministro da Marinha que integrou a comitiva real em 1901.
- Ciríaco de Brito e Nóbregan. 1856
Autor do livro que descreve a visita régia de 1901 ao arquipélago.
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Membro da corte que integrou a comitiva real e descreveu o espetáculo de gala no teatro.
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Rainha de Portugal que acompanhou D. Carlos na visita de 1901.
- D. Carlosm. 1922
Rei de Portugal que visitou a Madeira em junho de 1901.
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Ministro do Reino e presidente do Conselho que acompanhou os monarcas em 1901.
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Vice-almirante que integrou a comitiva real em 1901.
- João Blandym. 1912
Anfitrião de uma festividade oferecida aos monarcas, segundo a lista, na Quinta do Palheiro do Ferreiro.
- José Ribeiro da Cunham. 1915
Governador civil do Funchal a quem é atribuída a organização da grande receção de 1901.
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Anfitrião de festividades oferecidas aos monarcas na sua quinta em 1901.
+ 5 mais
- Manuel José Vieira1836–1912
Presidente da Câmara Municipal do Funchal a quem é atribuída a receção de 1901.
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Dama de companhia da rainha durante a visita de 1901.
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Nobre que acompanhou os monarcas em 1901.
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Membro da comitiva real em 1901.
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Anfitrião de festividades oferecidas aos monarcas na sua quinta em 1901.