Cacongo (Visconde de) 1Residência na Madeira e beneficência
Cacongo (Visconde de)
Biografia de Rodrigues Leitão, Visconde de Cacongo (1843–1925), abastado proprietário e filantropo na Madeira cuja influência em África assegurou a ocupação portuguesa de Cacongo e Massabi e, por conseguinte, do enclave de Cabinda.
1Residência na Madeira e beneficência
Este titular não nasceu na Madeira, mas considera-a como a sua pátria adoptiva. Acha-se ligado a esta ilha por laços de parentesco, aqui fixou residência há muitos anos e é entre nós um dos mais abastados proprietários. Segue de perto todos os assuntos que interessam ás prosperidades deste arquipelago e tem cooperado com o seu avisado conselho e com a sua opinião autorizada para a resolução de muitos problemas que tocam de perto á economia do distrito. O Visconde de Cacongo um desvelado protector das classes desprotegidas da fortuna, ás quais largamente socorre, não recusando nunca o seu farto óbulo para todas as obras de filantropia e beneficência que se organizem entre nós. Entre os serviços que prestou a esta terra destaca-se a sua valiosa colaboração na fundação do Manicómio Camara Pestana e na construção dum cais na freguesia do Faial, que tem o seu nome.
Tornou-se o Visconde de Cacongo um benemérito do seu país pelos assinalados serviços que prestou em Africa, onde residiu largos anos. Acerca da sua acção na nossa província de Angola vamos transcrever do volume IX da Encyclopedia Portuguesa Illustrada, de Maximiliano de Lemos, os seguintes trechos:
2Serviços em Africa
Do prestigio e grande preponderância que conseguiu entre os indígenas, pela maneira bondosa e justa com que sempre os tratou, fala bem alto o facto sucedido em 1883, quando se fez a ocupação do Cacongo e Massabi.
Foi neste ano que Rodrigues Leitão, vendo que a França pretendia assenhorear-se de toda a costa, desde a sua colónia do Gabão até a margem norte do Zaire, tendo ocupado já o Luango e Ponta Negra, a pesar dos protestos dos comandantes dos navios de guerra portugueses, pensou em se opor a este plano.
Para o conseguir, solicitou do então governador geral de Angola, conselheiro Ferreira do Amaral, que mandasse fazer a ocupação do Cacongo e Massabi, e foi devido ás suas reiteradas instâncias que aquele governador mandou a Luanda a corveta Rainha de Portugal comandada pelo distinto oficial Guilherme de Brito Capelo, que era então capitão-tenente, a fim de a efectuar.
Para se poder fazer a ocupação era necessário que os pretos pedissem o nosso protectorado, e foi isso o que o enorme prestigio de Rodrigues Leitão conseguiu que eles fizessem da maneira mais solene.
A ele se deve, pois, a ocupação do Cacongo e Massabi, e, como consequência deste facto, a posse por parte de Portugal do enclave de Cabinda, ao norte do Zaire, que o congresso de Berlim nos concedeu devido ao Cacongo já ser português. “Por este grande serviço prestado ao seu país foi agraciado com o título de visconde de Cacongo, por carta regia de 1 de Agosto de 1884.
3Nascimento e morte
O Visconde de Cacongo nasceu em 1843 em Ponte da Barca e é filho de Manuel Antonio Rodrigues Leitão e de D. Maria Joaquina de Oliveira. Veio muito novo para a Madeira, com seu tio João José Rodrigues Leitão, que teve casa bancária nesta cidade, e daqui é que se dirigiu para a Africa Ocidental, onde alcançou grande fortuna. Faleceu no Funchal a 15 de Junho de 1925.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Manuel António Rodrigues Leitão, Visconde de Cacongo, nasceu em Ponte da Barca.
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Portugal ocupou Cacongo e Massabi depois de os chefes locais terem solicitado um protetorado por intermédio de Rodrigues Leitão.
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Rodrigues Leitão recebeu o título de Visconde de Cacongo por carta régia.
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O Visconde de Cacongo morreu no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 13No estrangeiro
- Angola
Província portuguesa onde o visconde prestou serviços.
Colónia portuguesa do ultramar que serviu de local de degredo para os condenados pelos distúrbios de 1668 e 1834 na Madeira e pela Alçada de 1823. Foi governada por Vasco Guedes, Sebastião Xavier Botelho e D. Lourenço de Almada. Foi também a principal origem das variedades de cana-de-açúcar P.O.J. importadas a partir de 1933.
- Cabinda
Angola. Enclave assegurado para Portugal no Congresso de Berlim graças à ocupação de Cacongo.
Enclave assegurado a Portugal no Congresso de Berlim graças à ocupação de Cacongo.
- Cacongo
Angola. Território africano ocupado por Portugal em 1883, que deu nome ao título.
Território africano ocupado por Portugal em 1883, que deu nome ao título.
- Faial
Santana. Freguesia onde foi construído, com a ajuda do visconde, um cais que recebeu o seu nome.
O Faial é uma freguesia da costa norte do concelho de Santana, criada em 1550, cujas nascentes de montanha alimentam a Levada da Serra. Abrange os Chícharos e a capela da Diferença, inclui a parte oriental do Pico Ruivo e é conhecida pelo fabrico de queijo e pelo basalto colunar.
- Funchal
Cidade onde o tio tinha um banco e onde o visconde morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Gabão
Gabon. Colónia francesa a partir da qual a França procurava estender o seu domínio costeiro.
Colónia francesa a partir da qual a França procurou alargar o seu domínio costeiro.
- Luanda
Angola. Porto para o qual a corveta foi enviada.
Cidade de Angola referida como lugar de exílio e como local proposto por Welwitsch para jardins de aclimatação. Arsenio do Carpo tornou-se ali um comerciante abastado, e Vitorino José dos Santos dirigiu as obras públicas municipais da cidade.
- Manicómio Câmara Pestana
Funchal. Manicómio cuja fundação o visconde apoiou.
Asilo do Funchal fundado em 1906, cuja criação contou com o apoio do Visconde de Cacongo; a partir de 1924, destinou-se apenas a mulheres. Tem o nome do Dr. Luiz da Câmara Pestana e um busto seu em bronze; nas proximidades cresce Chamaemeles coriacea.
- Massabi
Angola. Território ocupado juntamente com Cacongo em 1883.
Território ocupado juntamente com Cacongo em 1883.
- Ponte da Barca
Portugal. Local de nascimento do visconde, em Portugal Continental.
Terra natal do visconde, em Portugal Continental.
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Pessoas
Pessoas mencionadas · 06-
Abastado residente e benemérito na Madeira, cujos esforços asseguraram a ocupação portuguesa de Cacongo e Massabi; recebeu um título nobiliárquico em 1884.
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Governador-geral de Angola que ordenou a ocupação de Cacongo e Massabi por iniciativa de Rodrigues Leitão.
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Capitão-tenente da corveta Rainha de Portugal, enviada para executar a ocupação de 1883.
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Tio do visconde, que dirigia uma casa bancária no Funchal e o levou para a Madeira.
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Mãe do Visconde de Cacongo.
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Editor da Enciclopédia Portuguesa Ilustrada, citado a propósito da atividade do visconde em África.