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Nossa Senhora da Conceição (Capelas de) 1A Capela-Monumento das Babosas
Artigo Nº 2574 Capela Funchal Vol. II · pp. 862–864 6 min de leitura

Nossa Senhora da Conceição (Capelas de)

Levantamento das capelas da Madeira dedicadas a Nossa Senhora da Conceição, com os respetivos fundadores e datas, desde o século XVI até 1930. Inclui a Capela-Monumento das Babosas, no Monte, construída em 1906 para assinalar o jubileu do dogma da Imaculada Conceição.

Nossa Senhora da Conceição (Capelas de)
Mapa: Madeira (25)

1A Capela-Monumento das Babosas

Existiu na freguesia do Monte uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, que foi fundada por Tristão de França Bettencourt em ano que ignoramos, e no largo das Babosas da mesma freguesia, se construiu em 1906 uma capela que também tem o mesmo orago. Foi fundada com o fim de comemorar as festas jubilares que se celebraram na Madeira para solenizar o quinquagésimo aniversário da definição do dogma da Imaculada Conceição. A parte principal destes festejos consistiu num imponente e brilhante cortejo religioso, que saindo da Sé Catedral se dirigiu ao largo da Fonte, freguesia do Monte onde se celebrou uma missa campal, tendo por essa ocasião o prelado D. Manuel Agostinho Barreto proferido um dos seus mais vibrantes e entusiásticos discursos. Nasceu então a ideia da edificação da Capela-Monumento, que se realizou dois anos depois, havendo o bispo diocesano nomeado previamente a comissão encarregada de angariar os indispensáveis donativos e de dirigir a respectiva construção. O comendador João Bernardino Gomes, vice-presidente da comissão, ofereceu o terreno para a edificação do gracioso templo e a imagem da Virgem que figura no seu altar, tendo havido outras generosas ofertas para o ornato e decoração da capela. Cumpre prestar homenagem à justiça, consignando aqui que foi o comendador Luís de Bettencourt Miranda quem mais notavelmente concorreu para a construção da Capela-Monumento. Aos seus diligentes e perseverantes esforços se deve não somente a conclusão de todos os trabalhos, mas ainda o aformoseamento do local, que se tornou um sítio em extremo pitoresco e ponto obrigado de visita para todos os que se dirigem á encantadora e paradisíaca estancia do Monte. O opúsculo Nossa Senhora do Monte, do padre Joaquim Plácido Pereira, insere uma desenvolvida noticia acerca das festas jubilares e fundação desta capela.

2Capelas de Câmara de Lobos, Funchal e Calheta

Existe na freguesia de Câmara de Lobos, e a pequena distancia da igreja paroquial, a capela de Nossa Senhora da Conceição, que é muito antiga e se presume ter sido construída pelo povo. No decorrer dos tempos, tem sofrido varias reparações e ainda há cerca de doze anos se fizeram ali obras importantes para a sua conservação e decoração interior. Esta capela, que não é de dimensões muito acanhadas, está a cargo da classe piscatória, que nela mantém e sustenta o exercício do culto.

Na rua da Carreira, desta cidade, entre as ruas do Conde de Canavial e da Alegria, se encontra a capela de Nossa Senhora da Conceição, que foi fundada em 1770 pelo capitão Luís Bettencourt de Albuquerque e Freitas, junto da sua casa de moradia, tendo sido benzida a 7 de Dezembro do ano referido, e na freguesia de São Pedro, em lugar que ignoramos, fundaram Rui Dias de Aguiar e sua mulher Leonor de Ornelas de Andrade, no ano de 1662, uma capela da mesma invocação, que tinha escritura de dotação de 11 de Dezembro do mesmo ano.

Na propriedade que possuía na freguesia de São Roque, fundou o cónego António Lopes de Andrade, no ano de 1700, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, tendo a respectiva escritura de dotação a data de 8 de Julho do mesmo ano, e Diogo Afonso de Aguiar fundou em 1688 uma capela na freguesia da Tabua, dedicada também á mesma Senhora, que fez erigir muito próximo do litoral. Foi reconstruída em 1910 por José da Silva Novita, tendo sido benzida pelo prelado D. Manuel Agostinho Barreto, a 31 de Julho do mesmo ano.

A capela de Nossa Senhora da Conceição, que existe na freguesia do Estreito da Calheta, era sede dum importante morgadio, que abrangia uma das mais vastas propriedades desta ilha e que há poucos anos foi vendida ás parcelas pelo seu ultimo possuidor, tendo sido também alienadas a capela e a casa solarenga que ficam anexas. Foi fundada por André de França e Andrade, pelos anos de 1672.

É de bem recente data a construção da capela de N. S. da Conceição, que fica no sítio das Amoreiras, da freguesia do Arco da Calheta. Foi benzida a 27 de Dezembro de 1911 e fundada pelo pároco José Marcelino de Freitas, com donativos dos fiéis.

Na margem e próximo da foz da ribeira da Serra de Água, na freguesia do Arco da Calheta, levantou Gonçalo Fernandes uma capela consagrada á mesma Senhora, e nela fez a sede dum morgadio, com a obrigação da celebração de missa quotidiana e da recitação dum responso em cada dia sobre a sua sepultura «enquanto o mundo durar», segundo a respectiva verba testamentaria.

3Gonçalo Fernandes e outras capelas

A respeito deste Gonçalo Fernandes dizem vários linhagistas o que resumidamente se encontra numa nota ás Saudades, nos seguintes termos: «Feita a paz do Sr. D. Affonso V e recolhida a Excellente Senhora ao mosteiro, foi mandado para a Ilha com proibição de sair della. Todos os annos o Rey lhe mandava hum navio com todo o recheio preciso para a sua casa; era tractado com muita attenção, a não se souberam seus paes. Na sua capella poz por armas as quinas portuguezas em aspa, e sobre a sepultura fez gravar hum menino com o rosto sobre a mão esquerda, o cotovelo sobre uma caveira, e apontando com a direita para a seguinte inscrição tirada do livro da Sapiência: Sic et nos nati continuo desivimus esse. Conta-se que fizera pintar em outra parte huma mulla atirando couces á fortuna».

A capela do Arco da Calheta, segundo vemos num manuscrito do princípio do século passado, «foi obra primorosa», dizendo o nobiliario de H. H. de Noronha que o fundador a ornou «com muito luzimento e boas pinturas.»

Gonçalo Fernandes morreu a 15 de Junho de 1539 e jaz sepultado nesta capela, como dito fica. Foi sucessor do morgadio seu filho primogénito Pedro Gonçalves de Andrade. Esta casa vinculada passou aos Freitas da Madalena, de que foi ultimo representante o morgado Nuno de Freitas de Lomelino.

Há ainda a citar, com a invocação de N. S. da Conceição, uma capela na freguesia de Santa Cruz fundada pelos anos de 1600 por Bartolomeu Telo Moniz de Meneses, e uma outra na freguesia da Ponta Delgada, reconstruída no ano de 1754 por Nuno de Freitas da Silva, ignorando-se o ano da sua primitiva edificação.

Na freguesia da Ribeira Brava, no sítio da Conceição existe uma capela com a mesma invocação, de que não temos outra noticia.

No sítio da Fajã dos Padres, no litoral da freguesia do Campanário, existiu uma pequena capela dedicada a nossa Senhora da Conceição, que pertencia aos jesuítas e que os corsários argelinos destruíram no ano de 1626.

Com igual invocação, fez o visconde de Cacongo edificar uma capela na sua quinta da Choupana, freguesia de Santa Maria Maior, no ano de 1930, que foi benzida a 12 de Outubro do ano referido.

Ainda com essa invocação fundou o capitão José Sotero e Silva uma capela no sítio da igreja, na freguesia do Monte, que o seu actual proprietário José de Freitas Belmonte, fez concluir e aplicar ao serviço do culto.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 14
  1. Gonçalo Fernandes morreu e foi sepultado na sua capela, no Arco da Calheta (um artigo indica 15 de junho de 1539).

  2. Bartolomeu Telo Moniz de Meneses fundou uma Capela de Nossa Senhora da Conceição em Santa Cruz.

  3. Piratas, descritos como corsários argelinos, atacaram a Fajã dos Padres, no Campanário, e destruíram a capela dos Jesuítas ali existente.

  4. Foi lavrada a escritura de dotação da Capela de Nossa Senhora da Conceição, em São Pedro, fundada por Rui Dias de Aguiar e sua mulher.

  5. André de França e Andrade fundou e construiu a Capela de Nossa Senhora da Conceição no Estreito da Calheta.

  6. Diogo Afonso de Aguiar fundou uma capela na Tábua.

  7. O Cónego António Lopes de Andrade construiu e dotou a Capela de Nossa Senhora da Conceição, em São Roque.

  8. Nuno de Freitas da Silva reconstruiu a Capela de Nossa Senhora da Conceição em Ponta Delgada.

  9. Foi benzida a Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Rua da Carreira, fundada por Luís Bettencourt de Albuquerque e Freitas.

  10. Realizaram-se na Madeira as festividades do jubileu dos 50 anos do dogma da Imaculada Conceição, com uma procissão da Sé até ao Monte.

  11. A Capela-Monumento de Nossa Senhora da Conceição foi construída nas Babosas, no Monte, para assinalar o cinquentenário do dogma da Imaculada Conceição; desde então, o local passou a ser conhecido como Conceição.

  12. A Capela de Nossa Senhora da Conceição, reconstruída na Tábua, foi benzida pelo bispo Manuel Agostinho Barreto.

  13. Foi benzida a Capela de Nossa Senhora da Conceição nas Amoreiras, no Arco da Calheta.

  14. Foi benzida a capela do Visconde de Cacongo na Quinta da Choupana.

Lugar

Lugares mencionados · 25
  1. Capelas de Nossa Senhora da Conceição · Assunto

    Funchal

  2. Amoreiras

    Calheta. Local onde se situa a capela benzida em 1911.

  3. Arco da Calheta

    Calheta. Freguesia com duas capelas de Nossa Senhora da Conceição.

  4. Câmara de Lôbos

    Câmara de Lobos. Freguesia com uma antiga capela mantida pelos pescadores.

  5. Campanário

    Ribeira Brava. Freguesia onde se situa a Fajã dos Padres.

  6. Conceição

    Calheta. Sítio com uma capela da mesma invocação.

  7. Estreito da Calheta

    Calheta. Freguesia de uma capela que foi sede de um grande morgadio.

  8. Fajã dos Padres

    Ribeira Brava. Local de uma capela dos jesuítas destruída por corsários argelinos em 1626.

  9. Largo da Fonte

    Funchal. Local onde se celebrou a missa campal do jubileu.

  10. Largo das Babosas

    Funchal. Local da Capela-Monumento de 1906.

  11. Madalena do Mar

    Ponta do Sol. Localidade da família Freitas, que herdou o morgadio.

  12. Monte

    Funchal. Freguesia com várias capelas de Nossa Senhora da Conceição, incluindo a Capela-Monumento das Babosas.

+ 13 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 24
  1. Fundou, cerca de 1672, a capela do Estreito da Calheta, sede de um grande morgadio.

  2. Cónego que fundou uma capela na sua propriedade em São Roque, em 1700.

  3. Fundou uma capela em Santa Cruz cerca de 1600.

  4. Rei de Portugal após cuja paz Gonçalo Fernandes foi enviado para a Madeira.

  5. Bispo do Funchal que pregou na missa campal do jubileu de 1904 e benzeu a capela reconstruída na Tábua em 1910.

  6. Fundou uma capela junto à costa, na freguesia da Tábua, em 1688.

  7. Figura misteriosa enviada para a Madeira no reinado de D. Afonso V, fundador da capela do Arco da Calheta e do respetivo morgadio, onde está sepultado.

  8. Genealogista cujo nobiliário elogia a decoração da capela do Arco da Calheta.

  9. Pretendente ao trono de Castela que se retirou para um convento, mencionada na lenda de Gonçalo Fernandes.

  10. Vice-presidente da comissão de construção que doou o terreno e a imagem da Virgem para a capela das Babosas.

+ 14 mais
  1. Padre cujo opúsculo Nossa Senhora do Monte descreve as festividades do jubileu e a fundação da capela.

  2. Reconstruiu a capela da Tábua em 1910.

  3. Proprietário que concluiu a capela do Monte e a abriu ao culto.

  4. Pároco que fundou a capela das Amoreiras, benzida em 1911.

  5. Fundou uma capela perto da igreja do Monte.

  6. Mulher de Rui Dias de Aguiar e cofundadora da capela de São Pedro, em 1662.

  7. Fundou a capela da Rua da Carreira, junto à sua casa, em 1770.

  8. Principal impulsionador da Capela-Monumento das Babosas, que a concluiu e embelezou o local.

  9. Reconstruiu a capela de Ponta Delgada em 1754.

  10. Último representante dos Freitas da Madalena, que herdou o morgadio do Arco da Calheta.

  11. Filho mais velho de Gonçalo Fernandes e herdeiro do seu morgadio.

  12. Construiu uma capela na sua Quinta da Choupana em 1930.

  13. Fundou com a mulher uma capela na freguesia de São Pedro, em 1662.

  14. Fundou, em data desconhecida, uma antiga capela de Nossa Senhora da Conceição na freguesia do Monte.

Na folha N

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