Seixal (Freguesia do) 1Origem do nome
Seixal (Freguesia do)
Verbete sobre a freguesia do Seixal, na costa norte da Madeira, que aborda a origem e a grafia do seu nome, a sua história inicial como parte do Porto Moniz, a sua criação como freguesia em 1553 e a côngrua dos seus párocos. Enumera também os principais sítios e a população em 1921.
1Origem do nome
Lutamos com uma grande escassez de notícias acerca desta paróquia, a começar pela ignorância relativa á mais segura grafia com que deve ser fixado o seu nome. Resolve-se parcialmente a dificuldade, procurando descobrir-se com exactidão a origem desta palavra aplicada aquela freguesia. Provém o nome de seixo, significando pedra, calhau, ou tirou sua origem de seixo, que designa uma espécie vegetal? Adopta-se geralmente a ultima acepção do termo, com o fundamento de que a primeira é muito pouco conhecida entre nós, especialmente nas classes menos cultas. Mas sê-lo-ia nos primitivos tempos da colonização? Virá a proposta recordar que, no dia imediato ao do primeiro desembarque realizado em Machico, puseram os descobridores o nome de porto do Seixo a uma pequena praia, que hoje pertence à freguesia de Água de Pena, «por causa do que nelle se achou», diz o historiador das ilhas. Os modernos dicionaristas escrevem seixo em ambas as acepções já indicadas, mas, em vocabulários mais antigos, encontra-se seixo para designar calhau, e seiço com a significação de árvore ou planta. A palavra, para indicar a paróquia de que nos vimos ocupando, encontra-se escrita com ortografia diversa e até extravagante: Seisal, - Seiçal, Seissal, Ceisal, Ceixal e Seixal. Algumas destas grafias são manifestamente incorrectas, mas é uma forma correcta, embora antiquada, a de Seiçal, que é também a mais comum nos documentos antigos. Ser-nos-ia interessante e valioso conhecer a transformação que, nos registos do respectivo arquivo paroquial, sofreu este vocábulo num longo período de tempo superior a três séculos, o que não pudemos infelizmente verificar. Somos de opinião que o nome desta freguesia foi tomado de Seixo ou Seiço, pequena árvore ou arbusto do género Salix e da família das Salicaceas que, dizem as publicações botânicas, «se encontra nos leitos das ribeiras e em muitas rochas húmidas da Madeira», sendo provável que em maior abundância estivesse espalhado nesta ilha na época da descoberta e dos primeiros povoamentos. Entendemos que a verdadeira ortografia a adoptar seria a de Seiçal, mas tendo-se introduzido e generalizado a de Seixal, será talvez hoje inútil lutar contra o uso comummente estabelecido, que para muitos poderia parecer uma inovação pretensiosa e ridícula.
2Criação da paróquia
Os terrenos que constituem hoje a freguesia do Seixal pertenceram primitivamente à freguesia do Porto Moniz, quando esta era talvez apenas a sede duma simples capelania com o exercício de funções paroquiais. Dizia Gaspar Frutuoso em 1590: «De São Vicente a três legoas está o Seixal que he freguesia de até vinte fogos, com huma igreja da invocação de São Braz. Tem muitas terras de grandes criações, e lavrança de pão e vinho, e fruta de toda a sorte». O actual orago da respectiva igreja é Santo Antão, e julgamos que sempre o foi, e não São Brás, como se lê em Frutuoso.
Tanto o anotador das Saudades que seguiu as indicações das Memórias... do Estudo Eclesiastico, como o Índice Geral da Provedoria..., que tantas vezes temos citado, dão o Seixal como erigido em paróquia pelo alvará régio de 20 de Junho de 1553 sendo portanto esta a data da sua criação. Foi primeiro pároco o padre Francisco da Arca, que teve, como côngrua anual, 7400 réis em dinheiro e uma pipa de vinho arbitrada pelo referido diploma de criação. O alvará regio de 10 de Fevereiro de 1502 acrescentou-lhe um moio de trigo, e os alvarás de 22 de Novembro de 1575 e 9 de Junho de 1581 elevaram-na respectivamente a 20$000 e 25$000 réis anuais, aumentada com meio moio de trigo e um quarto de vinho pelo alvará régio de 10 Setembro de 1589 tendo o alvará de 15 de Dezembro de 1678 reduzido esse vencimento a 19$000 réis e um moio e meio de trigo e uma pipa de vinho.
Sítios principais: Serra de Água, Portada, Penedo, Lombinho, Cova, Feiteiras, Farrobo, Ribeira da Lage, Fajã da Parreira e Ribeira Funda. Tem 1203 habitantes (1921).
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 08-
Uma carta régia acrescentou um moio de trigo à côngrua do pároco do Seixal.
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Uma carta régia erigiu o Seixal em freguesia.
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A côngrua do pároco do Seixal foi aumentada para 20 000 réis por ano.
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Um alvará régio elevou para 25 000 réis anuais as côngruas dos vigários de várias freguesias, incluindo Monte, Ponta do Pargo, Campanário e Seixal.
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A côngrua do pároco do Seixal foi aumentada em meio moio de trigo e um quarto de vinho.
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Gaspar Frutuoso descreveu o Seixal como uma freguesia de cerca de vinte fogos, com uma igreja de São Brás.
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A côngrua da freguesia do Seixal foi reduzida a 19 000 réis, um moio e meio de trigo e uma pipa de vinho.
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O censo de 1921 registou a população das freguesias da Madeira, incluindo 4 083 habitantes na Sé, 3 107 em Santana e 7 061 em São Pedro.
Lugar
Lugares mencionados · 16- Seixal · Assunto
Porto Moniz. Freguesia a que se dedica o verbete.
Freguesia da costa norte da Madeira, criada em 1553 e integrada no concelho do Porto Moniz; esteve temporariamente ligada a São Vicente quando o concelho do Porto Moniz foi extinto. Tem um cais e a Ponta do Buraco e sofreu danos na cheia de 1895. O Elucidário regista plantas autóctones que ali crescem e indica-a como terra natal de João de Azevedo.
- Água de Pena
Machico. Freguesia a que pertence atualmente o Porto do Seixo.
Água de Pena é uma freguesia entre Santa Cruz e Machico, dividida pelos dois concelhos. O seu Porto do Seixo foi visitado pelos descobridores de Zarco em 1419. A freguesia foi extinta em 1836 e restaurada em 1848, é irrigada pela Levada do Juncal e inclui Bemposta, Cardais e Queimada.
- Feiteiras
Porto Moniz. Um dos principais sítios do Seixal.
As Feiteiras são referidas como o principal sítio da freguesia do Seixal. O Chão das Feiteiras é um lugar distinto, quase plano, perto da Casa de Abrigo do Poiso, atravessado pela estrada para o Ribeiro Frio e rico em fetos.
- Machico
Local do primeiro desembarque dos descobridores, referido a propósito do nome Porto do Seixo.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Porto do Seixo
Machico. Pequena praia a que os descobridores deram o nome de Porto do Seixo, referida como paralelo para o nome Seixal.
O Porto do Seixo é uma pequena praia em Água de Pena, à qual os descobridores deram o nome. Foi o primeiro lugar visitado no segundo dia do descobrimento e recebeu o nome de uma nascente situada debaixo de uma grande pedra. É citado como paralelo para o nome Seixal.
- Porto Moniz
Freguesia a que pertenciam originalmente as terras do Seixal.
Freguesia e concelho do noroeste, com um cais e um porto razoável que oferece boas condições de desembarque quando os ventos do sul impedem o acesso à Costa Sul. Tem uma das mais antigas capelas dedicadas a Santa Maria Madalena no norte da Madeira, cuja festa se celebra a 22 de julho. Foi a terra natal do Dr. Manuel Gomes Jardim.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02-
Primeiro pároco do Seixal após a criação da freguesia em 1553; recebia 7400 réis e uma pipa de vinho por ano.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista açoriano, o «historiador das ilhas», que em 1590 descreveu o Seixal como uma freguesia de cerca de vinte fogos dedicada a São Brás.