Câmara Pestana (Dr. Luiz da) 1Nascimento, estudos e missão a Paris
Câmara Pestana (Dr. Luiz da)
Biografia de Luiz da Câmara Pestana (1863–1899), bacteriologista nascido no Funchal que fundou e dirigiu o Instituto Bacteriológico de Lisboa e morreu de peste contraída enquanto estudava a epidemia do Porto. Regista também as homenagens que lhe foram prestadas em Lisboa e no Funchal.
1Nascimento, estudos e missão a Paris
Nasceu no Funchal, na rua que tem hoje o seu nome e na parte dela que pertence á freguesia da Sé, a 28 de Outubro de 1863, sendo filho de Jacinto Augusto Pestana, antigo oficial-chefe da repartição da secretaria do govêrno civil deste distrito, e de D. Helena Ana da Camara Pestana, pertencente a uma antiga e distinta familia madeirense.
Frequentou o liceu desta cidade, e depois de ter concluído os preparatorios na Escola Politecnica, matriculou-se em 1884 na Escola Medico-Cirurgica de Lisboa, que mais tarde tanto havia de honrar como um dos seus mais abalizados professores.
Estudante talentoso e muito aplicado, gozando da mais subida consideração de lentes e condiscipulos, pela sua extrema bondade e notaveis qualidades de caracter, soube congregar em torno do seu nome uma verdadeira aureola de estima e simpatia, que o tempo só fêz aumentar cada vez mais, chegando a atingir as proporções de uma verdadeira adoração.
A tese que escolheu para defender na conclusão do seu curso medico intitulava-se O microbio do carcinoma, revelando-se já neste estudo as tendencias do seu espirito para os trabalhos de laboratorio, em que mais tarde se afirmou tão distintamente.
Terminados os seus trabalhos escolares a 24 de Julho de 1889, iniciou desde logo diversos estudos acerca da especialidade a que depois inteiramente se dedicou e que para ele constituíu até ao fim da vida a mais absorvente aspiração do seu espirito.
Passado pouco tempo, sendo ministro do reino o grande parlamentar Antonio Candido, resolveu o govêrno enviar um medico ao estrangeiro, a fim de estudar os tão apregoados resultados da tuberculina de Koch, que chegou a chamar-se a mais grandiosa descoberta dos ultimos seculos. Vejamos o que a tal respeito dizia um jornal do tempo: “Entre nós, a emoção propagara-se com intensidade proporcional ao crescido numero de tuberculosos que avultam na nossa patologia; e tanto e tão intenso foi o abalo, que chegou até ás altas regiões do estado, em regra impassiveis a estas mesquinharias da vida ou da morte. Verdade seja que a comoção de tantos condenados á morte, não podia encontrar para as altas regiões melhor condutor que o espirito de artista do ministro do reino de então. Era Antonio Candido negação do politico, o melhor elogio que se pode fazer a quem alguma vez figurou na nossa politica. Resolvera-se enviar alguém a Paris ou a Berlim apurar o que havia de positivo na anunciada maravilha. Consultou Antonio Candido, sôbre a nomeação, dois homens eminentes pela sua posição no nosso mundo medico e pelos seus caracteres dignos e respeitados, os professores Sousa Martins e Ferraz de Macedo. Um só nome foi indigitado: o de Pestana. E apesar dos atritos que se levantaram, em Janeiro de 1891, Pestana partia para Paris, encarregado de estudar bacteriologia onde e como quisesse, e de apurar o que se soubesse da pretendida descoberta de Koch.
Em Paris, Pestana quasi não saíu dos laboratorios e hospitais. Acompanhando de manhã a clinica de Potain, passava depois para o laboratorio de Cornil, onde seguia o curso de bacteriologia de Chantemesse. Terminado este curso, passou ao Instituto Pasteur, onde aprendeu com o grande mestre os processos de inoculação antirrabica, acabando o seu tirocinio no laboratorio de Strauss, onde principiou os seus trabalhos sobre as toxinas do tetano”.
E tal era a importancia destes trabalhos, que em 27 de Junho de 1891 o professor Strauss, da faculdade de medicina de Paris, apresentava Pestana em sessão da Sociedade de Biologia onde ele fazia a sua comunicação, que foi aplaudida e elogiada unanimemente. Resta dizer que, subsidiado por 4 meses pelo govêrno português, Pestana se demorou em Paris, acabando á sua custa, e com sacrificio proprio, os estudos que julgava indispensaveis para a sua educação profissional.
2O Instituto de Bacteriologia
Regressando da sua missão ao estrangeiro, Camara Pestana só pensou em consagrar-se inteiramente aos trabalhos para que tinha decidida vocação, concebendo desde logo a ideia de fazer entrar o seu país, embora em proporções modestas, nos largos estudos que por tôda a parte se faziam no cultivo da nova ciencia, a bacteriologia. Em Portugal esses estudos eram apenas conhecidos pelos tratados e revistas estrangeiros, e ainda se não tinham feito entre nós trabalhos apreciaveis de laboratorio.
Sobravam-lhe talentos, aptidões e um entusiasmo que ia até ao fanatismo, para se entregar a estudos serios de bacteriologia e tirar deles os mais proficuos resultados, mas só e desajudado de todo o auxilio oficial, nem podia sequer iniciar trabalhos de pequenas experiencias, que ainda assim demandavam varios aparelhos, microscopios, estufas, etc., sem os quais impossivel seria realizar quaisquer tentativas coroadas de bom exito.
Foi a Escola Medico-Cirurgica de Lisboa que, conhecedora dos raros meritos e conhecimentos especiais do dr. Camara Pestana, conseguiu que o governo o nomeasse preparador de bacteriologia da mesma Escola, depois de se terem levantado as maiores dificuldades por parte de diversas entidades oficiais, que afinal foram vencidas pela tenacidade do corpo docente daquele estabelecimento de instrução superior.
Os meios que forneceram a Camara Pestana e os instrumentos de que dispunha eram insuficientes para os importantes estudos a que queria consagrar-se, mas a sua vontade de ferro e o seu intenso e perseverante trabalho conseguiram que num ano se preparassem seis teses inaugurais inspiradas por ele, além de outros apreciaveis trabalhos originais a que se entregara.
Para encerrar o ano dos seus estudos e analises na Escola Medica, fêz Camara Pestana uma conferencia na Sociedade das Sciencias Medicas, em que dava conta dos seus trabalhos, especialmente acêrca do tetano, iniciados em Paris e continuados em Lisboa.
Dessa conferencia, que é um belo estudo de patologia geral, ressalta no primeiro plano a criação de um novo metodo terapeutico, permitindo a cura das doenças que, como o tétano, sejam devidas a uma intoxicação do organismo pelos produtos de microbios. Essa fantasia sonhada, transformou-a Pestana numa realidade, apresentando na sua conferencia um coelho que resistia ás mais violentas inoculações que do bacilo do tétano lhe eram feitas.
Vai criar-se o Instituto de Bacteriologia em Lisboa, onde o nosso ilustre patricio alcançou os maiores triunfos e conseguiu inscrever o seu nome com letras de ouro nos anais das ciencias medicas.
Vamos socorrer-nos do que a tal respeito publicou uma revista da epoca e que relata com inteira fidelidade os termos da fundação do instituto.
Estava proximo para Pestana o dia mais feliz da sua vida; o destino ia dar-lhe um laboratorio completo, onde poderia viver para os seus microbios e para os seus trabalhos. É ás aguas de Lisboa que o deve, e á iniciativa, neste ponto irrepreensivel, do sr. José Dias Ferreira. O sobressalto causado em Lisboa pelas noticias de que as aguas se achavam inquinadas por principios virulentos, o acrescimo subito do numero de febres tifóides em Lisboa e seus arredores e as instigações da junta de saude publica e da imprensa, levaram o ministro do reino a entender que era indispensavel proceder a um exame cientifico e rigoroso das aguas de Lisboa.
Estava indicado o analista; o ministro já o conhecia da representação que lera, e o publico medico indigitava-o sem discordancia.
Em portaria de 21 de Outubro de 1892, Pestana era encarregado de proceder á analise das aguas em Lisboa. Nada havia que pudesse servir para esses estudos, nem ajudantes, nem casa, nem aparelhos, nem material. Em 15 dias tudo estava pronto. O laboratorio improvisava-se numa casa do hospital de S. José, anexa á antiga enfermaria de Santo Onofre e adaptada rapidamente ao novo destino. Os aparelhos requisitados do estrangeiro em grande velocidade chegaram em remessas sucessivas, sendo, é claro, os ultimos os que tinham vindo por intervenção oficial, e os primeiros os pedidos por particulares. O ajudante era escolhido por Pestana, que o conhecia dos seus trabalhos na Escola Medica, o sr. Anibal Bettencourt, uma especie de Pestana, microbiomaniaco de valor, modesto e desinteressado como o seu director. Dizer que em tôdas estas instalações, Pestana, que tinha carta branca para despesas, se limitou apenas ás indispensaveis, seria supor que a felicidade de possuir um laboratorio lhe poderia toldar as generosas faculdades, ditando-lhe procedimento diverso”.
Criado o Instituto de Bacteriologia de Lisboa, por decreto de 29 de Dezembro de 1892, e nomeado seu director o nosso ilustre patricio Dr. Luiz da Camara Pestana, consagrou ele inteiramente a sua laboriosa existencia aos progressos e bom nome daquele estabelecimento cientifico, conseguindo desde logo que os trabalhos ali realizados fôssem muito elogiados no estrangeiro e o abalizado medico alcançasse os foros dum dos mais distintos cultores de bacteriologia. Os seus estudos e trabalhos de laboratorio constituíam sempre a principal preocupação do seu espirito, e de tal modo que nele degeneravam em verdadeiro fanatismo, dando disso eloquentissimas provas até poucos momentos antes de perder a vida.
Acerca desses estudos e trabalhos muitos deles de grande valor cientifico, publicou varios artigos e memorias na Medicina Contemporanea, na Revista de Medicina e Cirurgia, no Archivo de Medicina e noutras revistas, que lhe mereceram os maiores elogios e de que especializaremos a Etiologia da febre typhoide, Considerações sobre o diagnostico da diphtheria e Sorotherapia da diphtheria.
Em colaboração com o dr. Anibal Bettencourt escreveu: Contribuição para o estudo bacteriologico da epidemia de Lisboa e o Tratamento da raiva em Portugal pelo systema Pasteur, na Revista de Medicina e Cirurgia, Duas pequenas epidemias de febre typhoide, na mesma Revista, e varios trabalhos escritos em alemão sôbre a epidemia de Lisboa em 1894, o bacilo da lepra, etc., e ainda em português o relatorio sôbre a analise bacteriologica das aguas potaveis de Lisboa. Também publicou em opusculos avulsos as dissertações inaugural e de concursos na Escola Medica de Lisboa e um estudo sobre o tétano.
3Magistério, morte e homenagens
Os seus trabalhos alcançaram-lhe lá fora uma grande reputação, sendo nomeado membro de importantes sociedades cientificas e honrando-se com a particular estima e consideração de alguns sabios estrangeiros, que em varios escritos lhe fizeram as mais elogiosas referencias. O nome que á custa dos seus estudos e perseverante trabalho conquistara nos anais da ciencia, indicava-o naturalmente para o magisterio superior, tendo-se apresentado ao concurso para o logar que vagara na Escola Medica de Lisboa pela morte do eminente professor Sousa Martins. Este concurso, que foi brilhantissimo, corroborou vantajosamente a fama de que vinha precedido, apresentando como tese um notavel estudo intitulado Sorotherapia, sendo então nomeado lente substituto da Escola, por decreto de 12 de Maio de 1898. Ali regeu com grande proficiencia as cadeiras de anatomia patologica e medecina legal, vindo a sua morte privar este estabelecimento de instrução superior dum dos seus mais distintos professores.
O dr. Luiz da Camara Pestana foi medico do hospital de S. José, onde prestou excelentes serviços. Em 17 de Dezembro de 1899 começou a desempenhar ali interinamente o cargo de cirurgião do banco, sendo nomeado para a efectividade do logar, por meio de concurso, a 4 de Dezembro de 1890, tendo em Maio de 1895 passado para o quadro dos cirurgiões extraordinarios do mesmo estabelecimento.
Além da sua missão cientifica ao estrangeiro, a que já fizemos referencia, desempenhou diversas comissões de serviço publico, tendo sido a ultima a de ir ao Pôrto para estudar com o director do pôsto municipal e alguns medicos estrangeiros, o valor dos soros contra a peste, sendo naquela cidade, e entregando-se a esses estudos, que contraíu o germen da fatal doença.
Foi já em Lisboa, de regresso da sua viagem ao Pôrto, que se manifestaram os sintomas da terrivel molestia, sendo impotentes para a debelar os esforços da ciencia e dos seus companheiros e amigos dedicados, vindo a falecer no hospital de Arroios, onde tinha sido isolado, no dia 15 de Novembro de 1899, pelas 12 horas do dia. Matara-o o seu amor pela ciencia e a sua dedicação pela humanidade.
As circunstancias tragicas que determinaram a sua prematura morte, que ecoou lugubremente em todo o país, causando a mais profunda emoção, ainda se conservam na memoria de todos, para que tentemos descrevê-las agora, ao traçarmos as principais notas biograficas do nosso malogrado conterraneo e antigo condiscipulo e amigo.
Fê-lo duma maneira eloquente e comovedora, em palavras que todos os jornais de então reproduziram, o seu dedicado amigo e companheiro de trabalho, o dr. Belo de Morais, que tornando-se «panegyrista da morte», soube arrancar lagrimas sentidas aos que leram aquelas paginas arrebatadoras da mais viva e flagrante realidade.
As manifestações de pesar foram extraordinarias por tôda a parte, a que se associaram muitas entidades oficiais e inumeros particulares, a começar no mais humilde cidadão e a terminar no chefe superior do Estado.
D. Carlos, poucos momentos depois da morte de Camara Pestana, escreveu ao então presidente do conselho de ministros, a seguinte carta: “Meu caro José Luciano. Acabo de saber neste momento a tristissima noticia da morte do Pestana. É meu desejo que tão depressa as camaras reunam, o meu governo apresente ás Cortes um projecto de lei concedendo uma pensão á mãe e á filha do sabio professor Pestana, victima gloriosa do seu arduo dever.
E quero que assim seja, porque é á Nação a quem cumpre prestar homenagem á memoria de quem, em vida, tanto a honrou. Teu am.° verdadeiro, EL-REI”.
Entre as homenagens prestadas á memoria do ilustre medico, conta-se a de ser dado ao Instituto de Bacteriologia de Lisboa, por decreto de 10 de Agosto de 1902, o nome de “Real Instituto Bacteriologico Camara Pestana”.
Entre nós, acha-se felizmente perpetuada a memoria do distinto homem de ciencia, no “Manicomio Camara Pestana”, cuja fundação é devida á iniciativa e diligentes esforços de varios cavalheiros desta cidade, que quiseram que o nome do ilustre madeirense ficasse indissoluvelmente ligado á existencia daquele estabelecimento hospitalar (V. Manicomio Camara Pestana). No jardim e em frente do edificio, encontra-se sôbre uma coluna de marmore o buste em bronze de Camara Pestana, que deu o nome àquele hospital de alienados. A Camara Municipal do Funchal mudou o nome de Pretas para Camara Pestana da rua onde se encontra a casa em que ele nasceu.
Nesta casa foi colocada uma lapide de marmore, que contém, alusiva ao facto, a seguinte inscrição: Casa onde nasceu em XXVIII de outubro de MDCCCLXIII o insigne bacteriologista portuguêz, Dr. Luiz da Camara Pestana, fallecido em Lisboa aos XV dias de Novembro de MDCCCXCIX, victima da peste bubonica que enfestou a cidade do Porto, e a cujos estudos se dedicou com a maior abnegação e altruismo humanitario. Homenagem da classe medica da Madeira. 1913.
A inauguração desta lapide, que revestiu particular brilhantismo, realizou-se a 15 de Novembro de 1913, decimo quarto aniversario da morte de Camara Pestana. Foram os medicos madeirenses que tomaram a iniciativa desta homenagem, prestada ao seu abalizado colega e ilustre e malogrado patricio.
É a unica inscrição lapidar que existe nas ruas desta cidade.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 11-
Luiz da Câmara Pestana nasceu no Funchal.
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Luiz da Câmara Pestana matriculou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
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O Dr. Luiz da Câmara Pestana concluiu os estudos de medicina.
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O Dr. Luiz da Câmara Pestana foi nomeado cirurgião efetivo do serviço de urgência do Hospital de São José.
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Luís da Câmara Pestana partiu para Paris para estudar bacteriologia e a tuberculina de Koch.
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Luís da Câmara Pestana apresentou a sua investigação sobre o tétano à Sociedade de Biologia de Paris.
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O Dr. Luiz da Câmara Pestana foi encarregado de analisar a água de Lisboa.
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Foi criado o Instituto Bacteriológico de Lisboa, tendo Luiz da Câmara Pestana como diretor.
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O Dr. Luís da Câmara Pestana tornou-se cirurgião extraordinário do Hospital de São José.
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O Dr. Luiz da Câmara Pestana foi nomeado professor substituto da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
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O Dr. Luís da Câmara Pestana morreu de peste bubónica no Hospital de Arroios, em Lisboa.
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O Instituto Bacteriológico de Lisboa passou a chamar-se Real Instituto Bacteriológico Câmara Pestana.
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Médicos madeirenses descerraram uma placa na casa do Funchal onde nasceu o Dr. Luís da Câmara Pestana, e a rua recebeu o seu nome.
Lugar
Lugares mencionados · 09No estrangeiro
- Funchal
Local de nascimento de Câmara Pestana.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Hospital de Arroios
Portugal. Hospital de Lisboa onde morreu em isolamento.
Hospital de Lisboa onde morreu em isolamento.
- Hospital de São José
Portugal. Hospital de Lisboa que acolheu o seu primeiro laboratório e onde exerceu como cirurgião.
O Hospital de São José situa-se em Lisboa. João Octávio da Costa Cabedo morreu ali, e o Dr. Luís da Câmara Pestana exerceu ali funções de cirurgião e instalou nele o seu primeiro laboratório.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde estudou, ensinou, fundou o instituto e morreu.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Manicómio Câmara Pestana
Funchal. Manicómio do Funchal com o seu nome e um busto seu em bronze.
Asilo do Funchal fundado em 1906, cuja criação contou com o apoio do Visconde de Cacongo; a partir de 1924, destinou-se apenas a mulheres. Tem o nome do Dr. Luiz da Câmara Pestana e um busto seu em bronze; nas proximidades cresce Chamaemeles coriacea.
- Paris
France. Cidade onde estudou bacteriologia em 1891.
Capital francesa onde Franco de Sousa se estabeleceu e pintou «Ar livre», e onde Juvenal Honório de Ornelas se doutorou em Medicina em 1834. O Padre Luiz Gonçalves da Câmara estudou ali e conheceu Loyola; o Barão de Ornelas formou-se, exerceu a profissão e morreu na cidade.
- Porto
Portugal. Cidade onde contraiu a doença durante uma epidemia de peste.
Cidade portuguesa onde começou a revolução liberal de 1820. O seu distrito é o único com maior densidade populacional do que o do Funchal. Vários madeirenses estudaram na sua escola médica ou na Academia Politécnica, e alguns viveram ou morreram na cidade. O editor de O Funchalense Liberal foi ali enforcado, e o Marítimo venceu ali o FC Porto em 1922.
- Rua Câmara Pestana
Funchal. Rua anteriormente chamada Rua das Pretas, que recebeu o seu nome e onde uma placa assinala a casa em que nasceu.
Rua anteriormente chamada Rua das Pretas, que recebeu o seu nome e onde uma placa assinala a casa em que nasceu.
- Sé
Funchal. Freguesia onde se situa a sua casa natal.
A Sé é a freguesia urbana central do Funchal, situada inteiramente dentro da cidade. Foi desmembrada de Santa Maria Maior em 1557 e tem sede na catedral; é o centro comercial, administrativo e institucional da cidade. O Elucidário regista as suas igrejas, edifícios notáveis, o seu papel judicial como ponto de partida da comarca oriental e várias personalidades ali nascidas, e assinala que o Bugio lhe pertence administrativamente.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 16- Luiz da Câmara Pestana1863–1899
Bacteriologista madeirense, fundador e diretor do Instituto Bacteriológico de Lisboa, que morreu de peste; é o biografado nesta entrada.
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Assistente de Pestana e coautor de trabalhos seus no Instituto Bacteriológico.
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Ministro do Reino que enviou Pestana ao estrangeiro para estudar a tuberculina de Koch.
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Amigo e colega que escreveu um relato comovente da morte de Pestana.
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Ministrou o curso de bacteriologia que Pestana frequentou em Paris.
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Patologista de Paris em cujo laboratório Pestana estudou.
- D. Carlosm. 1922
Rei de Portugal que pediu uma pensão do Estado para a mãe e a filha de Pestana.
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Professor consultado que recomendou Pestana para a missão a Paris.
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Mãe de Câmara Pestana, pertencente a uma antiga família madeirense.
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Pai de Câmara Pestana, chefe da secretaria do Governo Civil do Funchal.
+ 6 mais
- José Dias Ferreira1837–1907
Ministro que ordenou a análise da água de Lisboa, que deu origem ao laboratório de Pestana.
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Presidente do Conselho de Ministros a quem o rei escreveu sobre a morte de Pestana.
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Descobridor da tuberculina, cujos alegados resultados Pestana foi enviado avaliar.
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Clínico de Paris cuja clínica Pestana frequentou.
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Professor de medicina em Lisboa que recomendou Pestana; mais tarde, Pestana concorreu à cadeira que deixara vaga.
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Professor em Paris em cujo laboratório Pestana estudou o tétano e que o apresentou à Sociedade de Biologia.