Nomes de Ruas 1A deliberação de 1890
Nomes de Ruas
Ensaio crítico sobre a atribuição de nomes às ruas do Funchal, que recorda a deliberação da Câmara Municipal de 19 de junho de 1890 de dar às novas ruas nomes de madeirenses ilustres e lamenta que tenha sido poucas vezes cumprida. Enumera madeirenses notáveis ainda sem homenagem em 1921 e recomenda prudência na alteração dos nomes das ruas antigas.
1A deliberação de 1890
Em 19 de Junho de 1890, resolveu a Câmara, por proposta do vereador Dr. José Joaquim de Freitas, dar ás ruas que de futuro viessem a abrir-se os nomes de vários filhos ilustres desta terra, mas esta deliberação, apesar de bastante sensata, poucas vezes tem sido acatada, como facilmente se verifica percorrendo a cidade e lendo os nomes com que foram baptizadas ou crismadas modernamente diferentes vias publicas.
Para que o nome dum cidadão já falecido possa figurar na esquina duma rua, exige-se, entendemos nós, mais alguma coisa do que as simpatias dos vereadores pela memória do mesmo cidadão, pois que é preciso também que este enquanto vivo prestasse alguns serviços ao país ou à sua terra, sem o que tal homenagem se torna ridícula tanto para o homenageado como para quem a presta.
O Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo, o erudito anotador das Saudades da Terra, o homem que pelos seus trabalhos históricos tão digno se tornou do reconhecimento dos madeirenses, não tem o nome em nenhuma rua desta cidade, apesar de, em sessão da Câmara Municipal de 27 de Janeiro de 1898, ter declarado o presidente desta corporação desejar conferenciar com os seus colegas sobre a homenagem que a Municipalidade devia prestar àquele sábio professor, e tantos filhos ilustres desta terra, tais como Baltasar Dias, João António Monteiro, Nicolau Bettencourt Pita, Francisco de Paula Medina e Vasconcelos, Marceliano Ribeiro de Mendonça, Francisco de Andrade Justino António de Freitas, José Ferreira Pestana, Jaime Moniz, etc., etc., estão também esquecidos por efeito da ignorância ou da falta de espírito e de justiça das corporações administrativas!
2Conselhos às câmaras
Não é de aconselhar que se anule tudo quanto digno de critica ou de irrisão tem sido feito nos últimos trinta ou quarenta anos com respeito a denominação de ruas, para não aumentar a confusão que já hoje existe no tocante a este assunto (1921), mas entendemos ser da maior conveniência que de ora avante se cumpra o que foi resolvido em sessão camarária de 19 de Junho de 1890, sempre que se abra ou inaugure alguma rua ou via publica.
As câmaras municipais devem usar com a maior circunspecção do direito que lhes é concedido de baptizar ou crismar as ruas e caminhos do Concelho, não só para não dar uma ideia pouco lisonjeira da sua inteligência e do seu critério, mas também para evitar prejuízos aos seus munícipes, a muitos dos quais temos ouvido amargas queixas contra a substituição abusiva de antigos nomes dados a vias publicas por outros que nenhuma razão há para serem adoptados ou perpetuados (1921).
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Funchal
«Nomes de Ruas» é um ensaio sobre a atribuição de nomes às ruas do Funchal. Recorda a deliberação da Câmara Municipal de 19 de junho de 1890 de dar às novas ruas nomes de madeirenses ilustres e lamenta que raramente tenha sido seguida. Enumera madeirenses notáveis que, em 1921, ainda não eram homenageados na toponímia e recomenda moderação na mudança dos nomes de ruas antigas.
- Funchal
Cidade cuja toponímia é abordada.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 11- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Anotador das Saudades da Terra, que o autor lamenta não ter uma rua com o seu nome no Funchal.
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Madeirense ilustre citado como esquecido na toponímia das ruas do Funchal.
- Francisco de Andrade1806–1881
Madeirense ilustre citado como esquecido na toponímia das ruas do Funchal.
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Madeirense ilustre citado como esquecido na toponímia das ruas do Funchal.
- Jaime Constantino de Freitas Moniz1837–1917
Madeirense ilustre citado como esquecido na toponímia das ruas do Funchal.
- João António Monteiro1769–1834
Madeirense ilustre citado como esquecido na toponímia das ruas do Funchal.
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Vereador da Câmara Municipal do Funchal que, em 1890, propôs dar às novas ruas nomes de madeirenses ilustres.
- José Ferreira Pestana1795–1885
Madeirense ilustre citada como esquecida na toponímia das ruas do Funchal.
- Justino António de Freitas1804–1865
Madeirense ilustre citado como esquecido na toponímia das ruas do Funchal.
- Marceliano Ribeiro de Mendonça1805–1866
Madeirense ilustre referido entre os que não são homenageados na toponímia do Funchal.
+ 1 mais
- Nicolau Caetano de Bettencourt Pita1788–1857
Madeirense ilustre referido entre os que não são homenageados na toponímia do Funchal.