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Andrade (Francisco Justino Gonçalves de) 1Origem e formatura
Artigo Nº 0230 Funcionário, magistrado ou diplomata Vol. I · pp. 135–136 3 min de leitura

Andrade (Francisco Justino Gonçalves de)

Biografia do Dr. Francisco Justino Gonçalves de Andrade (1821–1902), natural do Campanário que emigrou para o Brasil e se tornou professor de direito civil na Faculdade de Direito de São Paulo, considerado o mais destacado civilista brasileiro do seu tempo.

Andrade (Francisco Justino Gonçalves de)

1Origem e formatura

Entre os madeirenses que notavelmente se distinguiram em países estrangeiros e sobremaneira honraram o seu torrão natal, destaca-se o Dr. Francisco Justino Gonçalves de Andrade, que nasceu na freguesia do Campanário a 18 de Fevereiro de 1821 e morreu na cidade de S. Paulo a 25 de Julho de 1902, sendo filho do tenente Francisco Joaquim Gonçalves de Andrade e de D. Caetana Maria de Macedo.

Com 18 anos de idade e depois de ter cursado o Liceu do Funchal, embarcou para o Brasil a tentar fortuna, mas reconhecendo que a sua vocação não era a vida comercial a que se dedicara, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de S. Paulo, conformando-se deste modo com os conselhos que recebera de seu tio D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, bispo daquela diocese.

O seu curso universitário foi a revelação dum extraordinário talento e nele alcançou os mais brilhantes triunfos académicos, tendo em 1850 concluído a sua formatura em ciências jurídicas e sociais. No ano seguinte defendeu teses e recebeu o doutoramento, tendo pouco depois, num concurso publico que ficou célebre e em que foi o primeiro classificado, sido nomeado lente substituto e mais tarde lente catedrático da Universidade em que fora um dos mais estudiosos e distintos alunos.

2O civilista e lente

Foi como lente da cadeira de Direito Civil que verdadeiramente se notabilizou, sendo considerado o primeiro civilista brasileiro do seu tempo. Como sucedeu aos distintos madeirenses Dr. Patrício Moniz, Ferreira de Freitas e ainda outros, não deixou uma obra que correspondesse aos seus grandes méritos e assinalasse o seu profundo saber e vasta erudição na difícil e escabrosa especialidade a que consagrou a vida inteira. No entretanto, as suas prelecções como professor, as consultas que de todas as partes do Brasil lhe eram dirigidas, o alto conceito que dele formavam os mais abalizados jurisconsultos brasileiros e ainda o facto de ter sido nomeado membro da comissão encarregada de dar parecer acerca do projecto do Código Civil elaborado pelo ilustre jurisconsulto Dr. Felicio dos Santos, provam sobejamente que o Dr. Justino de Andrade possuía os requisitos indispensáveis de talento e de saber para ter deixado uma obra perdurável e em que de uma maneira mais eloquente afirmasse os dotes notáveis do seu espírito privilegiado e da sua vastíssima erudição.

Poucas vezes tratou de questões forenses e quasi se limitou a responder ás consultas que frequentemente lhe dirigiam, sendo as suas opiniões acatadas como as duma grande autoridade nas diversas questões do direito civil brasileiro. Todo o tempo consagrava ao estudo, levando uma vida de retiro e de silêncio, completamente arredado da política e de tudo o que pudesse perturbar essa ânsia de saber que nele parecia revestir a forma duma preocupação doentia.

O Dr. Justino de Andrade não tinha predilecções políticas ou partidárias, mas era amigo pessoal e dedicado do imperador D. Pedro II, e isso bastou para ser demitido de director da Faculdade de Direito, sendo-lhe depois imposta a jubilação de professor, em virtude dum conflito que se levantou no seio da Academia. Terminaremos este ligeiro escorço biográfico, dizendo que, se o Dr. Justino de Andrade se impunha pela vastidão do seu saber, brilhante talento e raras faculdades de trabalho, não era menos considerado pela inquebrantável austeridade de caracter e notável rigidez de princípios, que o tornavam uma grande figura moral, profundamente estimada e admirada em todo o império brasileiro.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. Francisco Justino Gonçalves de Andrade nasceu no Campanário.

  2. Francisco Justino Gonçalves de Andrade formou-se em ciências jurídicas e sociais em São Paulo.

  3. Francisco Justino Gonçalves de Andrade defendeu as suas teses e obteve o doutoramento.

  4. Francisco Justino Gonçalves de Andrade morreu em São Paulo.

Lugar

Lugares mencionados · 03

No estrangeiro

Mapa: Madeira (3)
  1. Brasil

    Brazil. País para onde emigrou aos 18 anos.

  2. Campanário

    Ribeira Brava. Local de nascimento do jurista.

  3. São Paulo

    Brazil. Cidade brasileira onde estudou, lecionou e morreu.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 08
  1. Jurista nascido na Madeira e professor de direito civil em São Paulo, a quem é dedicado este verbete.

  2. Mãe do jurista Francisco Justino Gonçalves de Andrade.

  3. Imperador do Brasil e amigo pessoal de Andrade; esta amizade levou à exoneração de Andrade.

  4. Jurista brasileiro cujo projeto de Código Civil foi analisado por uma comissão de que Andrade fez parte.

  5. Tenente e pai do jurista Francisco Justino Gonçalves de Andrade.

  6. Madeirense ilustre mencionado, tal como Patrício Moniz, pelo mesmo motivo.

  7. Bispo de São Paulo e tio do jurista, a quem aconselhou a estudar direito.

  8. Patrício Moniz1820–1898

    Madeirense ilustre mencionado como outro caso de alguém que não deixou obra à altura dos seus méritos.

Na folha A

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.