Campo do Duque 1O Campo do Duque
Campo do Duque
O Campo do Duque era um amplo espaço aberto no centro do Funchal dos primeiros tempos, pertencente ao grão-mestre da Ordem de Cristo, onde mais tarde foram construídos a Sé, os Paços do Concelho e a Capela de São Sebastião. Foi também o local onde se plantou pela primeira vez cana-de-açúcar e se construiu a primeira casa de dois pisos da ilha.
1O Campo do Duque
A Ordem de Cristo (V
este nome). depois do infante D. Henrique e de seu imediato sucessor o infante D. Fernando, teve como seus grão-mestres o duque de Vizeu D. João, o duque de Vizeu D. Diogo e o duque de Beja D. Manuel, que sucedeu na coroa. Pertencendo a Madeira ao mestrado daquela Ordem, tiveram estes duques uma larga jurisdição nos negocios espirituais, e ainda temporais deste arquipelago. No centro da sua povoação mais importante havia um vasto largo ou campo, que pertencia ao grão-mestre da Ordem, e que em homenagem a ele se chamava Campo do Duque. Referindo-se a este campo, diz o dr. Alvaro de Azevedo:
O Campo do Duque era o terreno onde na cidade do Funchal são a cadeia publica e seu largo; a Sé, seu adro e terreiro; e o largo de S. Sebastião, no qual foi levantada a ermida deste sancto... Varios diplomas se referem a este campo, signanter, as cartas do infante D. Fernando, pelas quaes, em 1470, mandou fazer curral do concelho, e deu o terreno “junto da egreja grande”, isto é da Sé, para se fazer a casa da camara...
Houve quem afirmasse que a área do Campo do Duque se alargava entre as duas margens das ribeiras que hoje têm os nomes de Santa Luzia e de São João. Parece que ao menos se estendia até ás proximidades da cêrca do futuro convento de S. Francisco.
2Canas, casa sobradada e Sé
No manuscrito Noticias das cousas da ilha da Madeira desde o segundo descobrimento pelo Zarco encontramos o seguinte:
Para provarem se davam bem as ditas canas, as plantaram primeiro no campo que se chamava do Duque, onde agora está a Igreja de Santo Sebastião, que é no meio da cidade, o qual se fechava com uma cancella onde agora é a rua do Sabão: e todo este campo foi de Francisco de Carvalhal, companheiro de Zargo no descobrimento desta ilha; e depois foi de seu irmão João Manuel, e ainda agora é de seus herdeiros. Daqui se multiplicou a cultura das canas por toda a ilha, e as levaram a Machico, onde se fez o primeiro assucar que se temperou na ilha. Neste campo do Duque se fez a primeira casa sobradada, que houve nesta villa do Funchal, e em toda a ilha, e a mandou fazer o dito João Manuel, de madeira de cedro lavrada. Teve-se esta casa de sobrado naquele tempo por cousa tão nova e admiravel, sendo todas as outras casas, que havia, terreas e de tabuado, que deram capitulos a El-Rei contra o dito João Manuel, acumulando-lhe que fazia torre, onde parecia se queria fazer forte, e levantar-se contra o Funchal e contra a coroa. A dita casa ainda hoje (meado do seculo XVIII) está em pé e a possue Antonio de Carvalhal, e é a casa de sobrado mais baixa que ha no Funchal”.
Na carta de 5 de Novembro de 1485 que D. Manuel, então duque de Beja e grão-mestre da Ordem de Cristo, dirigiu ao senado do Funchal, faz cedencia do terreno preciso no Campo do Duque para a construção da Sé Catedral e das casas da camara.
O antigo Campo do Duque foi a parte mais central da antiga povoação, vila e depois cidade do Funchal, como pode dizer-se que ainda o é, nas ruas e largos que aproximadamente lhe correspondem.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
O Infante D. Fernando pediu ao donatário João Gonçalves da Câmara que construísse uma casa da câmara e um curral do concelho no Funchal, concedendo terrenos junto à igreja.
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D. Manuel, duque de Beja, cedeu terrenos no Campo do Duque, no Funchal, para a igreja (mais tarde Sé) e os Paços do Concelho; as fontes indicam 5 de junho ou 5 de novembro de 1485.
Lugar
Lugares mencionados · 09- Campo do Duque · Assunto
Funchal
O Campo do Duque era um amplo terreno aberto no centro do Funchal primitivo, pertencente aos grão-mestres da Ordem de Cristo. Foram cedidos terrenos para a construção da Sé Catedral (a partir de 1485), dos Paços do Concelho e do largo com o seu pelourinho; o Terreiro da Sé fazia parte do campo. Segundo os registos, foi ali que se plantou cana-de-açúcar pela primeira vez e se construiu a primeira casa de cedro de dois pisos do Funchal.
- Convento de São Francisco
Funchal. O campo estendia-se até perto da sua cerca.
O Convento de São Francisco foi um convento franciscano fundado no Funchal em 1473 e assinalava o limite ocidental da cidade em 1508. A sua igreja foi demolida em 1865, e os seus objetos, livros, lápides e ossadas foram para o cemitério das Angústias, o museu e a Biblioteca Municipal. Os edifícios albergaram presos durante um breve período, até 1836, e a polícia em 1857.
- Funchal
Cidade em cujo centro se situava o Campo do Duque.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Largo de São Sebastião
Funchal. Largo que, com a sua capela, fazia parte do antigo campo.
Praça do Funchal que fazia parte do Campo do Duque e onde se situava uma das primeiras capelas da ilha. Acolheu instalações do Clube União e é atualmente o local onde se encontram as bacias do antigo chafariz do Jardim Pequeno.
- Machico
Local onde se produziu o primeiro açúcar da ilha.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Ribeira de Santa Luzia
Funchal. Apontada como limite do campo de um dos lados.
A Ribeira de Santa Luzia é uma das três ribeiras que atravessam o Funchal e deve o nome a uma capela de Santa Luzia na sua margem esquerda. As suas margens terão sido as primeiras terras regadas por levadas e tinham quatro engenhos de açúcar no final do século XVII. Alimenta as levadas de Santa Luzia, dos Moinhos e de D. Isabel; na sua margem direita situava-se a residência dos Jesuítas na Fundoa.
- Ribeira de São João
Calheta. Apontada como limite do campo do outro lado.
A Ribeira de São João é a mais ocidental das três grandes ribeiras que atravessam o Funchal. Nasce em Santo António, desagua no mar em São Lázaro e teve anteriormente várias outras designações. Marcava o limite ocidental do antigo Funchal e das muralhas projetadas; o primeiro núcleo de povoamento situava-se na sua margem direita, e os seus sedimentos estão a assorear a enseada da Pontinha. Há também registo de uma ribeira com o mesmo nome que atravessa a freguesia da Fajã da Ovelha.
- Rua do Sabão
Funchal. Local da porta que fechava o campo.
Uma das ruas mais antigas do Funchal, já existente em 1508, para a qual se voltava a fachada gótica da casa associada a Cristóvão Colombo. Uma porta no seu extremo sul, que fechava o Campo do Duque, foi demolida em 1836. A rua recebeu um novo nome em 1922 para comemorar o voo Lisboa–Rio de Janeiro de Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
- Sé do Funchal
Funchal. Sé Catedral construída em terrenos do Campo do Duque.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 10- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Historiador citado a propósito da extensão do Campo do Duque.
- António do Carvalhalm. 1598
Proprietário da primeira casa de dois pisos em meados do século XVIII.
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Duque de Viseu e grão-mestre da Ordem de Cristo, com jurisdição sobre a Madeira.
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Duque de Viseu e grão-mestre da Ordem de Cristo, com jurisdição sobre a Madeira.
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Duque de Beja e, mais tarde, rei, que em 1485 cedeu terrenos no Campo do Duque para a Sé Catedral e os Paços do Concelho.
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Companheiro de Zarco no descobrimento, a quem se atribui a posse de todo o campo.
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Sucessor do Infante D. Henrique como grão-mestre; em 1470, concedeu terrenos perto da igreja para os Paços do Concelho.
- Infante D. Henrique1394–1460
O Infante D. Henrique, grão-mestre da Ordem de Cristo, à qual pertencia a Madeira.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor da Madeira, referido como companheiro de Francisco de Carvalhal.
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Irmão de Francisco de Carvalhal, que aqui construiu a primeira casa de dois pisos da ilha e por isso foi denunciado ao rei.