Mangin (General) 1Chegada e recepção
Mangin (General)
Relato da visita ao Funchal, em novembro de 1921, do general francês Charles Mangin, um dos defensores de Verdun, que veio assistir ao traslado para França dos restos mortais dos marinheiros da canhoneira Surprise, torpedeada no porto do Funchal.
1Chegada e recepção
O general Carlos Maria Manuel Mangin, um dos defensores de Verdun, chegou ao Funchal no cruzador Jules Michelet, a 26 de Novembro de 1921, pouco depois das 9 horas da manhã, tendo sido cumprimentado a bordo pelo Governador Civil e Comandante Militar, e desembarcando pouco depois das 10 horas e meia no cais da entrada da cidade, ao principio do qual se erguia um lindo arco de triunfo, feito de buxo, tendo do lado sul as palavras Viva a França, nas extremidades a bandeira nacional e ao centro um troféu formado de quatro bandeiras francesas e uma portuguesa.
Foi junto a este arco que o Governador Civil, Comandante Militar, Presidente da Câmara, oficialidade da guarnição e outras entidades oficiais receberam o General, conduzindo-o ao palácio de S. Lourenço, onde se demorou algum tempo, partindo todos em seguida para a Sé Catedral onde iam realizar-se exéquias solenes em homenagem aos marinheiros franceses mortos por ocasião do torpedeamento da canhoneira Surprise, no porto do Funchal.
2Homenagens e partida
Tanto junto do cais como à saída da fortaleza de S. Lourenço, foram prestadas honras militares ao general por uma força de infantaria n.° 27, sob o comando dum capitão. Em homenagem ao general Mangin houve no dia 26 um jantar no palácio de S. Lourenço, oferecido pelo Governador Civil, e no dia 27 um lanche no Terreiro da Luta, oferecido pelo Comandante Militar. O general fez varias digressões nos arredores do Funchal e visitou o Prelado Diocesano no dia 26, logo depois das exéquias. A bordo do cruzador Jules Michelet, realizou-se no dia 27 um jantar de gala oferecido pelo general e a que assistiram as autoridades e outras entidades oficiais.
O general encorporou-se no cortejo que acompanhou os restos mortais dos marinheiros da Surprise desde o cemitério das Angustias até o cais da Pontinha, tendo vindo ao Funchal para assistir a essa trasladação para bordo do cruzador Jules Michelet, que deixou o pôrto do Funchal, com destino á França no dia 28, pelas 7 horas e 30 minutos da noite.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 01Lugar
Lugares mencionados · 07No estrangeiro
- Cais da Pontinha
Funchal. Cais onde foram embarcados os restos mortais.
O cais da Pontinha, no Funchal, foi construído entre 1876 e 1878 e melhorado com as obras do molhe. Foi local de desembarque de visitantes ilustres, entre eles a imperatriz da Áustria, e dos restos mortais do Soldado Desconhecido em 1921, além de ponto terminal de um sistema de abastecimento de água aos navios.
- Cemitério das Angústias
Funchal. Cemitério de onde foram retirados os restos mortais dos marinheiros.
Cemitério municipal do Funchal, que teve origem num pequeno espaço de enterramento da Misericórdia, de 1818, e foi construído em 1836–1838. Tem um pórtico de basalto lavrado, um necrotério e um monumento de 1917 às vítimas do bombardeamento alemão. Entre os ali sepultados contam-se o 2.º Conde de Carvalhal e o Deão Andrade.
- França
France. Destino do cruzador que transportava os restos mortais.
A França é um país onde vários madeirenses combateram e morreram na Primeira Guerra Mundial, entre eles Gabriel Rocha de Gouveia e João Paulo da Veiga Pestana. Foi também lugar de estudo, exílio e refúgio para madeirenses. De lá partiu a expedição que deu origem ao Saque dos Franceses, e era o destino pretendido pelos fugitivos da lenda de Machim.
- Funchal
Cidade onde o general Mangin desembarcou e foi recebido.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Palácio de São Lourenço
Funchal. Palácio-fortaleza onde o general foi recebido e jantou.
O Palácio de São Lourenço, palácio-fortaleza dos governadores no Funchal, foi palco de cerimónias de beija-mão, receções, bailes e jantares, bem como da exposição de 1861. O Elucidário regista ali um grande incêndio em 1699, um museu de história natural em 1850 e uma tentativa de entrada de soldados em 1829. O Teatro Grande ficava em frente.
- Sé do Funchal
Funchal. Sé Catedral onde se realizou a missa de sufrágio pelos marinheiros franceses.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
- Terreiro da Luta
Funchal. Local de um almoço oferecido pelo comandante militar.
O Terreiro da Luta é um local panorâmico da freguesia do Monte, a 850 m de altitude, onde a tradição situa uma aparição da Virgem. A partir de 1912, foi a estação terminal do caminho de ferro do Monte e dispunha de um restaurante; ali se realizaram almoços oficiais em honra de visitantes ilustres. Tem uma estátua de bronze de Zarco e o monumento a Nossa Senhora da Paz, inaugurado em 1927.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 01-
General francês e um dos defensores de Verdun, que visitou o Funchal em novembro de 1921 para assistir ao repatriamento dos restos mortais dos marinheiros da Surprise.