Confeitaria
Breve entrada sobre a confeitaria na Madeira, que nasceu da próspera indústria açucareira dos séculos XV e XVI e se tornou uma arte requintada e um valioso produto de exportação, sobretudo no Convento de Santa Clara.
A industria do açucar na Madeira, que nos seculos XV e XVI atingiu um grande desenvolvimento e também um notavel grau de perfeição, determinou a criação da industria da confeitaria, que parece ter sido muito importante entre nós pela quantidade e sobretudo qualidade do seu fabrico, dizendo o dr. Rodrigues de Azevedo que ela foi desde o seculo XVI elevada a verdadeira arte e valiosa industria de exportação, como se mostra em muitos diplomas transcritos nas Saudades da Terra e varios trechos ali mencionados. Em corroboração desta afirmativa, citamos a oferta do sacro colegio, todo fabricado de alfenim, feita pelo 3.º capitão-donatario do Funchal ao pontifice Leão X, como fica descrito a pag. 208 deste Elucidario. O erudito anotador da obra de Frutuoso, volta a ocupar-se do assunto no artigo Madeira do Diccionario Universal Portuguez Illustrado, cujas palavras transcrevemos:
... a industria da confeitaria, ali criada, principalmente no convento das freiras de Santa Clara, muito desenvolvida no decurso do seculo XVI, e, enfim, tornada verdadeira arte, cujos produtos chegaram a ser valioso ramo de exportação, como alguns diplomas e as Saudades da Terra o attestam”.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 03- Convento de Santa Clara
Funchal. Convento de clarissas descrito como o principal centro da confeitaria madeirense.
Convento no Funchal fundado entre 1492 e 1497 pelo segundo capitão-donatário, João Gonçalves da Câmara, junto à igreja da Conceição de Cima. É local de sepultura da família Câmara e conserva um documento de 1447 em que o nome aparece grafado «Zargo». Em 1912, foi cedido para a instalação de um novo hospital e, mais tarde, escolhido para acolher o museu arqueológico.
- Funchal
Capitania cujo terceiro donatário enviou ao Papa a oferta de açúcar.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Erudito que anotou as Saudades da Terra, de Frutuoso, aqui citado pela sua opinião de que a confeitaria madeirense se tornou, a partir do século XVI, uma verdadeira arte e uma indústria de exportação.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Autor da crónica Saudades da Terra, cujos documentos atestam o comércio de confeitaria madeirense.
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Papa que recebeu do capitão-donatário do Funchal uma representação do Sacro Colégio feita de pasta de açúcar.
- Simão Gonçalves da Camara1579–1580
Terceiro capitão-donatário do Funchal, que enviou ao Papa Leão X uma representação do Sacro Colégio inteiramente feita de alfenim.