Hinton 1Estabelecimento da família Hinton
Hinton
Entrada sobre a família Hinton, industriais ingleses estabelecidos na Madeira desde 1838, fundadores da fábrica de açúcar do Torreão e promotores da indústria de vimes da Camacha. Apresenta Harry Hinton, dirigente da William Hinton & Sons, e a distinção que recebeu do Governo português.
1Estabelecimento da família Hinton
Há mais de 90 anos que a família Hinton, de nacionalidade inglesa, se estabeleceu na Madeira. Em 1838 William Hinton que era estudante da Universidade de Oxford, veio a esta ilha por motivo de saúde. Encontrava-se então no Funchal o súbdito britânico Robert Wallas proprietário de uma fabrica de moagem a vapor, montada no mesmo local onde actualmente se acha a Fabrica do Torreão. William Hinton casou em 1839 com Mary Wallas, filha de Roberto Wallas e de Mary Wallas, tendo vendido as propriedades que possuía na Inglaterra e estabelecendo-se definitivamente na Madeira no ano de 1841. Alguns anos depois fundou a fabrica de açucar do Torreão. William Hinton, que era representante duma casa vinculada (esquire) em Greenhill House, no condado de Wiltshire, Inglaterra, nasceu em Nápoles no ano de 1817 e morreu no Funchal a 15 de Junho de 1904. Era o pai de Harry Hinton, actual proprietário da Fabrica do Torreão.
No artigo dedicado à freguesia da Camacha, a pág. 196 do I volume, deixámos indicada a origem da importante indústria de obra de vimes, devendo aqui acrescentar que ela se deve principalmente a William Hinton, que levou um hábil operário daquela freguesia a construir uma peça de mobiliário empregando o vime da Madeira e servindo-lhe de modelo uma cadeira de fabrico inglês que esse súbdito britânico e activo industrial trouxera de Inglaterra.
É ocasião oportuna de apresentar um ligeiro perfil do actual representante dessa distinta família, que tem o seu nome intimamente ligado à Madeira pelo grande desenvolvimento dado ás indústrias sacarinas e pelos actos de larga benemerencia que entre nós tem praticado e particularmente pela desvelada protecção dispensada a todas as obras de assistência existentes nesta ilha. Para isso reproduziremos alguns trechos de um artigo publicado num jornal diário do Funchal, por ocasião de Henrique Hinton ser agraciado pelo governo português, como justo reconhecimento dos serviços prestados a esta terra.
2Henrique Hinton agraciado
«Temos a dar hoje aos nossos leitores uma noticia que é, particularmente, de todo o ponto agradável: foi proposto para o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito Agrícola e Industrial, o nosso bemquisto amigo Sr. Henrique Hinton, que já era por seus altos merecimentos, Comendador da antiga Ordem de Cristo.
Poucas vezes sentimos tanta satisfação, como hoje, em dar a publico uma noticia desta ordem, pois não temos que forçar a nossa consciência e o nosso espírito na busca de merecimentos, tantas vezes fictícios, com que dourar a mercê proposta. Eles aí estão bem patentes, diante de nossos olhos e na mente de quantos conhecem a vida agrícola e industrial da Madeira. Conservando as tradições de sua distinta família que, no corrente ano, faz precisamente um século se estabeleceu nesta Ilha, como se lê no Elucidário Madeirense, e ilustrando essa tradição com um trabalho constante, inteligente e probo, no sentido do desenvolvimento e aperfeiçoamento da sua grande indústria, o actual chefe e alma da Fabrica do Torreão, vai receber a nova honra que lhe dá o Governo Português como um preito da mais nítida e absoluta justiça. De há anos que a agricultura madeirense, presa de vicissitudes várias, tem vivido, principalmente, pelo mecanismo que representa na nossa economia a Fábrica da firma William Hinton & Sons.
De nome inglês, ela tem à sua frente essa nobre e varonil figura de gentleman que é Mr. Harry Hinton, nascido nesta Ilha, aqui casado, aqui residindo, e possuindo pela terra do seu berço um amor e um carinho que se manifesta, a cada hora, em múltiplas manifestações de coração, que vão desde as obras de assistência-ocultas muitas-até o interesse bibliográfico e artístico de todas as publicações nacionais e estrangeiras, antigas e modernas, que se referem á Madeira. Mas este, sendo muito importante para a nossa sensibilidade e para a nossa gratidão, não é o aspecto que devemos especialmente focar, neste momento ao falarmos da alta mercê honorífica proposta para o peito de Mr. Harry Hinton, pelo Sr. Ministro do Comércio e Indústria.
Esse aspecto é o da sua acção industrial no nosso meio, acção que, movimentando e desenvolvendo a cultura sacarina, valorizou consideravelmente os terrenos madeirenses, deu aos lavradores remuneração certa pelo seu produto-o que não aconteceu nem acontece com mais nenhuma outra cultura -, pode manter a criação dos gados e a produção do leite com que se fabrica uma das mais acreditadas, senão a mais preferida, das marcas de manteigas portuguesas. E, tudo isto, a par da produção dum dos melhores açucares do mundo e do álcool para condimento de nossos preciosos vinhos, em condições de tão rara perfeição fabril, que sempre mereceram as classificações mais honrosas nos certames a que têm concorrido.
No seu género, Mr. Hinton possue e apetrecha a fabrica mais aperfeiçoada do mundo: dizem-no os competentes; e, com ela, pode desenvolver, para sua matéria prima, uma agricultura que é a melhor fonte da riqueza madeirense.
E podemos ainda acrescentar que a cultura da banana madeirense, em larga escala, como todos sabemos muito deve á iniciativa e esforços deste benemérito industrial, que é sob este ângulo também um grande e inteligente agricultor.
Por isso a condecoração proposta, o Grande Oficialato da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial, cabe-lhe com toda a propriedade e com toda a justiça. Estendendo ao facto o conceito inglês, bem poderemos exprimir que, dentro deste grau honorífico, Mr. Hinton será bem «the right man in the right place».
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Camacha
Santa Cruz. Freguesia onde Hinton iniciou a indústria de vimes.
A Camacha é uma freguesia situada nas terras altas acima do Caniço, no concelho de Santa Cruz, fundada em 1676 com sede na Capela de São Lourenço. O Elucidário aborda a sua igreja, o seu papel na invasão miguelista de 1828, as quintas, as levadas, a Casa de Abrigo do Poiso, a romaria do Pentecostes, as saias acolchoadas das mulheres, as plantas e os jardins, e a sua célebre indústria de vimes, iniciada por Hinton.
- Fábrica do Torreão
Funchal. Fábrica de açúcar fundada por William Hinton.
A Fábrica do Torreão é uma fábrica de açúcar e álcool perto da ponte, na freguesia de Santa Luzia, no Funchal. Fundada por William Hinton, foi descrita como o mais importante estabelecimento industrial da ilha. Detinha o monopólio e era a única fábrica de açúcar sob o regime da década de 1930; um projétil não detonado caiu nas proximidades em 1917.
- Funchal
Local onde a família Hinton se estabeleceu e William Hinton morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Greenhill House
United Kingdom. Residência da família em Wiltshire, representada por William Hinton.
Solar da família em Wiltshire, representado por William Hinton.
- Nápoles
Italy. Local de nascimento de William Hinton.
Nápoles é uma cidade estrangeira onde nasceu William Hinton e onde o 1.º Visconde de Tôrre Bela exerceu funções e morreu. A localização do Funchal é comparada à da baía de Nápoles.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04-
Filho de William Hinton, nascido na Madeira, proprietário da fábrica do Torreão e benemérito, nomeado grande-oficial da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial.
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Filha de Robert Wallas, que casou com William Hinton em 1839.
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Britânico proprietário de um moinho a vapor no Funchal, no local da futura fábrica do Torreão; sogro de William Hinton.
- William Hinton1817–1904
Inglês nascido em Nápoles, estudante em Oxford, que se fixou na Madeira, fundou a fábrica de açúcar do Torreão e iniciou a indústria de vimes da Camacha.