Hinton (Questão) 1Origem e efeitos do regímen sacarino
Hinton (Questão)
A «questão Hinton» foi a longa controvérsia política e jurídica em torno do monopólio do açúcar e do álcool concedido pelo Governo de Lisboa ao industrial Henrique Hinton, proprietário da Fábrica do Torreão. Em contrapartida, Hinton era obrigado a comprar a cana-de-açúcar da costa sul a um preço fixado por lei. O verbete apresenta as sucessivas leis do regime sacarino, de 1895 a 1920, e enumera os opúsculos escritos sobre a questão.
1Origem e efeitos do regímen sacarino
A chamada questão Hinton, que por muitas vezes se tem agitado na imprensa, no parlamento, no seio das corporações administrativas, nos centros diplomáticos, nos conselhos de ministros e até em comícios, tirou sua origem do regímen de privilegio concedido pelos governos da metrópole ao industrial Henrique Hinton, proprietário da Fabrica do Torreão, para o fabrico exclusivo do açúcar e álcool, mediante a observância de determinadas clausulas, sendo a principal a da obrigação da compra da cana de açúcar produzida na costa sul da ilha por um preço previamente fixado por lei. Este regímen foi concedido por meio de varias leis e decretos, quasi idênticos nas suas disposições fundamentais, embora se diferenciem entre si nalguns pontos de secundaria importância.
O regímen sacarino que durante perto de um quarto de século vigorou na Madeira, foi um notável elemento de prosperidade para este arquipélago. O preço regularmente compensador da cana de açúcar levou os lavradores a cultivarem este género agrícola em grande escala, tendo-se deste modo valorizado consideravelmente a propriedade rústica e reflectindo-se isso muito beneficamente na vida económica do distrito.
2Legislação e folhetos
O primeiro período do regímen sacarino começou com o decreto de 30 de Dezembro de 1895, que criou a matrícula facultativa das fabricas de açúcar e de álcool. O decreto de 24 de Setembro de 1903 e o seu regulamento de 24 de Dezembro de 1904, vieram introduzir varias modificações no regímen de 1895. A lei de 24 de Novembro de 1904 reforçou as disposições do regímen em vigor, alterando algumas dessas disposições. Menos de quatro anos decorridos, promulgou o parlamento um novo regímen sacarino com a lei de 9 de Setembro de 1908, que foi substituída pelo decreto de 11 de Março de 1911, aparecendo finalmente os decretos de 12 de Abril e 2 de Maio de 1919, que acabaram com o monopólio sacarino. Este ultimo diploma contém certas disposições que são geralmente consideradas como prejudiciais aos interesses dos cultivadores da cana, mas que o decreto de 12 de Abril de 1920, agora em vigor, não revogou.
Os artigos publicados pela imprensa periódica, os panfletos avulsos, as representações e reclamações dirigidas ao governo e os discursos proferidos no parlamento acerca da questão Hinton, dariam matéria para encher alguns volumes. Além disso, temos conhecimento da publicação dos seguintes folhetos:
- O alcool do continente na Madeira, Lisboa, 1908, de 10 pag.
- A questão saccharina da Madeira, Lisboa, 1910, de 50 pág. (dr. Quirino de Jesus)
- Bases para a solução da questão saccharina e meios de combater o alcoolismo na Madeira, por Henrique A. Vieira de Castro, Funchal, 1911, de 12 pag.
- A nova questão Hinton, Lisboa, 1915, de 65 pag. (dr. Quirino de Jesus)
- A Nova Questão Hinton, Lisboa, 1915, de 137 pag.
- A nova questão Hinton, Lisboa, 1915, de 103 pag. (João Soares Branco)
- O problema sacarino da Madeira, por Pestana Júnior, Funchal, de 51 pag.
- Os Direitos de W.m Hinton & Son por Quirino de Jesus e a Questão Sacarina, por Julio do Amaral, 1918, de 22 pag.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
Um decreto deu início ao regime protecionista do açúcar, criando o registo facultativo das fábricas de açúcar e álcool e fixando preços mínimos para a cana entre 40 e 45 centavos por 30 kg para as fábricas registadas.
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Um decreto alterou o regime açucareiro de 1895, aumentando os preços mínimos da cana e reduzindo para 6 réis por quilograma o direito sobre o melaço estrangeiro.
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Uma lei reforçou e alterou o regime açucareiro da Madeira, estabelecendo um monopólio do açúcar e do álcool para Hinton & Sons e José Júlio de Lemos.
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Foi publicada a regulamentação do decreto de 1903 relativo ao açúcar.
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O Parlamento aprovou um novo regime do açúcar para a Madeira que deixou o monopólio do açúcar praticamente inalterado.
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Após a questão Hinton, um decreto substituiu a lei do açúcar de 1908, estabeleceu um novo regime do açúcar e do álcool válido até 1918, regulamentou a aguardente e as destilarias e criou a Junta Agrícola da Madeira e a Estação Agrária.
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Vários decretos, incluindo o Decreto n.º 5492, de 2 de maio, puseram fim ao monopólio do açúcar e declararam livre o fabrico de açúcar a partir de 1 de janeiro de 1920.
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Um decreto sobre a questão sacarina manteve em vigor disposições consideradas prejudiciais aos produtores de cana-de-açúcar; continuava em vigor quando o Elucidário foi escrito.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Costa Sul
Região cuja cana-de-açúcar Hinton era obrigado a comprar.
Região cuja cana-de-açúcar Hinton foi obrigado a comprar.
- Fábrica do Torreão
Funchal. Fábrica de açúcar e álcool de Hinton, detentora do monopólio.
A Fábrica do Torreão é uma fábrica de açúcar e álcool perto da ponte, na freguesia de Santa Luzia, no Funchal. Fundada por William Hinton, foi descrita como o mais importante estabelecimento industrial da ilha. Detinha o monopólio e era a única fábrica de açúcar sob o regime da década de 1930; um projétil não detonado caiu nas proximidades em 1917.
- Funchal
Local de publicação de vários opúsculos.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Local de publicação de vários opúsculos.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06-
Industrial e proprietário da Fábrica do Torreão, beneficiário do monopólio do açúcar e do álcool que deu origem à questão Hinton.
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Autor de um opúsculo publicado no Funchal em 1911 sobre a resolução da questão sacarina e o combate ao alcoolismo na Madeira.
- João Soares Brancom. 1927
Autor do opúsculo A nova questão Hinton, de 1915.
- José Júlio do Amaral1801–1876
Autor de A Questão Sacarina, publicado em 1918 juntamente com o opúsculo de Quirino de Jesus.
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Autor do opúsculo O problema sacarino da Madeira, publicado no Funchal.
- Quirino Avelino de Jesus1865–1935
Autor de vários opúsculos sobre a questão sacarina da Madeira (1910, 1915, 1918).