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Elucidário Madeirense Início
Hinton (Questão) 1Origem e efeitos do regímen sacarino
Artigo Nº 1795 Produto ou género Vol. II · pp. 240–241 3 min de leitura

Hinton (Questão)

A «questão Hinton» foi a longa controvérsia política e jurídica em torno do monopólio do açúcar e do álcool concedido pelo Governo de Lisboa ao industrial Henrique Hinton, proprietário da Fábrica do Torreão. Em contrapartida, Hinton era obrigado a comprar a cana-de-açúcar da costa sul a um preço fixado por lei. O verbete apresenta as sucessivas leis do regime sacarino, de 1895 a 1920, e enumera os opúsculos escritos sobre a questão.

Hinton (Questão)

1Origem e efeitos do regímen sacarino

A chamada questão Hinton, que por muitas vezes se tem agitado na imprensa, no parlamento, no seio das corporações administrativas, nos centros diplomáticos, nos conselhos de ministros e até em comícios, tirou sua origem do regímen de privilegio concedido pelos governos da metrópole ao industrial Henrique Hinton, proprietário da Fabrica do Torreão, para o fabrico exclusivo do açúcar e álcool, mediante a observância de determinadas clausulas, sendo a principal a da obrigação da compra da cana de açúcar produzida na costa sul da ilha por um preço previamente fixado por lei. Este regímen foi concedido por meio de varias leis e decretos, quasi idênticos nas suas disposições fundamentais, embora se diferenciem entre si nalguns pontos de secundaria importância.

O regímen sacarino que durante perto de um quarto de século vigorou na Madeira, foi um notável elemento de prosperidade para este arquipélago. O preço regularmente compensador da cana de açúcar levou os lavradores a cultivarem este género agrícola em grande escala, tendo-se deste modo valorizado consideravelmente a propriedade rústica e reflectindo-se isso muito beneficamente na vida económica do distrito.

2Legislação e folhetos

O primeiro período do regímen sacarino começou com o decreto de 30 de Dezembro de 1895, que criou a matrícula facultativa das fabricas de açúcar e de álcool. O decreto de 24 de Setembro de 1903 e o seu regulamento de 24 de Dezembro de 1904, vieram introduzir varias modificações no regímen de 1895. A lei de 24 de Novembro de 1904 reforçou as disposições do regímen em vigor, alterando algumas dessas disposições. Menos de quatro anos decorridos, promulgou o parlamento um novo regímen sacarino com a lei de 9 de Setembro de 1908, que foi substituída pelo decreto de 11 de Março de 1911, aparecendo finalmente os decretos de 12 de Abril e 2 de Maio de 1919, que acabaram com o monopólio sacarino. Este ultimo diploma contém certas disposições que são geralmente consideradas como prejudiciais aos interesses dos cultivadores da cana, mas que o decreto de 12 de Abril de 1920, agora em vigor, não revogou.

Os artigos publicados pela imprensa periódica, os panfletos avulsos, as representações e reclamações dirigidas ao governo e os discursos proferidos no parlamento acerca da questão Hinton, dariam matéria para encher alguns volumes. Além disso, temos conhecimento da publicação dos seguintes folhetos:

  • O alcool do continente na Madeira, Lisboa, 1908, de 10 pag.
  • A questão saccharina da Madeira, Lisboa, 1910, de 50 pág. (dr. Quirino de Jesus)
  • Bases para a solução da questão saccharina e meios de combater o alcoolismo na Madeira, por Henrique A. Vieira de Castro, Funchal, 1911, de 12 pag.
  • A nova questão Hinton, Lisboa, 1915, de 65 pag. (dr. Quirino de Jesus)
  • A Nova Questão Hinton, Lisboa, 1915, de 137 pag.
  • A nova questão Hinton, Lisboa, 1915, de 103 pag. (João Soares Branco)
  • O problema sacarino da Madeira, por Pestana Júnior, Funchal, de 51 pag.
  • Os Direitos de W.m Hinton & Son por Quirino de Jesus e a Questão Sacarina, por Julio do Amaral, 1918, de 22 pag.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 07
  1. Um decreto deu início ao regime protecionista do açúcar, criando o registo facultativo das fábricas de açúcar e álcool e fixando preços mínimos para a cana entre 40 e 45 centavos por 30 kg para as fábricas registadas.

  2. Um decreto alterou o regime açucareiro de 1895, aumentando os preços mínimos da cana e reduzindo para 6 réis por quilograma o direito sobre o melaço estrangeiro.

  3. Uma lei reforçou e alterou o regime açucareiro da Madeira, estabelecendo um monopólio do açúcar e do álcool para Hinton & Sons e José Júlio de Lemos.

  4. Foi publicada a regulamentação do decreto de 1903 relativo ao açúcar.

  5. O Parlamento aprovou um novo regime do açúcar para a Madeira que deixou o monopólio do açúcar praticamente inalterado.

  6. Após a questão Hinton, um decreto substituiu a lei do açúcar de 1908, estabeleceu um novo regime do açúcar e do álcool válido até 1918, regulamentou a aguardente e as destilarias e criou a Junta Agrícola da Madeira e a Estação Agrária.

  7. Vários decretos, incluindo o Decreto n.º 5492, de 2 de maio, puseram fim ao monopólio do açúcar e declararam livre o fabrico de açúcar a partir de 1 de janeiro de 1920.

  8. Um decreto sobre a questão sacarina manteve em vigor disposições consideradas prejudiciais aos produtores de cana-de-açúcar; continuava em vigor quando o Elucidário foi escrito.

Lugar

Lugares mencionados · 04

No estrangeiro

Mapa: Madeira (3)
  1. Costa Sul

    Região cuja cana-de-açúcar Hinton era obrigado a comprar.

  2. Fábrica do Torreão

    Funchal. Fábrica de açúcar e álcool de Hinton, detentora do monopólio.

  3. Funchal

    Local de publicação de vários opúsculos.

  4. Lisboa

    Portugal. Local de publicação de vários opúsculos.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 06
  1. Industrial e proprietário da Fábrica do Torreão, beneficiário do monopólio do açúcar e do álcool que deu origem à questão Hinton.

  2. Autor de um opúsculo publicado no Funchal em 1911 sobre a resolução da questão sacarina e o combate ao alcoolismo na Madeira.

  3. Autor do opúsculo A nova questão Hinton, de 1915.

  4. Autor de A Questão Sacarina, publicado em 1918 juntamente com o opúsculo de Quirino de Jesus.

  5. Autor do opúsculo O problema sacarino da Madeira, publicado no Funchal.

  6. Autor de vários opúsculos sobre a questão sacarina da Madeira (1910, 1915, 1918).

Na folha H

Vistos recentemente

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