Bananeira 1Variedades da bananeira
Bananeira
Verbete sobre a bananeira na Madeira que descreve as variedades anã (Cavendish) e prata, a história do cultivo da banana desde pelo menos 1552, os números das exportações de 1911–13 e a sua importância como fonte de riqueza.
1Variedades da bananeira
A bananeira anã e a de prata são as mais cultivadas na Madeira, sendo a primeira a Musa Cavendishii, e a segunda uma variedade da M. Sapientum. A banana destinada à exportação é produzida unicamente pela bananeira anã, que se reconhece facilmente pelos seus caules de 1,m30 a 1,m70 de alto e pelos seus regimes muito grandes, comportando às vezes mais de duzentos frutos.
Esta bananeira, conhecida também pelo nome de bananeira de Demerara por ter sido importada daquele país, é oriunda da China e cultivada na ilha desde 1842 ou 1843.
Bananeira de prata, muito menos frequente que a anã, começou a ser cultivada na Madeira pelos fins do segundo quartel do seculo XIX, e reconhece-se pelos seus caules de três a quatro metros e pelos seus regimes mais pequenos e com cinquenta a cento e trinta frutos, de um lindo amarelo exteriormente.
Estes frutos são saborosissimos e um pouco acidos, mas têm o inconveniente de se desprenderem com facilidade do eixo, o que os torna improprios para a exportação.
A cultura da bananeira já existia na ilha em 1552, pois que dela fala Nichols, viajante inglês que esteve aqui naquele ano. Provavelmente era a bananeira chamada da terra a que então existia na ilha, a qual é também uma variedade da Musa sapientum, distinguindo-se da bananeira de prata pelos seus frutos um tanto rijos na parte interna e menos saborosos e aromaticos.
A bananeira da terra é hoje rarissima na Madeira, e o mesmo se pode dizer acerca da bananeira plantina (Musa paradisiaca), cujos frutos muito grandes se comem fritos ou cozidos. A bananeira de frutos roxos, a bananeira maçã e a bananeira de senhora são variedades da Musa sapientum, que se não têm vulgarizado.
2Exportação e importância económica
A Madeira exportou 550:000 quilogramas de bananas em 1911, 493:990 em 1912 e 619:790 em 1913, no valor respectivamente de 27:000, 24:703 e 30:000 escudos. Admite-se que a exportação da banana regulou nesses anos por dois terços da produção.
Os caules da bananeira depois de cortados e reduzidos a pequenos pedaços, constituem uma boa forragem, à qual se adiciona o farelo. Os donos dos estabulos costumam adquiri-los para alimentação dos bois.
A bananeira, como a cana de açucar, é uma planta que só deve ser cultivada na região inferior da Madeira. Acima de 200 ou 300 metros os seus frutos são mais pequenos que os produzidos no litoral, e na altitude de 600 metros só dificilmente frutifica, como por mais duma vez temos tido ocasião de notar.
O cultivo da bananeira constitue uma das mais apreciaveis fontes de riqueza publica na Madeira, sendo os seus frutos largamente exportados para o continente português e também para diversos países estrangeiros. A superioridade das suas qualidades nativas, em confronto com os produtos seus similares de outras regiões, vão-lhe já adquirindo uma fama quasi universal, que no decorrer do tempo há de cada vez mais espalhar-se e consolidar-se por toda a parte. Era para desejar o aparecimento duma monografia cientifica, em que a historia da banana madeirense, a sua composição, a sua acção fisiologica, as suas virtudes terapeuticas, o seu valor alimenticio, o modo mais racional do seu uso etc., fossem postos em saliente relevo com a comprovada competencia e com a necessaria probidade, que a natureza do assunto estavam imperiosamente a exigir. Acaba de preencher esse fim o trabalho, por muitos titulos valioso, que o dr. Vicente Henriques de Gouveia publicou em segunda edição, no ano de 1939, subordinado à epigrafe A Banana/Fruto de Todo o Ano/Alimento Medicamento. É livro para ler-se e apreciar-se devidamente e também agradecer-se ao seu autor o assinalado serviço que veio prestar à sua terra.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04Lugar
Lugares mencionados · 03- China
Região de origem da bananeira-anã.
A China é referida no Elucidário como país de origem de muitas plantas cultivadas na Madeira, entre elas a tangerineira, a maioria dos bambus, o damasqueiro, o pessegueiro, a bananeira-anã, a boganga e o cacho roxo. É também mencionada como um dos lugares onde se usava o palanquim para transportar pessoas de elevada posição social.
- Demerara
Guyana. Território de onde foi importada a bananeira-anã, que por isso recebeu o nome de «bananeira de Demerara».
Demerara, na Guiana Inglesa, recebeu uma emigração madeirense em massa a partir de cerca de 1840, incluindo emigrantes após 1846, e foi o principal mercado de exportação da cebola madeirense. O Elucidário regista-a também como origem da banana-anã, da batata-doce de folha inteira (1845) e da formiga Iridomyrmex humilis, e como o local onde Alípio Augusto Ferreira dirigiu O Portuguez.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02-
Viajante inglês que visitou a Madeira em 1552 e registou o cultivo da bananeira na ilha.
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Autor de A Banana/Fruto de Todo o Ano/Alimento Medicamento, cuja segunda edição foi publicada em 1939.