Landi (Conde Giulio de) 1A Insulae Materiae Historia
Landi (Conde Giulio de)
Entrada sobre o Conde Giulio Landi, autor de uma descrição da Madeira em latim, publicada em Piacenza em 1574 com tradução italiana de Alemanio Fini. O Elucidário Madeirense mostra que a obra foi plagiada quase literalmente pelo Padre Manuel Constantino na sua Insulae Materiae Historia. Relata-se como a obra anterior foi localizada no Museu Britânico e como o Dr. Jordão de Freitas demonstrou o plágio.
1A Insulae Materiae Historia
Quando a páginas 300 do 1.° vol. (2.a ed.) deste «Elucidário» nos ocupámos do padre Manuel Constantino, era nosso intuito transcrever alguns trechos do artigo que havíamos publicado em «O Jornal», de 29 de Julho de 1934, subordinado ao título «Pela História da Madeira–Notas Bibliográficas», e em que tínhamos dado a conhecer o plagiato que o referido Manuel Constantino fizera do livro do conde Giulio de Landi, que, em tradução italiana, fora publicado por Alemanio Fini no ano de 1574. Não foi transcrito, por mero lapso, o que se faz neste lugar, como complemento do artigo respeitante ao padre Manuel Constantino:
«Certamente que, desde Barbosa Machado até a idade contemporânea, muitas vezes nasceria o desejo de haver-se um conhecimento mais completo da Insulae Materiae historia. . . Era a única obra impressa que exclusivamente se ocupava deste arquipélago, não existindo outros trabalhos publicados, além das poucas páginas que se encontravam em alguns cronistas, como Zurara, Barros, Galvão e Damião de Góis. Parece que o escrito de Constantino se tornara desde logo muito raro, devido talvez ao facto de ter sido dado à estampa em Roma e ainda porventura a outras ignoradas circunstancias. Apenas sabemos de duas referências, que mostram um conhecimento exacto do livro: a do anotador da Historia Insulana em 1866, e a do Dr. Jordão de Freitas, em 1911.
Não deve, por isso, causar estranheza que o autor deste ligeiro artigo aconselhasse a compra, embora por elevado preço, dum raríssimo exemplar aparecido em Viena de Austria, e houvesse sem demora promovido a sua tradução em vernáculo, tendo também escrito a Advertência Preliminar e as copiosas notas que acompanharam a publicação dessa tradução, feita nesta cidade no ano de 1930.
2A descoberta da obra de Landi
Qual não foi, porém, a nossa surpresa e a nossa decepção, quando há dois anos chegou ao nosso conhecimento que existia uma obra impressa acerca da Madeira anterior à de Constantino, publicada na cidade de Placência no ano de 1574, de que fora autor o conde Giulio Landi, subindo de ponto a nossa surpresa até a indignação, ao sabermos que o escrito do doutor Manuel Constantino era uma copia servil, um descarado plagiato, do trabalho de Landi, à parte umas ligeiras alterações!
Foi o nosso prezado amigo Dr. Jordão de Freitas, distinto cultor das ciências históricas, que nos fez essa comunicação numa interessantissima carta então recebida e de que não fizemos a publicação integral, como tencionávamos, por se haver lamentavelmente extraviado. Fora o caso de que o erudito director da Biblioteca da Ajuda, a propósito da impressão da Insulae Materiae Historia, dera ao nosso ilustre amigo Sr. Henrique Hinton noticia da existência desse escrito anterior ao de Constantino e de que apenas sabia o título, o nome do autor e ano da publicação. Procedendo o Sr. Hinton em Londres, por interposta e autorizada pessoa, a uma pesquisa na célebre biblioteca do British Museum, descobriu ali o rarissimo livro, talvez exemplar único, de que logo fez extrair uma cópia fotográfica completa, que ofereceu à Biblioteca Municipal do Funchal.
O Dr. Jordão de Freitas, ao publicar em 1911 um interessante opúsculo intitulado Quando foi descoberta a Madegra?, examinara detidamente o exemplar da Insulae Materiae Historia, existente na Biblioteca Nacional de Lisboa, e, ao ser-lhe facultada, há cerca de dois anos, a cópia fotográfica do trabalho do conde Giulio Landi, reconheceu sem esforço que aquele escrito era um perfeito plagiato deste, fazendo até notar, pelo cotejo a que então procedera, as pequenas diferenças que se encontram entre as duas obras, como logo nos foi comunicado na carta a que acima fazemos referência. O título da obra em questão e que serviu de texto para a cópia literal da Insulae Materiae Historia é, ipsis verbis, o seguinte: «La descrittione de l'Isola de la Madera, gia scritta ne la lingua latina, dal molto Ill. Signor conte Giulio Sandi, et hora tradotta dal latino ne la nostra materna lingua, dal reverendo A. Alemanio Fini, ne la quale i contengono molto belle, e deletteuoli narrationi; e massimamente l'agricoltura del Zucchero, e li costumi degli huomini di quel paese, e li nobili esercitii Cavalereschi; e particolarmente il giuoco di Canne, & il modo di lottare, e la Caccia de li Tori à piedi, & à Cavallo, V'é posta anco la Descrittione latina del primo autore di tutte le souradette cose, acciò possa il lettore leggere in quella lingua che sia piu di gusto suo. In Placenza, appresso Francesco Conti. 1574»
3Descrição do livro
Como se vê pelo contexto do título que fica transcrito, a obra foi originariamente redigida em latim pelo conde Giulio Landi e traduzida para italiano pelo padre Almenio Fini, tendo sido publicada na cidade de Placência em 1574, compreendendo a primitiva redacção na língua latina e a sua tradução na língua italiana. O livro tem 95 páginas numeradas, além da da portada, sendo as primeiras doze preenchidas com uma dedicatória de Almenio Fini e outra de Giulio Landi, escritas em língua italiana, dirigidas à princesa de Placência e Parma. Segue-se o texto italiano, que se estende da pág. 13 a 54, continuando o latino até a pag. 95, que é a última do livro.
Como acima dizemos, causou-nos uma grande estranheza e também um grande desprazer, que um homem da categoria moral, social e mental do doutor Manuel Constantino cometesse o plagiato, que temos de atribuir-lhe à vista do confronto das obras que ficam apontadas. Chegámos até a supor que estávamos, porventura, em frente dum intrincado problema bibliográfico, que talvez viesse a ser suficientemente esclarecido com o aparecimento de novos elementos de investigação e de critica, até agora desconhecidos.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
A descrição da Madeira de Giulio Landi foi publicada em latim e italiano em Placência.
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Foi publicada uma segunda edição da Historia Insulana, de António Cordeiro, com notas sobre a Madeira; o responsável pelas notas fez uma referência rigorosa ao livro de Constantino.
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Jordão de Freitas publicou Quando foi descoberta a Madeira?, obra em que examinou o livro de Constantino.
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Foi publicada no Funchal uma tradução portuguesa de Insulae Materiae Historia, de Padre Manuel Constantino, patrocinada por Henrique Hinton.
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Os autores do Elucidário Madeirense denunciaram o plágio da obra de Giulio Landi pelo Padre Manuel Constantino num artigo publicado em O Jornal.
Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Biblioteca Municipal do Funchal
Funchal. Recebeu a cópia fotográfica do livro de Landi.
Biblioteca Municipal do Funchal, que recebeu cerca de 10 000 volumes dos irmãos Reid e onde João Joaquim de Freitas foi bibliotecário durante mais de trinta anos. Conserva manuscritos, incluindo cópias das Memórias e do Nobiliário de Noronha, um manuscrito atribuído a Dias Leite e uma cópia fotográfica do livro de Landi.
- Biblioteca Nacional de Lisboa
Portugal. Conserva o exemplar do livro de Constantino examinado por Jordão de Freitas.
A Biblioteca Nacional de Lisboa conserva o exemplar do livro de Constantino examinado por Jordão de Freitas e a genealogia inédita de Mascarenhas. Recebeu também documentos transferidos do Ministério da Marinha e Ultramar.
- Londres
United Kingdom. Cidade onde se situa a biblioteca do Museu Britânico em que foi encontrado o livro de Landi.
Capital britânica onde foram publicadas muitas obras inglesas sobre a Madeira, incluindo as dos du Cane, de Embleton e de Bloxam. Mason comparou a sua humidade com a do Funchal, e de lá veio artilharia para a Fortaleza de São Tiago. Acolheu o congresso de química aplicada de 1909.
- Piacenza
Italy. Cidade italiana onde o livro de Landi foi publicado em 1574.
Cidade italiana da Lombardia onde foi publicado, em 1574, o livro de Giulio Landi. Era também a terra natal de Filipe Perestrelo.
- Roma
Italy. Cidade onde foi impresso o livro de Constantino.
Roma, sede da Santa Sé, surge no Elucidário sobretudo através de madeirenses e de outras pessoas a ela ligadas. O Padre Manuel Constantino ensinou, publicou obras e morreu na cidade, e o Dr. Patrício Moniz doutorou-se em teologia e foi aí ordenado. O Padre Luiz Gonçalves da Câmara foi superior da casa professa dos jesuítas em Roma, onde também foi entregue ao papa a oferta de Simão Gonçalves da Câmara; outras entradas referem um cargo numa embaixada, o Concílio do Vaticano e processos de beatificação.
- Viena
Austria. Cidade onde foi encontrado e comprado um exemplar raro do livro de Constantino.
Viena foi a sede do congresso que decidiu que a Grã-Bretanha deveria evacuar a Madeira e a cidade de onde D. Miguel regressou a Lisboa. Ali foram publicadas várias obras relativas à Madeira, entre as quais o relato da viagem da Novara (1861) e a revista Ornis. Foi também um posto diplomático do 1.º Visconde de Tôrre Bela e de Agostinho de Ornelas de Vasconcelos (1865).
Pessoas
Pessoas mencionadas · 11-
Conde italiano que escreveu uma descrição da Madeira em latim, publicada com tradução italiana em Piacenza em 1574 e mais tarde plagiada por Manuel Constantino.
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Clérigo italiano que traduziu para italiano a descrição da Madeira escrita em latim por Landi e a publicou em 1574.
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Cronista português citado entre os primeiros autores que escreveram sobre a Madeira.
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Cronista português citado entre os primeiros autores que escreveram sobre a Madeira.
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Bibliógrafo português citado como ponto de partida do interesse pelo livro de Constantino.
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Impressor do livro de Landi, publicado em Piacenza em 1574.
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Cronista português cujas poucas páginas sobre a Madeira são mencionadas como fontes antigas.
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Amigo dos autores que localizou o livro de Landi no Museu Britânico e ofereceu uma cópia fotográfica à Biblioteca Municipal do Funchal.
- João de Barros1496–1570
Cronista português citado entre os primeiros autores que escreveram sobre a Madeira.
- Jordão Apolinário de Freitasn. 1866
Diretor da Biblioteca da Ajuda que estudou o livro de Constantino em 1911 e demonstrou que plagiava a obra de Landi.
+ 1 mais
- Padre Manuel Constantinom. 1614
Autor da Insulae Materiae Historia, impressa em Roma, que o Elucidário Madeirense mostra ser uma cópia servil da obra de Landi.