Silveira (José Marciano da)
Professor, escriturário e jornalista polémico madeirense (1826–1887), redator de A Voz do Povo e autor de versos satíricos.
Nasceu na freguesia da Camacha em 1826, tendo morrido no Funchal no dia 8 de Julho de 1887. Exerceu o professorado primário em Machico e á sua morte era amanuense da administração do concelho do Funchal. Redigiu durante muitos anos a Voz do Povo, em que a verrina e a diatribe eram por vezes os principais argumentos das suas polémicas e campanhas jornalísticas. Manejava com extrema facilidade o verso chocarreiro da gazetilha, ferindo e achincalhando por este meio os seus adversários e antagonistas. Nem poupou o próprio genro, o jornalista João Augusto de Ornelas, que Silveira quis ferir e vexar no Filho do Ferreiro, opúsculo de que se tem feito algumas edições, especialmente destinadas ás colónias madeirenses em Demerara, Trindade, etc. É vasta a sua obra jornalística, mas os seus escritos são geralmente moldados na Tripa Virada e na Besta Esfolada, de José Agostinho de Macedo. Há composições poéticas suas nas Flores da Madeira.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Camacha
Santa Cruz. Local onde nasceu.
A Camacha é uma freguesia situada nas terras altas acima do Caniço, no concelho de Santa Cruz, fundada em 1676 com sede na Capela de São Lourenço. O Elucidário aborda a sua igreja, o seu papel na invasão miguelista de 1828, as quintas, as levadas, a Casa de Abrigo do Poiso, a romaria do Pentecostes, as saias acolchoadas das mulheres, as plantas e os jardins, e a sua célebre indústria de vimes, iniciada por Hinton.
- Demerara
Guyana. Colónia de emigrantes madeirenses para a qual foram feitas edições do seu folheto.
Demerara, na Guiana Inglesa, recebeu uma emigração madeirense em massa a partir de cerca de 1840, incluindo emigrantes após 1846, e foi o principal mercado de exportação da cebola madeirense. O Elucidário regista-a também como origem da banana-anã, da batata-doce de folha inteira (1845) e da formiga Iridomyrmex humilis, e como o local onde Alípio Augusto Ferreira dirigiu O Portuguez.
- Funchal
Cidade onde morreu e trabalhou como escriturário.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Machico
Local onde ensinou na escola primária.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Trindade
Trinidad and Tobago. Colónia de emigrantes madeirenses para a qual foram feitas edições do seu folheto.
Trindade foi um destino de emigrantes madeirenses depois de 1846. Foram feitas edições do opúsculo de José Marciano da Silveira destinadas à colónia madeirense ali residente.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03- José Marciano da Silveira1826–1887
Professor primário e redator polémico de A Voz do Povo; figura biografada nesta entrada.
- João Augusto de Ornelas1833–1886
Jornalista e genro de Silveira, satirizado no folheto Filho do Ferreiro.
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Polemista português cujas obras Tripa Virada e Besta Esfolada serviram de modelo a Silveira.