Ornelas (João Augusto de) 1O homem e a sua vida
Ornelas (João Augusto de)
Biografia de João Augusto de Ornelas (1833–1886), jornalista e romancista madeirense que, apesar da paralisia, dirigiu durante mais de vinte anos o jornal funchalense O Direito e publicou vários romances bem recebidos.
1O homem e a sua vida
É hoje um nome injustamente esquecido, mas que gozou de merecida nomeada, não só na Madeira mas também no Continente do Reino. A sua obra literária é vastíssima, não tanto pela dúzia de volumes que publicou, como pela colaboração que deixou dispersa por vários jornais, nomeadamente no antigo e conhecido periódico O Direito, de que foi durante algumas dezenas de anos o principal e mais assiduo redactor.
João Augusto de Ornelas adquiriu na sua juventude uma terrível enfermidade, que lhe tirou todo o movimento aos membros locomotores passando a maior parte da sua existência preso á sua banca de trabalho, que só abandonou pouco tempo antes de ser assaltado pela morte. Tendo uma grande dificuldade de movimentar a pena sobre o papel, aproveitava a visita de muitas pessoas que o procuravam, para fazer o ditado dos seus romances, dos seus contos, dos seus folhetins, das correspondências que enviava para alguns jornais do Continente e principalmente dos inúmeros artigos que destinava ao seu jornal.
Foi um trabalhador incansável. Nem a paralisia que lhe tolhia os movimentos, nem as angustiosas privações porque tão frequentemente passou, nem as torturas que sofreu no seio do lar domestico nem as rudes lutas que sustentou na imprensa e nem ainda as campanhas de difamação que contra ele levantaram, lhe entibiaram o animo ou lhe enfraqueceram a vontade, trabalhando activa e corajosamente num combate sem tréguas, numa guerra encarniçada contra a adversidade até que a morte o prostrou na arena, na idade ainda pujante dos 53 anos.
Os seus inimigos e adversários não raro lhe faziam uma acusação grave – a versatilidade do seu carácter. A acusação não era de todo infundada, mas encontra fácil explicação e até em boa parte se justifica com as circunstancias que rodearam a sua atribulada existência e o colocaram numa apertada situação, de que a poucos seria dado triunfar.
2Obras e cargos
Segundo a própria declaração de João Augusto de Ornelas, feita no Direito de 24 de Agosto de 1863 nasceu ele na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos a 26 de Junho de 1833. Começou por ser aprendiz de tipógrafo, tendo depois cursado algumas aulas no liceu desta cidade. Estreou-se com algumas produções literárias no Estudo e no Baratíssimo, e colaborou em outros jornais. Tomou a direcção do Direito, onde durante mais de vinte anos se entregou activamente à vida do jornalismo. Cultivou com grande êxito o romance, tendo publicada varias novelas, que foram muito apreciadas e receberam alevantados elogios de alguns dos nossos mais ilustres literatos. Faremos menção das seguintes:
- A Arrependida, Funchal, 1871, de 190 pág., com uma carta de José Vieira de Castro e uma introdução de Júlio César Machado
- Maria, Lisboa, 1873, de 200 pág., com um prólogo de António Augusto Teixeira de Vasconcelos
- A Mão de Sangue, Lisboa, 1874, de 266 pág., com uma introdução de Camilo Castelo Branco
- A Justiça de Deus, Funchal, 1876, de 199 pág., com uma carta critica de Manuel Pinheiro Chagas
- a Victima dum Lazarista, Porto, 1879 de 266 pág.
- O Engeitado, Porto, 1886 com uma introdução de Manuel Pinheiro Chagas.
Publicou outros romances em folhetins do Direito, alguns dos quais preparava para dar á estampa em volumes separados. Também publicou os opúsculos – A coroa de oiro ou a honra e a justiça; o que foi e o que é José Cardoso Vieira de Castro, Funchal 1871, de XXXVIII-23 pág., e A Madeira e as Canárias, Funchal 1884 de 28 pág.
João Augusto de Ornelas era cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e desempenhou os cargos de procurador à Junta Geral do Distrito e de vogal da comissão administrativa do Asilo de Mendicidade. Faleceu no Funchal, a 11 de Julho de 1886.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Estreito de Câmara de Lobos
Câmara de Lobos. Freguesia onde Ornelas nasceu.
O Estreito de Câmara de Lobos é uma freguesia do concelho de Câmara de Lobos, na Madeira, criada no início do século XVI em torno da capela de Nossa Senhora da Graça. Foi o principal centro de fabrico de chapéus de palha de centeio e de queijo; nela cultivam-se as castas Sercial, Verdelho, Tinta e Bastardo. Em 1927, tornou-se julgado da comarca do Funchal.
- Funchal
Cidade onde estudou, publicou obras e morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Local de publicação de dois dos seus romances.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Porto
Portugal. Local de publicação de dois dos seus romances.
Cidade portuguesa onde começou a revolução liberal de 1820. O seu distrito é o único com maior densidade populacional do que o do Funchal. Vários madeirenses estudaram na sua escola médica ou na Academia Politécnica, e alguns viveram ou morreram na cidade. O editor de O Funchalense Liberal foi ali enforcado, e o Marítimo venceu ali o FC Porto em 1922.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- João Augusto de Ornelas1833–1886
Romancista madeirense e redator de longa data de O Direito, biografado nesta entrada.
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Escritor português que escreveu o prólogo do romance Maria (1873), de Ornelas.
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Célebre romancista português que escreveu a introdução de A Mão de Sangue (1874), de Ornelas.
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Escritor português que contribuiu com uma carta para o romance A Arrependida, de Ornelas, e foi tema de um dos seus opúsculos.
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Escritor português que escreveu a introdução do romance A Arrependida (1871), de Ornelas.
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Escritor português que contribuiu com uma carta crítica e uma introdução para dois romances de Ornelas.