Costa Pereira (Luiz da) 1Nascimento, estudos e magistério
Costa Pereira (Luiz da)
Biografia de Luís da Costa Pereira (1818–1893), natural do Funchal, matemático, poeta, ator, dramaturgo e encenador. Ensinou no Liceu do Funchal e trabalhou depois no Teatro D. Maria, em Lisboa, onde morreu pobre e esquecido.
1Nascimento, estudos e magistério
Foi Luiz da Costa Pereira um ilustre madeirense que se notabilizou em varios ramos da actividade humana, mas cujo nome é quasi inteiramente desconhecido entre nós a pesar de terem apenas decorrido 26 anos depois da sua morte. Ferido duramente pela adversidade, passou os ultimos anos numa obscura e ignorada existencia, em guerra atroz com a doença, com a miseria e com a velhice.
Luiz da Costa nasceu no Funchal a 17 de Agôsto de 1818 e nesta cidade cursou os indispensaveis preparatorios para a matricula na Universidade de Coimbra. Depois dum curso brilhante e em que obteve varios premios, concluíu a sua formatura na faculdade de matematica em 1844. O seu nome era citado a par do de Teixeira de Vasconcelos, João de Lemos, Barbosa du Bocage, Casal Ribeiro, Couto Monteiro, Gonçalves Lima, Xavier Monteiro, etc., seus contemporaneos na Universidade e com os quais ombreava no cultivo das ciencias e das letras.
Em 1851 foi nomeado professor do Liceu do Funchal, logar que exerceu poucos anos, e depois desempenhou o cargo de comissario de estudos no distrito de Braga, onde também não teve demorada permanencia. Espirito voluvel e irrequieto, não soube aproveitar os dotes com que a natureza enriqueceu a sua privilegiada inteligencia. Foi por isso que Bulhão Pato disse dele com inteira justiça: “Nunca conheci quem reunisse tantas faculdades, nem tão pouco quem mais tenazmente procurasse dar cabo delas. Não era aptidão que possuia, eram altas faculdades. Bemfadada organização, poderosa em tudo, até na força com que vingou esconder, na penumbra, uma luz que devia rutilar entre as mais brilhantes”.
2O teatro e as letras
Luiz da Costa Pereira fixou residencia em Lisboa e durante muitos anos se dedicou quasi exclusivamente a cousas teatrais, para que tinha uma decidida vocação e onde revelou as brilhantes faculdades do seu extraordinario talento, como actor e autor, ensaiador, director tecnico e comissario régio do Teatro D. Maria, e professor de declamação e da arte de representar no Real Conservatorio de Lisboa. Disse Camilo Castelo Branco: - Este é aquelle Luiz da Costa que foi na minha mocidade o symbolo, o mestre da scena; neste cerebro pulsaram todos os talentos creadores das implacaveis paixões da tragedia; do peito d’este homem explodiram os brados que levantaram as plateas em delirio de triumpho”.
Luiz da Costa traduziu e adaptou á cena portuguesa algumas peças de teatro estrangeiro e escreveu o livro Rudimentos da arte dramatica, de que só publicou a primeira parte num volume de 240 paginas.
Na sua mocidade cultivou a poesia com extraordinario sucesso e foi um dos colaboradores da conhecida e brilhante revista O Trovador, onde teve por colegas João de Lemos e outros poetas de igual vulto. A ele se refere o grande Castilho com os mais alevantados elogios. Nas tradições literarias de Coimbra, ficou celebre a festa conhecida pelo nome de S. João Poetico, que depois se imortalizou pela inimitavel descrição que dela fêz João de Lemos e em que seis poetas se reuniram num convivio intimo e aí recitaram as composições poeticas que para a mesma festa haviam previamente escrito. Foi ali que, improvisadamente, e em homenagem a Castilho, compuseram uma sextilha, que depois se tornou muito conhecida e em que cada poeta escreveu um verso:
Entre esses poetas consagrados estava Luiz da Costa Pereira, que, imediatamente a João de Lemos, recitou a poesia Branca Alvarinho.
Além do que fica citado, escreveu Costa Pereira o romance Misterios de Almas, o livro Reflexos, em prosa e verso, a obra cientifica Leituras sobre astronomia e teve uma larga colaboração nas principais revistas de literatura e de ciencia da sua epoca. Consta que entre os seus inéditos se encontravam duas obras de valor- A Natureza e a Religião Democratica.
Morreu em Lisboa, pobre e na mais completa obscuridade, a 18 de Janeiro de 1893.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Braga
Portugal. Distrito onde exerceu o cargo de comissário dos estudos.
Braga é uma cidade, um distrito e uma arquidiocese de Portugal Continental; o seu distrito era o segundo mais densamente povoado do país, com cerca de 140 habitantes por km². D. José da Costa Torres dirigiu a arquidiocese a partir de 1806 e morreu na cidade. O Corpo Nacional de Escutas foi fundado em Braga em 1923, e a cidade deu o nome ao instrumento requinta.
- Funchal
Cidade natal de Costa Pereira, onde também estudou e ensinou.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Liceu do Funchal
Funchal. Escola onde foi nomeado professor em 1851.
Estabelecimento de ensino secundário no Funchal onde Luiz da Costa Pereira foi nomeado professor em 1851. Os seus alunos editaram o jornal Os Novos.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde viveu, trabalhou no teatro e morreu.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Teatro D. Maria II
Portugal. Teatro de Lisboa onde foi diretor e comissário régio.
Teatro de Lisboa de que foi diretor e comissário régio.
- Universidade de Coimbra
Portugal. Universidade onde se formou em Matemática.
A Universidade de Coimbra, em Portugal Continental, recebeu apoio da Madeira através de dízimos e foi frequentada por muitos madeirenses. Vários formaram-se ali, sobretudo em Direito, e outros, como António da Gama e Vitúrio Lopes Rocha, também ali lecionaram. Júlio Augusto Henriques ocupou a sua cátedra de Botânica.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 11- Luís da Costa Pereira1818–1893
Matemático, poeta e homem de teatro madeirense a quem esta entrada é dedicada.
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Contemporâneo de Costa Pereira em Coimbra, com quem este foi comparado.
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Escritor português citado pelos elogios aos talentos de Costa Pereira e pelo lamento de que tivessem sido desperdiçados.
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Romancista português citado por ter chamado a Costa Pereira o mestre do palco da sua juventude.
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Contemporâneo de Costa Pereira na universidade.
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Contemporâneo de Costa Pereira na universidade.
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Contemporâneo de Costa Pereira na universidade.
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Poeta, colaborador de O Trovador como Costa Pereira, que descreveu o encontro «S. João Poético».
- José Vicente Barbosa du Bocage1823–1907
Contemporâneo de Costa Pereira na universidade.
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Poeta que elogiou Costa Pereira e foi homenageado com uma sextilha coletiva no «S. João Poético».
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Contemporâneo de Costa Pereira na universidade.