Barbosa du Bocage (José Vicente) 1Família e estudos
Barbosa du Bocage (José Vicente)
Biografia de José Vicente Barbosa du Bocage (1823–1907), zoólogo nascido no Funchal e considerado o fundador da zoologia científica em Portugal, que também foi deputado, par do Reino e ministro dos Negócios Estrangeiros.
1Família e estudos
É José Vicente Barbosa du Bocage um dos mais distintos madeirenses e o mais ilustre homem de ciência que tivesse nascido neste arquipelago.
Era filho de João José Barbosa du Bocage, próximo parente do grande poeta Bocage, e de D. Josefa Ferreira Pestana, irmã do ilustre madeirense o conselheiro José Ferreira Pestana, e nasceu nesta cidade a 2 do mês de Maio do ano de 1823. Tendo apenas 5 anos de idade, acompanhou seus pais para o Brasil, fugindo à perseguição política que o governo miguelista movia nesta ilha aos que se mostravam afectos às ideias liberais. Regressando à Madeira em 1834, cursou o liceu do Funchal e em 1839 matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde se formou na faculdade de medicina.
2Obra científica
Pouco se dedicou ao exercício da clinica medica e antes se consagrou quasi exclusivamente ao estudo da zoologia, em que foi mestre abalizado. Fez concurso para a cadeira da Escola Politécnica em que se professava aquela matéria e nela foi provido, dando aos estudos zoológicos uma orientação inteiramente nova entre nós, sendo considerado como o verdadeiro criador daquele ramo de ciência no nosso país, debaixo dum ponto de vista rigorosamente cientifico e em harmonia com os progressos realizados por notáveis sábios estrangeiros. Imprimiu a esses estudos uma feição essencialmente pratica, do que são prova eloquentissima as magníficas colecções que organizou, merecendo especial menção a do gabinete de historia natural da Escola Politécnica. É vasta e valiosa a sua obra cientifica, que lhe abriu as portas de muitas academias estrangeiras e lhe conquistou lá fora os créditos dum notabilissimo homem de ciência. Longe iríamos se quiséssemos dar uma nota detalhada dos seus trabalhos científicos, muitos dos quais se encontram mencionados no Diccionario Bibliographico de Inocencio. No entretanto diremos que escreveu e publicou cerca de 200 trabalhos sobre os mamíferos, as aves, os repteis, os anfíbios, os peixes, os invertebrados, a filosofia zoológica, etc., entre os quais avultam os seguintes:
- Memória sobre a cabra montez (Mem. da Ac. das Sc. de Lisboa, 1857)
- Noticias sobre os Arvicolas de Portugal (Id., 1864)
- Peixes plagiostomos, Iª parte (Lisboa 1866)
- A Ornithologia dos Açores (Jorn. da Ac. Sc. Lisboa, 1866)
- Aves das Possessões Portuguesas d'Africa Occidental (24 listas, Id., 1867 1882)
- A Vida Animal nas grandes profundidades do Oceano (Id., 1870)
- Liste des Mammifères et Reptiles observés en Portugal (Rev. et Mag. de Zool., 1863)
- Liste des Antilopes d'Angola (Proc. Zool. Soc., 1878)
- Subsidios para a fauna das Possessões Portuguesas d'Africa Occidental, S. Thomé e Angola (Jorn. da Ac. Sc. Lisboa, 1879)
- Mammifères d'Angola et du Congo (Id., 1889 1892)
- Mammiferos, Aves e Reptis da Hanha (Id., 1896):
- e Contribution à la faune des quatre iles du Golfe de Guinée (Id., 1904).
Com referência ao nosso arquipelago escreveu apenas: Noticia sobre uma collecção de conchas das ilhas da Madeira e Porto Santo. (Ann. das Sc. e Let., 1857).
3Vida política e morte
Em anos já amadurecidos, entrou na política e nela prestou ao seu país serviços assinalados, revelando sempre a mais austera intransigência de caracter como estadista e como parlamentar. Foi deputado e par do reino e notabilizou-se sobretudo como ministro dos negócios estrangeiros. Na gerência desta pasta revelou-se um homem de estado consumado. Nos gravissimos assuntos que então se debateram, e em que merece menção especial a questão do Congo, os negócios da Conferencia de Berlim, um tratado com a Inglaterra sobre direitos da nossa soberania na Africa Ocidental e ainda outros, mostrou-se sempre um notável estadista, sendo por todos considerado como um dos homens que, com mais zelo e mais competência, tem no nosso país sobraçado a pasta dos negócios estrangeiros.
Morreu em Lisboa a 3 de Novembro de 1907. No vol. 2. do Boletim da Sociedade Portuguesa de Sciencias Naturais encontra-se uma desenvolvida biografia de Barbosa du Bocage e uma noticia completa de todos os seus trabalhos.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
O zoólogo José Vicente Barbosa du Bocage nasceu no Funchal.
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A família Bocage regressou do Brasil à Madeira.
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José Vicente Barbosa du Bocage matriculou-se na Universidade de Coimbra.
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José Vicente Barbosa du Bocage publicou uma nota sobre conchas da Madeira e do Porto Santo.
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José Vicente Barbosa du Bocage morreu em Lisboa.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Brasil
Brazil. País onde a família se refugiou da perseguição miguelista.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Coimbra
Portugal. Cidade em cuja universidade se formou em Medicina.
Cidade universitária de Portugal continental onde muitos madeirenses estudaram Direito ou Medicina e onde o Padre Luís Gonçalves da Câmara lecionou e foi reitor do colégio dos Jesuítas. Acolheu o campeonato académico de ténis de mesa de 1921, e os seus dados de dormência e pluviosidade são comparados com os do Funchal.
- Funchal
Cidade natal de Bocage, onde frequentou o liceu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde trabalhou e morreu.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Porto Santo
As suas conchas foram tema do único trabalho que dedicou à Madeira.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- José Vicente Barbosa du Bocage1823–1907
Zoólogo nascido no Funchal, professor da Escola Politécnica e ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal; figura a que se refere esta entrada.
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Bibliógrafo cujo Diccionario Bibliographico enumera muitas obras de Bocage.
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Pai do zoólogo e parente próximo do poeta Bocage.
- José Ferreira Pestana1795–1885
Distinto estadista madeirense, tio materno do zoólogo.
- José Ferreira Pestana1795–1885
Mãe do zoólogo e irmã de José Ferreira Pestana.
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Grande poeta português, parente próximo do pai do zoólogo.