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Edifícios Antigos 1Prédios antigos do Funchal
Artigo Nº 1255 Outro edifício Machico Vol. I · pp. 736–737 3 min de leitura

Edifícios Antigos

Levantamento dos mais antigos edifícios civis e religiosos da Madeira ainda existentes, com destaque para as casas do Funchal com janelas geminadas góticas, entretanto demolidas na sua maioria, e para as igrejas que o Dr. Neale classificou como tardo-góticas em 1844.

Edifícios Antigos
Mapa: Arquipélago da Madeira (17)

1Prédios antigos do Funchal

Além do edifício da Alfândega, que nas suas arcadas e portadas interiores tem, como diz o Dr. Azevedo, indelével o cunho arquitectónico manuelino, existiam no Funchal, há cerca de meio século, quatro prédios que, pelas suas janelas góticas e bipartidas, inculcavam também uma notável antiguidade. Desses prédios que chamavam a atenção de todas as pessoas entendidas em assuntos de arquitectura, três desapareceram há muitos anos sob o camartelo destruidor, que nada respeita em geral na nossa terra, estando agora de pé apenas um só, que deve ser considerado como verdadeira relíquia dos tempos em que o tipo arquitectónico gótico era usado ainda nas construções do Funchal.

O prédio a que nos referimos, que pertenceu ao morgado Pedro Cipriano de Ornelas, está situado na rua dos Aranhas ou do Dr. Chaves, e fica ao fundo de um recinto, em cuja porta se podem ver as armas dos Ornelas e a data de 1606. Neste prédio foi morta em 1693, com um tiro de espingarda partido da cerca do extinto convento de S. Francisco, “uma mulher nobilissima, por nome D. Mecia”, quando se achava a uma janela que olhava para a mesma cerca, tendo este caso, que foi romantizado por Camilo Castelo Branco no seu livro O Santo da Montanha, sido narrado por Antonio Vanguerve Cabral numa obra que tem por título Epilogo juridico de varios casos civeis e crimes.

Segundo conta Vanguerve Cabral, que era em 1693 juiz comissário do bispado do Funchal e assessor do bispo, o homicídio foi casual, tendo sido “autor dele um religioso que pegou em uma espingarda que estava carregada com quartos, dizendo que queria atirar a um francelho, e com effeito atirou e errou o tiro”.

Quando falámos de Colombo, a pag. 286 deste Elucidario, referimo-nos a um dos três prédios antigos já demolidos; quanto aos outros dois, estavam situados um na antiga rua do Peru hoje do Comercio, e outro na rua da Boa Viagem, vendo-se em ambos eles também janelas bipartidas e estabelecendo a transição do gótico para a renascença.

A casa da rua da Boa Viagem, pertencente á capela instituída por Bento da Veiga, tinha duas janelas, cujas pedras foram vendidas a um súbdito inglês, que as fez transportar para o seu país: a casa da rua do Peru, do Conde do Carvalhal, tinha apenas uma janela, ignorando nós o destino que tiveram as respectivas pedras. As pedras da janela da casa de Colombo estavam em poder dos herdeiros do falecido conselheiro Agostinho de Ornelas, tendo a mesma janela sido fotografada pelo fotografo João Camacho, na ocasião da demolição.

2Templos góticos

Além dos prédios mencionados, nenhuma outra construção civil conhecemos, notável pela sua vetustez e tipo arquitectónico. Entre os edifícios religiosos, porém, alguns há que foram assinalados pelo Dr. Neale numa memória lida perante a Cambridge Camdem Society em 1844, como apresentando mais ou menos distintamente o tipo gótico terciario ou flamboyant, o qual apareceu na Europa nos séculos XIV e XV.

Os templos mencionados pelo Dr. Neale foram a Sé Catedral, a igreja de Machico, a capela do Senhor dos Milagres, a igreja de Santa Cruz, a capela de Nossa Senhora das Neves, as igrejas da Incarnação e de Santa Clara, a igreja de S. Bernardino, em Câmara de Lobos, a igreja do Estreito da Calheta, a igreja do Porto Santo, a capela de S. Sebastião na mesma ilha, etc., mas é de advertir que muitos destes edifícios sofreram depois de 1844 modificações mais ou menos notáveis, que lhes imprimiram uma feição um pouco diversa da que antes apresentavam.

O Dr. Neale fez uma descrição bastante extensa da catedral do Funchal, cujas belezas interiores aprecia, acrescentando porém que na parte externa, só na capela do Santissimo Sacramento há trabalhos e ornatos dignos de nota.

A Sé do Funchal, como é sabido, é considerada monumento nacional, e a sua arquitectura é manuelina, tendo começado a ser edificada pouco depois de 1493.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. O imposto sobre o vinho foi destinado à construção da Sé Catedral do Funchal, iniciada pouco depois.

  2. A data de 1606 foi gravada, juntamente com as armas dos Ornelas, no portal de uma casa gótica do Funchal que ainda subsiste.

  3. D. Mécia foi morta acidentalmente por um tiro disparado por um frade a partir dos terrenos do convento de São Francisco.

  4. Foi lida perante a Cambridge Camden Society a comunicação do reverendo J. M. Neale sobre a eclesiologia e as igrejas góticas da Madeira.

Lugar

Lugares mencionados · 17
  1. Edifícios Antigos · Assunto

    Machico

  2. Alfândega do Funchal

    Funchal. Alfândega com arcadas manuelinas.

  3. Capela de Nossa Senhora das Neves

    Funchal. Capela referida por Neale.

  4. Capela do Senhor dos Milagres

    Machico. Capela referida por Neale.

  5. Convento da Encarnação

    Funchal. Igreja referida por Neale.

  6. Convento de Santa Clara

    Funchal. Igreja referida por Neale.

  7. Convento de São Francisco

    Funchal. Dos terrenos do convento partiu o disparo fatal de 1693.

  8. Estreito da Calheta

    Calheta. A sua igreja foi referida por Neale.

  9. Funchal

    Cidade onde se situavam as casas antigas.

  10. Igreja de Santa Cruz

    Santa Cruz. Igreja citada por Neale.

  11. Igreja de São Bernardino

    Câmara de Lobos. Igreja citada por Neale.

  12. Machico

    A sua igreja foi citada por Neale.

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Pessoas

Pessoas mencionadas · 12
  1. Conselheiro falecido cujos herdeiros tinham as pedras da janela da casa de Colombo.

  2. Juiz comissário da diocese do Funchal em 1693, que registou a morte de D. Mécia.

  3. Autor citado a propósito do caráter manuelino do edifício da Alfândega.

  4. Fundador da capelania a que pertencia a casa da Rua da Boa Viagem.

  5. Romancista português que deu um tratamento romanesco à morte de D. Mécia em O Santo da Montanha.

  6. Proprietário da antiga casa da Rua do Peru.

  7. Navegador cuja alegada casa no Funchal era um dos edifícios góticos demolidos.

  8. D. Méciam. 1693

    Nobre morta acidentalmente a tiro junto a uma janela da casa dos Ornelas em 1693.

  9. Autor de Casas Madeirenses, obra indicada para leitura complementar.

  10. Fotógrafo que fotografou a janela da casa de Colombo aquando da sua demolição.

+ 2 mais
  1. Autor de uma comunicação apresentada em 1844 à Cambridge Camden Society sobre as igrejas góticas da Madeira.

  2. Morgado proprietário da casa gótica da Rua dos Aranhas que ainda subsiste.

Na folha E

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.