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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 0139 Outro edifício Machico Vol. I · pp. 84–85 2 min de leitura

Alfândega de Machico

A Alfândega de Machico, criada por carta régia em 1477 juntamente com as do Funchal e de Santa Cruz, tinha menos movimento do que a de Santa Cruz, apesar de se situar na sede da capitania. Os seus últimos vestígios manuelinos, na Rua da Árvore, foram demolidos em 1916.

Alfândega de Machico
Mapa: Madeira (5)

Criação, empregados e ruínas

Como as alfândegas do Funchal e Santa Cruz, foi também criada pelo alvará régio de 15 de Março de 1477. Já fizemos notar que a pesar desta alfândega estar instalada na sede da capitania, tinha menor movimento e, menos importância do que a de Santa Cruz, devido talvez á circunstancia de ser maior a produção do açúcar em Santa Cruz e povoações limítrofes do que em Machico.

Ignoramos quando começou a funcionar e poucas referências temos encontrado ao número de seus empregados. Em 1486 foi novamente ordenado que funcionasse a alfândega de Machico, ou por não haver sido ainda instalada ou porque se tivesse interrompido a arrecadação dos impostos que ali se cobravam. Sabemos no entretanto que teve juiz, sendo Antonio Alves Uzadamar o primeiro que exerceu este cargo em 1557, e os lugares de almoxarife e de alcaide de mar, criados em 1550.

Ainda depois de extinta, e durante largos anos, se conservaram na vila de Machico os restos do edifício onde ela esteve instalada. Muito recentemente se mostrava ainda na rua da Árvore um trecho de muralha denegrido pelo tempo, onde se abria uma pequena porta ogival, já meio soterrada devido ao levantamento do leito da via publica que lhe ficava adjacente. Era o único vestígio que restava da antiga alfândega e também o único exemplar ali existente da arquitectura manuelina, que por toda a ilha tem desaparecido. Essas ruínas deveriam ter sido conservadas religiosamente. O município de Machico não quis ou não soube conserva-las e permitiu que o camartelo as lançasse vandalicamente á terra no ano de 1916. Constituíam um padrão eloquente das antigas prosperidades da vila e capitania de Machico, e nenhum visitante ilustrado que ali fosse deixaria de olhar com devotado interesse para aquela nesga de muro negro e para a pequena porta que nela se abria em ogiva na pedra mole avermelhada das velhas construções madeirenses.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 05
  1. Uma carta régia criou as alfândegas do Funchal, de Santa Cruz e de Machico; a Alfândega do Funchal era a mais antiga repartição pública do arquipélago.

  2. Foi novamente ordenado o funcionamento da Alfândega de Machico.

  3. Foram criados os cargos de almoxarife e alcaide do mar na Alfândega de Machico.

  4. António Alves Uzadamar tornou-se o primeiro juiz da Alfândega de Machico.

  5. Foram demolidos os últimos vestígios manuelinos da Alfândega de Machico.

Lugar

Lugares mencionados · 05
  1. Alfândega de Machico · Assunto

    Machico

  2. Funchal

    A sua alfândega foi criada pela mesma carta régia de 1477.

  3. Machico

    Sede da capitania e local onde se situava esta alfândega.

  4. Rua da Árvore

    Machico. Rua onde permaneceram os últimos vestígios da alfândega até 1916.

  5. Santa Cruz

    A sua alfândega, com mais movimento devido à maior produção de açúcar, foi criada pela mesma carta régia.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 01
  1. Primeiro juiz da Alfândega de Machico, cargo que ocupava em 1557.

Na folha A

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.