Padrões Memoráveis 1Madeira e Machico
Padrões Memoráveis
Descrição de lugares e edifícios da Madeira considerados «padrões memoráveis» dos descobrimentos e do povoamento portugueses: a própria ilha, o Desembarcadouro em Machico, a Capela de Santa Catarina, a Igreja de Santa Clara, a Quinta das Cruzes e a Capela do Senhor dos Milagres, em Machico.
No estrangeiro
1Madeira e Machico
Tendo próxima afinidade com os artigos Monumentos, Monumentos Nacionais, Moradias de Zargo e Patrimonio Artistico, deixamos neste lugar umas rápidas notas acerca dos lugares e edifícios que devem ser considerados como Padrões Memoráveis e que oferecem particular interesse á história do nosso arquipélago.
Madeira
Tem-se dito e várias vezes o havemos repetido que a Madeira é o grande padrão imorredouro, que verdadeiramente marca o auspicioso inicio dessa portentosa odisseia desenvolvida através dos oceanos e continentes desconhecidos.
Antes dos portugueses demandarem estas ignoradas e misteriosas ilhas, tinham realizado empreendimentos arrojados, mas quase inteiramente infrutíferos, e somente depois deste maravilhoso encontro é que descobriram os Açores, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, o Cabo da Boa Esperança, a India, o Brasil e essa infinidade de ilhas dispersas na vastidão do Atlântico e do Pacífico.
A «descoberta» ou «reconhecimento» deste arquipélago não representa apenas uma notavel expansão territorial dos nossos domínios como nação, mas assinala a nossa primeira grande conquista como navegadores e futuros dominadores dos mares: Para uma nação, cujo principal papel na historia da humanidade foi o das descobertas e empresas marítimas, não podem deixar de merecer o mais devotado interesse e a mais sentida veneração os lugares em que começaram a desenvolver-se esses gloriosos empreendimentos e de modo especial a acção eminentemente civilizadora que eles representavam.
Machico
Esta localidade ocupa um lugar assinalado na historia do arquipélago madeirense. Ao seu nome andam indissoluvelmente ligados o auspicioso descobrimento, o primeiro desembarque e o começo do povoamento destas longínquas e ignoradas paragens. Pode afirmar-se, sem uma exagerada hipérbole, que a grande expansão colonial e a obra notável da colonização dos portugueses teve ali o seu inicial ponto de partida. É, por isso, bastante para lamentar, que, no local chamado o Desembarcadouro, não se tenha ainda levantado um padrão comemorativo, que recorde a contemporâneos e a vindouros os sucessos gloriosos, que há mais de cinco séculos começaram a desenrolar-se nesse sitio memorável.
Refere-nos Gaspar Frutuoso, na sua pitoresca linguagem, que os descobridores, ou antes primeiros povoadores, foram «desembarcar na rocha, onde estão pedras e baixos, que se pode facilmente desembarcar neles, por aparcelado que ande o mar, porque está resguardado com a rocha: e este logar se chama hoje (1590) o Desembarcadouro, onde também desembarcaram os de Machim. . . ».
Embora não se possa dar crédito á tão conhecida e celebrada lenda, muitas e ponderosas razões persuadem que ali se teria realizado o desembarque dos mais antigos colonizadores desta ilha, dando-se ao local o nome de «Desembarcadouro», que a tradição conservou e os cronistas arquivaram. Recorda a descoberta, o primeiro desembarque e o começo do povoamento, como acima ficou dito, que são outros tantos títulos a aconselhar e a impor o dever de uma significativa comemoração há muito sugerida e advogada, mas a que tem faltado uma feliz oportunidade para a sua imperiosa realização.
Uma singela coluna, encimada por um qualquer emblema ou troféu patriótico e assentada sobre um modesto plinto a erguer-se do seio da rocha viva seria já um pequeno mas expressivo monumento a perpetuar a memoria desses acontecimentos e porventura a relembrá-los a tantos e tantos que certamente os desconhecem.
2Padrões do Funchal e Capela dos Milagres
Existem no Funchal três edifícios, que devem ser considerados por todos os madeirenses como verdadeiros «padrões memoraveis», e olhados como mais profundo respeito e acrisolado culto: A capela de Santa Catarina, a igreja de Santa Clara e a Quinta das Cruzes.
Capela de Santa Catarina
Esta pequena e modesta ermida construída por D. Constança de Almeida, mulher de João Gonçalves Zargo, foi o primeiro templo que se levantou nesta ilha e junto dela teve o primeiro capitão-donatario a sua primitiva moradia, e de ali dirigiu os rudes e porfiosos trabalhos da incipiente colonização madeirense, que rapidamente se desenvolveu e em breve se criaram as primeiras vilas nas sedes das três capitanias, sendo a do Funchal a que adquiriu maior importância.
Santa Clara
Para sua ultima jazida e dos seus sucessores no Governo da donataria, fêz João Gonçalves Zargo edificar a capela de Nossa Senhora da Conceição, que ficou conhecida pelo nome de Conceição de Cima e que, ao ser fundado o convento anexo, passou a ter a invocação de Santa Clara, que ainda actualmente conserva. Ampliada e depois inteiramente reconstruída na segunda metade do século XVII, nada ali restará da primitiva edificação, mas encerra dentro dos seus muros as venerandas cinzas do seu fundador, que foi o primeiro capitão donatário do Funchal. Tem de ser considerada como o nosso mais precioso e reverenciado «padrão memorável», despertando a todos a mais respeitosa e sentida veneração.
Quinta das Cruzes
Nas mais proximas imediações desta igreja, tivera Gonçalves Zargo a sua ultima moradia e ali terminara a sua longa e afanosa existencia: é a solarenga habitação da Quinta das Cruzes, que se tornou também um «padrão» digno de igual e merecida veneração.
Capela dos Milagres–Fora da cidade, existe ainda uma antiga e também veneranda capela, que, pelo local em que foi erguida e por diversos factos que a ela se acham intimamente ligados, constitui de igual modo um «memoravel padrão», merecedor do mais alto e considerado aprêço: a capela do Senhor dos Milagres da vila de Machico, da qual já por vezes nos temos ocupado.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02Lugar
Lugares mencionados · 15- Padrões Memoráveis · Assunto
Machico
Esta entrada descreve lugares e edifícios da Madeira considerados «padrões memoráveis» dos descobrimentos e do povoamento portugueses: a própria ilha, o Desembarcadouro em Machico, a Capela de Santa Catarina, a Igreja de Santa Clara, a Quinta das Cruzes e a Capela do Senhor dos Milagres, em Machico.
- Açores
Portugal. Entre as terras descobertas após a Madeira.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Brasil
Brazil. Descoberto após a Madeira.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Cabo da Boa Esperança
South Africa. Alcançado após o descobrimento da Madeira.
O Cabo da Boa Esperança é a região de origem de várias plantas encontradas na Madeira, como Agapanthus umbellatus. Foi outrora um mercado para os artigos de vime madeirenses, mas passou a produzi-los com vergas importadas. Foi também o destino de várias viagens notáveis que fizeram escala na Madeira.
- Cabo Verde
Cape Verde. Descoberto após a Madeira.
Cabo Verde é um arquipélago e antiga colónia portuguesa que serviu de lugar de exílio e deportação para madeirenses, incluindo liberais na década de 1820, manifestantes contra os decretos relativos aos lacticínios e participantes nos motins de 1936. Lowe visitou-o em 1864 e 1866. Partilha com a Madeira uma espécie de planta com flor.
- Capela de Santa Catarina
Funchal. Primeira igreja da ilha, junto da primeira residência de Zargo.
A Capela de Santa Catarina, no Funchal, foi fundada por volta de 1425 por Constança Rodrigues de Almeida, mulher de João Gonçalves Zarco, junto à primeira casa de madeira deste. É considerada a primeira igreja da Madeira, tem a data de 1425 no portal e possuía um albergue anexo para mulheres pobres. O Convento de São Francisco foi construído em frente.
- Capela do Senhor dos Milagres
Machico. Antiga e venerada capela de Machico, considerada um padrão memorável.
A Capela do Senhor dos Milagres é uma capela histórica no Largo dos Milagres, em Machico, anteriormente chamada de Cristo ou da Misericórdia. Diz-se que foi fundada em cumprimento de um voto dos descobridores no local do desembarque, e há quem afirme que foi a primeira igreja da Madeira, afirmação contestada pelo Elucidário. Foi destruída pela aluvião de 1803; a sua imagem foi então encontrada no mar por um navio americano. Mais tarde, Roberto Page reparou-a. É o centro de uma romaria a 9 de outubro.
- Desembarcadouro
Machico. Local tradicional de desembarque dos primeiros povoadores, para o qual se propõe um padrão comemorativo.
O Desembarcadouro é uma pequena saliência rochosa da costa a oeste da praia e da baía de Machico. Segundo a tradição, ali desembarcaram os primeiros descobridores ou povoadores da Madeira, e diz-se que Rui Pais também ali desembarcou. O Elucidário propõe que se erga no local um padrão comemorativo.
- Funchal
Cidade onde se encontram três edifícios históricos considerados padrões memoráveis.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Igreja de Santa Clara
Funchal. Originalmente chamada Nossa Senhora da Conceição de Cima, foi construída por Zargo para servir de local da sua sepultura.
A Igreja de Santa Clara, no Funchal, foi originalmente a Capela de Nossa Senhora da Conceição de Cima, construída por João Gonçalves Zarco como sepultura da sua família e mais tarde integrada no Convento de Santa Clara. O Elucidário aborda a localização incerta dos restos mortais de Zarco, as sepulturas de capitães-donatários posteriores aí encontradas em 1919, o papel da igreja como destino da peregrinação do quinto centenário e o projétil que a atingiu durante a missa, no bombardeamento de 1917.
- Índia
India. Alcançada após o descobrimento da Madeira.
A Índia é referida como o lugar onde serviram vários madeirenses, entre eles Lopo de Abreu, Pedro da Silva e o vice-rei João Saldanha da Gama. A fama dos construtores de levadas madeirenses chegou até lá. É a região de origem de plantas cultivadas na Madeira, entre as quais a mangueira, a Hedychium gardnerianum, a balsamina e a maioria dos bambus.
- Machico
Local do descobrimento, do primeiro desembarque e do início do povoamento.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
+ 2 mais
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04-
Mulher de João Gonçalves Zargo, a quem é atribuída a construção da Capela de Santa Catarina, a primeira igreja da Madeira.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista açoriano aqui citado pela descrição do Desembarcadouro de Machico tal como era em 1590.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor e primeiro capitão-donatário do Funchal, cujas residências, capela e sepultura constituem os padrões aqui descritos.
-
Lendário apaixonado inglês que, segundo a tradição, teria desembarcado em Machico antes dos portugueses, numa narrativa posta em causa pelo Elucidário.