Instituições de Beneficência 1Primeiras fundações
Instituições de Beneficência
Panorama das instituições de beneficência da Madeira, desde a Mercearia de Santa Catarina, do século XV, e o primeiro hospital, com remissões para os artigos dedicados a cada asilo, hospital, recolhimento e associação de beneficência.
1Primeiras fundações
Por 1425 fundou Constança Rodrigues de Almeida, mulher do descobridor João Gonçalves Zargo, a capela de Santa Catarina (V. este nome) e «a par dela, diz Frutuoso, fez muitas casas para gasalhado de mulheres de boa vida, pobres mercieiras a quem deixou esmolas para sempre terem cuidado de alimparem e servirem aquela casa (a capela) como ainda agora se costuma». Estas palavras são comentadas pelo Dr. Rodrigues de Azevedo da maneira seguinte: «A Mercearia de Santa Catharina.... era como que um hospício, onde, por esmola, viviam mulheres pobres e de bons costumes, que tinham a seu cargo o aceio da capela da sancta. Uma e outra teem sido conservadas até ao presente. São propriedade do Sr. conde de Castello-Melhor».
Nada sabemos acrescentar ao que fica transcrito e ignoramos também se realmente até o ano de 1873 se manteve a fundação de Constança de Almeida, embora, sem duvida, com tenção diferente da instituição primitiva. O que podemos agora asseverar é que essa instituição há muito que desapareceu e que as casas e a capela passaram a outros proprietários. Foi esta certamente a primeira instituição de beneficência que houve na Madeira, tendo tido uma existencia de cerca de quatro séculos e meio.
Por meados do século XV doou João Gonçalves Zargo uns terrenos junto á capela de São Paulo para a fundação de um hospital, que á custa do povo foi construído por 1469. É a segunda instituição de beneficência que teve o arquipélago. Este hospital, que ali permaneceu poucos anos, foi transferido para a freguesia de Santa Maria Maior e ficou a cargo da confraria da Misericórdia, que então se instituiu nesta cidade e que depois se estabeleceu nas vilas de Machico, Santa Cruz, Calheta e Porto Santo. Do hospital, que mais tarde se mudou para o edifício que actualmente ocupa, e das Misericórdias do Funchal e das cidades vilas nos ocuparemos mais largamente no artigo Misericórdias. Ao hospital de S. Lazaro, cuja fundação data dos princípios do século XVI, já consagrámos um artigo especial neste Elucidário. Do hospital de alienados Manicomio Câmara Pestana nos ocuparemos em outro logar desta obra.
Gonçalo Aires fundou no ultimo quartel do século XV a capela de S. Bartolomeu e, anexa, uma albergaria destinada a clérigos pobres, mas parece que não chegou a ter a aplicação para que foi instituída. (V. o artigo Gonçalo Aires).
2Instituições posteriores
Do recolhimento do Bom Jesus, que também teve e ainda conserva o carácter de uma instituição de beneficência, já dissemos o indispensável no artigo que lhe fica dedicado no logar respectivo. Alguma cousa se dirá também acerca do Recolhimento das Orfãs, fundado em 1725, na altura conveniente desta obra.
No artigo Asilos, tratámos com alguma largueza destas casas de caridade, quer das extintas, quer das que ainda existem, e para ele remetemos o leitor.
A bela instituição de beneficência, que tem por nome Hospício da Princesa D. Maria Amélia, consagrámos já um desenvolvido artigo e nele nos referimos também ao Orfanato que lhe fica anexo.
Embora sob a forma de associação, são verdadeiras instituições de caridade a Associação Protectora dos Pobres, a Associação Protectora dos Estudantes Pobres, a Assistência a Crianças Fracas e o Auxilio Maternal, aos quais já noutro logar fizemos referência.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Constança Rodrigues de Almeida fundou no Funchal a Capela de Santa Catarina e a respetiva mercearia, consideradas a primeira igreja e a primeira instituição de beneficência da Madeira; a data de 1425 está gravada no portal da capela.
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O primeiro hospital do Funchal foi construído a expensas públicas junto da Capela de São Paulo.
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O governador Francisco da Costa Freire fundou o Recolhimento das Órfãs no Funchal, com quatro órfãs.
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Segundo os relatos, a mercearia de Santa Catarina ainda se mantinha em funcionamento e pertencia ao Conde de Castelo Melhor.
Lugar
Lugares mencionados · 08- Calheta
Vila que tinha a sua própria Misericórdia.
A Calheta é uma vila, freguesia e concelho na costa sudoeste da Madeira e um dos povoamentos mais antigos da ilha. O Elucidário aborda o seu nome, os primeiros povoadores, como Pedro Berenguer, a igreja e numerosas capelas, incluindo uma de um antigo convento franciscano, e o motim de 1834.
- Capela de Santa Catarina
Funchal. Capela fundada cerca de 1425, com uma mercearia anexa.
A Capela de Santa Catarina, no Funchal, foi fundada por volta de 1425 por Constança Rodrigues de Almeida, mulher de João Gonçalves Zarco, junto à primeira casa de madeira deste. É considerada a primeira igreja da Madeira, tem a data de 1425 no portal e possuía um albergue anexo para mulheres pobres. O Convento de São Francisco foi construído em frente.
- Capela de São Bartolomeu
Funchal. Capela fundada por Gonçalo Aires, com um albergue para clérigos pobres.
A Capela de São Bartolomeu é um templo no Funchal fundado por Gonçalo Anes (também referido como Gonçalo Aires), que ali foi sepultado. Tinha uma hospedaria para clérigos pobres, e os Jesuítas alojaram-se ali pela primeira vez.
- Capela de São Paulo
Funchal. Local do primeiro hospital, construído cerca de 1469.
Capela construída por Zarco no Funchal, junto da sua casa de pedra. Deu origem à freguesia de São Pedro e foi a sua primeira sede. O primeiro hospital foi construído ao seu lado, cerca de 1469. Deu nome ao largo, à travessa e ao sítio de São Paulo.
- Machico
Vila que tinha a sua própria Misericórdia.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Porto Santo
Tinha a sua própria Misericórdia.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Santa Cruz
Vila que tinha a sua própria Misericórdia.
Santa Cruz é uma freguesia e uma das povoações mais antigas da Madeira. Recebeu o nome de uma cruz que Zarco ali mandou erguer aquando da descoberta. O Elucidário aborda a sua história eclesiástica inicial, a colegiada, as capelas, os povoadores nobres e os sítios da freguesia.
- Santa Maria Maior
Funchal. Freguesia para a qual foi transferido o primeiro hospital.
Freguesia parcialmente urbana na zona oriental do Funchal, a mais antiga do arquipélago, também conhecida como Nossa Senhora do Calhau ou Socorro. A sua igreja é a antiga Igreja de São Tiago, e a freguesia destaca-se pelas bordadeiras que produzem os trabalhos mais finos. Tornou-se um julgado da comarca do Funchal em 1927.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Anotador de Frutuoso, citado pela sua descrição da Mercearia de Santa Catarina.
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Nobre apontado por Azevedo como proprietário da Capela de Santa Catarina e da respetiva mercearia.
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Mulher do descobridor Zarco; fundou cerca de 1425 a Capela de Santa Catarina e a mercearia anexa para mulheres pobres.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista citado a propósito da fundação da Mercearia de Santa Catarina.
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Fundou a Capela de São Bartolomeu e um albergue para clérigos pobres no final do século XV.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor da Madeira que doou um terreno junto da Capela de São Paulo para o primeiro hospital do Funchal.