Jornalismo 1Origens do jornalismo
Jornalismo
Panorama do jornalismo na Madeira, com uma lista cronológica dos jornais publicados na ilha entre 1821 e 1923. Assinala que a Madeira teve o primeiro jornal dos domínios ultramarinos portugueses, O Patriota Funchalense.
1Origens do jornalismo
O nosso patrício Dr. Jordão Apolinário de Freitas publicou há anos, em folha avulsa, uma relação alfabética dos jornais madeirenses, que a empresa do Diário de Noticias desta cidade corrigiu e ampliou com a publicação do opúsculo Resenha Cronológica do Jornalismo Madeirense, do qual nos vamos servir para organizar a lista que damos em seguida, acrescentando os nomes dos jornais que entre nós viram a luz publica desde 1908, ano em que foi publicada aquela Resenha.
Nos domínios coloniais portugueses, isto é fora do continente do reino, foi nesta ilha que viu a luz da publicidade o primeiro Jornal–o Patriota Funchalense (V. este nome), aparecido no ano de 1821. Quando em 1830 saiu nos Açores a primeira publicação periódica, já no Funchal se tinham publicado oito jornais.
«Feita a revolução no Funchal, diz o Dr. Rodrigues de Azevedo em 28 de Janeiro de 1821, o Dr. Nicolau Caetano Bettencourt Pitta projectou o estabelecimento de uma typographia e a publicação de um periódico; foi aquella mandada vir de Lisboa com o typographo Alexandre Gervasio Ferreira; e no dia 2 de Julho do mesmo ano, dia escolhido por ser considerado o do descobrimento da ilha, sahiu o n.° 1 do Patriota Funchalense, de que era redactor o referido Dr. Pitta».
O Patriota Funchalense terminou a sua publicação em Agosto de 1823 e em Fevereiro deste ano começou a sair o Pregador Imparcial da Verdade, da Justiça e da Lei, em Abril o Regedor e no mesmo mês a Atalaia da Liberdade. De cada um destes periódicos e de todos os outros que se publicaram nesta ilha, damos uma rápida noticia nos logares respectivos.
2Relação cronológica dos jornais
1821–O Patriota Funchalense. 1823–O Pregador Imparcial da Verdade, da Justiça e da Lei, O Regedor e A Atalaia da Liberdade. 1827–O Funchalense Liberal e O Defensor da Liberdade. 1828–O Regedor Filho, A Flor do Oceano e O Realista. 1834–A Flor do Oceano. 1838–A Chronica. 1840–O Defensor, O Imparcial, A Chronica e Chronica Official. 1841–O Tribunal Secreto. 1842–O Beija-Flor. 1846–O Echo da Revolução e O Independente. 1847–O Madeirense, Boletim Oficial e O Funchalense. 1849–Correio da Madeira. 1850–O Amigo do Povo e O Archivista. 1851–O Agricultor Madeirense, o Estudo e O Progressista. 1852–A Ordem e O Baratissimo. 1854–Semanário Oficial e O Clamor Publico. 1855–A Discussão. 1856–O Meteoro 1857–A Madeira e O Direito. 1858–A Verdade, A Justiça e A Reforma. 1859–O Funchalense. 1860–A Voz do Povo, A Flor do Oceano e Direito. 1861–A Revista Semanal, A Lei e O Campo Neutro. 1862–A Aurora do Domingo, Boletim Official do Distrito Administrativo do Funchal, A Pátria, A Imprensa e O Noticioso. 1863–O Archivo Litterario e O Recreio. 1864–O Districto do Funchal, O Raio da Madeira e A Tribuna. 1865–O Paiz, O Crepúsculo e Revista Judicial. 1866–Gazeta da Madeira, A Sentinella, O Oficial da Ronda, O Commercio do Funchal e As Novidades. 1867–O Correio do Funchal e A Razão. 1868–A Fusão, A Aurora Litteraria, O Popular, Imprensa Livre e A Voz Publica. 1870–A Liberdade e Revista Jurídica. 1871 - A Regeneração e A Onda. 1872–A Madeira Liberal e A Lâmpada. 1873–O Oriente do Funchal, A Vergasta e A Lei. 1874–Estrella Litteraria, O Paquete e O Popular. 1875–A Verdade, A Aurora Litteraria, A Aurora Liberal, Estrella Academica e O Liberal. 1876–Diário de Noticias. 1877–A Penumbra Litteraria, O Districto do Funchal, Echo de Santa Cruz, Diário do Funchal, Boletim Judicial e O Athleta. 1878–Jornal do Commercio do Funchal, A Ilha da Madeira, Jornal do Funchal, Reflexos, Maceta de Santa Cruz e A Liberdade. 1879–A Lei, O Progresso, Religião e Progresso e A Liberdade. 1880–A Grinalda Madeirense e Diário da Madeira. 1881–A Liga, O Independente, As Novidades e Diário da Tarde. 1882–Diário da Manhã, a Primavera, The Comet e Diário Popular. 1883–O Povo, A Mulher, As Faíscas, A Republica e O Palco. 1884–A Monarchia, o Correio da Manhã e O Academico. 1885–O Domingo Catholico. 1886–Jornal de Noticias, A Epocha e Funchalense. 1887–Jornal da Manhã. 1888–Jornal do Povo e A Lucta. 1889–O Monoculo, O Latego, O Imparcial e O Reclame. 1890–O Combate, O Estudante e A Opinião. 1891–Portugal, A Espora e Diário do Commercio. 1892–O Clamor Popular, Atalaia e A Madeira Liberal. 1893–O Districto. 1894–A Madeira, Boletim Mensal da Obra Diocesana de São Francisco de Salles e O Zé Povo. 1895–A Épocha. 1896–A Voz Publica, A Lucta, O Diário do Commercio, Echo Académico e O Commercio da Madeira. 1897–Correio do Funchal, A Aurora, A Tribuna Academica, A Madeira, Diário Popular e O Recreio. 1898–Trip - Trap e Semana Ilustrada. 1899–A Voz do Operário. 1900–A Academia e Revista Madeirense. 1901–Quinzena Religiosa, O Rebate, O Democrata, Correio da Tarde, A Cruz, e The Madeira Magazine. 1902–A Luz da Madrugada, A Ideia, Debate e Revista Litteraria. 1903–O Democrata. 1904–O Heraldo da Madeira. 1906–Alma Académica, O Jornal, A Pátria, A Risota, O Garoto e A Chacota. 1907–O Povo, Revolucionário, Trabalho e União, Primeiro de Dezembro e Esperança. 1908 - A Voz da Madeira. 1909–Brado d'Oeste e A Sentinella. 1910–Rebelde, Comercio do Funchal Academia. 1911–Radical, Aurora e A Voz do Povo. 1912–Diário da Madeira, A Boa Nova, o Defensor, A Escola, Boletim Eclesiástico da Madeira, A Epocha, O Tempo e A Vida. 1913–O Liberal, a Democracia, Athenista, Alma Nova e A Vida Académica. 1914–A Regeneração, A Esperança e Parochia de Santo Antonio do Funchal. 1915–O Realista, A Verdade e O Independente. 1916–O Chicote, O Imparcial e O Progresso. 1917–O Democrata. 1918–A União, O Desporto, O Madeirense, O Seringa, O Atlantico, O Nacional e O Vigilante. 1919–O Germinal, a Luz, A Esperança, a Sentinella e Gente Nova. 1920–Echos da Madeira, O Operário, O Commercio da Madeira, Os Novos, A Razão e Revista de Direito. 1921–Vida Diocesana. 1922–Correio da Madeira, O Proletário, Terra e Tribuna do Povo. 1923–A Lanterna, O Cacete, Jornal da Madeira e Sport do Funchal.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
A Madeira aderiu à revolução liberal e o regime constitucional foi solenemente proclamado no Funchal, passando a praça a chamar-se Praça da Constituição.
-
O primeiro número de O Patriota Funchalense, o primeiro jornal da Madeira, saiu no Funchal no aniversário da descoberta da ilha.
-
O Patriota Funchalense deixou de ser publicado no número 214.
-
O primeiro periódico açoriano surgiu na Terceira, quando já tinham sido publicados oito no Funchal.
-
O Cónego Alfredo César de Oliveira fundou no Funchal o Diário de Notícias, o primeiro jornal diário da Madeira, cujo primeiro número saiu em 11 de outubro de 1876.
-
A Resenha Cronológica do Jornalismo Madeirense foi organizada sob a direção de João Eleutério Martins e publicada pelo Diário de Notícias.
-
No final de 1923, Luís Vieira de Castro começou a publicar no Funchal o diário Jornal da Madeira.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Açores
Portugal. Arquipélago onde o primeiro periódico só surgiu em 1830, depois de já terem sido publicados oito no Funchal.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Funchal
Cidade onde foram publicados quase todos os jornais madeirenses, a partir de 1821.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Cidade de onde foram trazidos para a Madeira a primeira prensa e o primeiro impressor.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Santa Cruz
Vila com jornais próprios, como o Echo de Santa Cruz (1877).
Santa Cruz é uma freguesia e uma das povoações mais antigas da Madeira. Recebeu o nome de uma cruz que Zarco ali mandou erguer aquando da descoberta. O Elucidário aborda a sua história eclesiástica inicial, a colegiada, as capelas, os povoadores nobres e os sítios da freguesia.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04-
Impressor trazido de Lisboa com a prensa usada para imprimir O Patriota Funchalense em 1821.
- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Historiador citado a propósito da fundação da primeira tipografia e do primeiro jornal madeirenses em 1821.
- Jordão Apolinário de Freitasn. 1866
Estudioso madeirense que publicou numa única folha uma lista alfabética dos jornais madeirenses, base da lista desta entrada.
-
Planeou a primeira tipografia do Funchal e dirigiu O Patriota Funchalense, o primeiro jornal da Madeira, a partir de 1821.