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Caminho de Ferro do Monte 1Concessão e construção
Artigo Nº 0744 Transportes, comunicações e obras públicas Vol. I · pp. 426–428 4 min de leitura

Caminho de Ferro do Monte

História do Caminho de Ferro do Monte, uma linha de cremalheira que ligava o Funchal (Pombal) ao Monte e, mais tarde, ao Terreiro da Luta, desde a concessão em 1887 até à explosão mortal de uma caldeira em 1919, passando pela construção e pelo prolongamento de 1912.

Caminho de Ferro do Monte

1Concessão e construção

Foi Antonio Joaquim Marques, de Lisboa, quem primeiro se lembrou de estabelecer um elevador ou caminho de ferro de cremalheira entre o Funchal e o Monte, tendo a proposta que neste sentido apresentou á camara, sido aceita em sessão de 17 de Fevereiro de 1887. Alguns estudos fêz o engenheiro Raul Mesnier desde 1886 com o fim de estabelecer o plano que melhor conviria seguir na execução da obra, mas como surgissem dificuldades que se não haviam previsto, resolveu-se o referido Marques a transferir para o capitão Manuel Alexandre de Sousa, natural da Madeira, a concessão que obtivera, o que foi permitido pela Camara em sessão de 24 de Julho de 1890.

Em 22 de Janeiro de 1891 foi aprovado pela Camara o projecto para a construção do elevador, achando-se constituída já nessa epoca a Companhia do Caminho de Ferro, em virtude de contrato celebrado com o referido concessionario, e poucos tempos depois começavam as obras no sitio da Confeiteira, onde havia grandes muralhas a levantar. Segundo o contrato celebrado entre a Camara e a emprêsa do Caminho de Ferro, a expropriação dos terrenos necessarios para o estabelecimento da linha ferrea deveria ser feita pela Municipalidade, correndo porém as despesas por conta da mesma Emprêsa, a quem a estrada ficaria pertencendo durante 99 anos, passando depois a ser publica.

O primeiro trôço do Caminho de Ferro, entre o Pombal e a Levada de Santa Luzia, foi inaugurado a 16 de Julho de 1893, e a 5 de Agôsto de 1894 iniciavam-se as viagens entre o Pombal e o Atalhinho, havendo por essa ocasião ruidosos festejos na freguesia do Monte. As obras foram dirigidas a principio pelo capitão Manuel Alexandre de Sousa, fiscal tecnico da Companhia, mas tendo os serviços deste oficial sido dispensados em 29 de Agôsto de 1893, ficou daí em diante a superintendencia das mesmas obras a cargo dos engenheiros civis srs. Anibal e Adriano Trigo, que tiveram de corrigir alguns erros cometidos pelo seu antecessor.

Do relatorio e contas da Direcção do Caminho de Ferro, referentes ao ano de 1894, vê-se que nas obras até ao sitio do Atalhinho, se dispendeu a importante quantia de 44:899$679 réis, sendo 2:229$210 réis no rebaixamento de uma parte da estrada, que tinha uma inclinação superior á que podia ser vencida pelas locomotivas.

2Prolongamento e descrição da linha

Em reunião da assembleia geral da Companhia do Caminho de Ferro do Monte, de 12 de Julho de 1910, foi resolvido prolongar a linha ferrea até o Terreiro da Luta, e em 4 de Agôsto do mesmo ano sancionou a Camara esta deliberação, vindo essa parte da linha e o grande restaurante construído naquele sitio a serem inaugurados no dia 24 de Junho de 1912.

Entre o Pombal e o Monte há 2500 metros de linha ferrea, e entre o Pombal e o Terreiro da Luta 3850.

Dificuldades pecuniarias com que lutou a Companhia do Caminho de Ferro por ocasião da abertura da estrada e do assentamento da linha ferrea até o Monte, obrigaram-na a recorrer ao credito por duas vezes e a não distribuir dividendo pelos accionistas durante largo tempo. Há muito, porém, que a Companhia tem a sua situação regularizada, a pesar dos prezuízos consideraveis que sofreu durante a guerra, com o afastamento da navegação do nosso porto e o prêço exorbitante que atingiu o carvão de pedra (1923).

Estende-se esta linha desde o Pombal, onde se encontra a principal estação e os escritorios da Companhia até o Terreiro da Luta, que é o seu “terminus”, ficando este ponto a cêrca de mil e quinhentos metros de distancia da Igreja Paroquial do Monte e numa altitude de 850 metros acima do nivel do mar. A extensão de tôda a linha é aproximadamente de quatro quilometros, tendo alguns apeadeiros no seu percurso e uma estação no sitio da Fonte. Mantém um serviço de carros para as diversas estações e apeadeiros, que em certos dias se torna mais frequente, quando se dá uma maior afluencia de turistas. No sitio do Terreiro da Luta, no têrmo da linha, donde se disfruta um dos mais maravilhosos panoramas, sustenta a Companhia do Caminho de Ferro um excelente restaurante, magnificamente instalado e que rivaliza com os melhores do seu genero no estrangeiro.

No dia 10 de Setembro de 1919, pouco depois das 6 horas da tarde, deu-se uma grande explosão na caldeira duma das locomotivas do Caminho de Ferro do Monte, na ocasião em que o comboio passava entre a Levada e o Livramento, em viagem ascendente. De cêrca de 56 pessoas que conduziam o carro e a locomotiva, 4 morreram na ocasião da explosão, ficando muito feridas, algumas delas gravemente. Por causa deste desastre estiveram suspensas as viagens para o Monte até 1 de Fevereiro de 1920, o que bastante prejudicou os interêsses da Companhia.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 09
  1. A Câmara do Funchal aceitou a proposta de António Joaquim Marques para construir um caminho de ferro de cremalheira entre o Funchal e o Monte.

  2. A Câmara do Funchal autorizou a transferência da concessão do Caminho de Ferro do Monte para Manuel Alexandre de Sousa.

  3. A Câmara aprovou o projeto de construção do Caminho de Ferro do Monte.

  4. Foi inaugurado o primeiro troço do Caminho de Ferro do Monte, entre o Pombal e a Levada de Santa Luzia.

  5. Foram dispensados os serviços de Manuel Alexandre de Sousa no Caminho de Ferro do Monte.

  6. O Caminho de Ferro do Monte iniciou o serviço entre o Pombal e o Atalhinho, com festejos no Monte.

  7. A companhia do Caminho de Ferro do Monte decidiu prolongar a linha até ao Terreiro da Luta.

  8. Foram inaugurados o prolongamento do Caminho de Ferro do Monte até ao Terreiro da Luta e o respetivo restaurante.

  9. A explosão da caldeira de uma locomotiva do Caminho de Ferro do Monte causou quatro mortos e muitos feridos.

  10. O serviço do Caminho de Ferro do Monte foi retomado após a explosão.

Lugar

Lugares mencionados · 10
Mapa: Madeira (10)
  1. Atalhinho

    Funchal. A linha chegou ao Atalhinho em 1894.

  2. Confeiteira

    Funchal. Local onde as obras começaram com a construção de grandes muros de suporte.

  3. Fonte

    Funchal. Local de uma estação intermédia.

  4. Funchal

    Extremo inferior da linha de caminho de ferro.

  5. Igreja de Nossa Senhora do Monte

    Funchal. Situada a cerca de 1500 m do término da linha.

  6. Levada de Santa Luzia

    Funchal. Termínio do primeiro troço, inaugurado em 1893.

  7. Livramento

    Funchal. Perto do local da explosão de 1919.

  8. Monte

    Funchal. Freguesia servida pelo caminho de ferro.

  9. Pombal

    Funchal. Local da estação principal e dos escritórios da companhia.

  10. Terreiro da Luta

    Funchal. Término da linha a partir de 1912, a 850 m de altitude, com o restaurante da companhia.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. Engenheiro civil que supervisionou as obras do caminho de ferro após 1893, juntamente com Aníbal Trigo.

  2. Engenheiro civil que supervisionou as obras do caminho de ferro após 1893 e corrigiu erros anteriores.

  3. Lisboeta que apresentou a primeira proposta para o caminho de ferro de cremalheira entre o Funchal e o Monte, aceite pela Câmara Municipal em 1887.

  4. Capitão madeirense que assumiu a concessão em 1890 e dirigiu as obras até ser afastado em 1893.

  5. Engenheiro que realizou estudos preliminares para o caminho de ferro do Monte a partir de 1886.

Na folha C

Vistos recentemente

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