Fortificações 1Origens e muros da cidade
Fortificações
Panorama da história das fortificações costeiras da Madeira, desde os primeiros pedidos de construção de uma fortaleza no Funchal, no século XV, até às baterias antissubmarinas construídas em 1916–1917. Enumera os fortes, redutos e baterias construídos em cada período na Madeira e no Porto Santo.
1Origens e muros da cidade
As sedes das duas capitanias da Madeira–Funchal e Machico, foram desde o começo dois centros importantes de comercio e navegação, predominando o Funchal pelo seu amplo porto. João Gonçalves da Câmara, 2.° donatario do Funchal, sabendo do dano que os mouros causavam no alto mar ás embarcações mercantes e temendo um ataque á florescente vila, solicitou da infanta D. Beatriz, tutora de seu filho D. Diogo, e administradora do mestrado de Cristo que se fizesse uma fortaleza para defensão do porto, mas a infanta, pretextando muitas despesas havidas, foi adiando a obra.
D. Manuel, quando duque, providenciou para que se fizesse uma cerca na vila do Funchal, prometendo que depois desta concluída, se passaria a idêntica fortificação na vila de Machico, porém, considerando os encargos que isso traria, foi reduzindo o seu projecto a um baluarte apenas no Funchal, que seria pago por acréscimo do tributo do açúcar e computado em 1:266$ anuais, grossa quantia nessa época, além de um dia de trabalho obrigatório, de que somente teriam escusa os fidalgos.
Os trabalhos de fortificações, começaram somente no reinado de D. Manuel, iniciando-se o baluarte e torreão, dando-lhe impulso as novas contribuições lançadas no reinado de D. João III, especialmente a imposição das carnes, modificando-se depois o projecto de defesa em 1572, que manda se faça fortaleza com três baluartes, se derribem as casas que lhe são impedimento, se cortem os balcões da frontaria do calhau, onde se hão-de construir os muros da cidade com cinco portas–duas ao sul para o mar, uma a leste e duas a oeste, correndo as muralhas entre as ribeiras de João Gomes e de S. Francisco (hoje de S. João), a entestarem nos morros da Pena e do Pico dos Frias.
O ataque dos corsários á cidade em 1566, feito pela Praia Formosa, fez com que se olhasse para a defesa da costa, trabalhando-se nos entrincheiramentos em pontos que dominavam o mar, nas rochas a cavaleiro sobre as povoações e que se chamavam fortes roqueiros, a cargo das vigias e superintendência dos capitãis-cabos & os portos se empossebillytaram asy & da maneyra que se fez de camara dellobos atee a cidade.
2Fortes do domínio filipino a 1917
No domínio filipino modificaram-se as regras da defesa consoante o traçado poligonal e foram conseguidos os fortes de S. Tiago, S. Felipe, Loures e Penha de França, e iniciada a Fortaleza do Pico, no Funchal, S. Roque em Machico e Castelo do Pico na ilha do Porto Santo.
No período da Restauração e século XVII se fizeram o reduto de Santo Antonio da Alfândega, Santa Catarina e a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição do Ilhéu, e se aumentaram os muros da cidade para leste, a entestarem com a fortaleza de S. Tiago.
No século XVIII se construíram os fortes de S. Pedro e S. José da Pontinha, no Funchal; na costa até Câmara de Lobos, os do Gorgulho, Engenhoca, Nossa Senhora da Ajuda, Praia Formosa, Nossa Senhora da Vitoria, Pastel e S. Sebastião, em Câmara de Lobos; o de S. Bento, na Ribeira Brava; os da Madalena do Mar, Ponta do Sol e Calheta; a fortaleza de Santo Antonio, no Paul do Mar; o forte do Porto do Moniz; o do Faial, o da Entroza, na Boaventura, o da Terrachã, em S. Vicente, o de S. Jorge e o do Arco de S. Jorge; o do Porto da Cruz; o reduto do Caniçal; os fortes de S. João Baptista e Nossa Senhora do Amparo, em Machico; os de S. Francisco, S. Lazaro e Nossa Senhora da Graça, em Santa Cruz; o fortim da foz da Ribeira do Porto Novo; o dos Reis Magos e o da Ribeira do Caniço; e o forte de S. José, na ilha do Porto Santo.
No século XIX se fizeram a bataria das Fontes, em frente de S. Lourenço, o reduto do Seixo, em Água de Pena, o Forte do Porto Novo, no Caniço, e o reduto do Pico de S. João.
Finalmente em 1916 se construiu a bataria da Quinta Vigia, e em 1917 a da Montanha, para a defesa da cidade, contra os submarinos.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Corsários huguenotes franceses comandados por Montluc, guiados por Gaspar Caldeira, desembarcaram na Praia Formosa e saquearam o Funchal. Tomaram de assalto a fortaleza de São Lourenço e profanaram a Sé e o convento de Santa Clara, cujas freiras fugiram para o Curral; Gaspar de Braga morreu a resistir-lhes. O ataque, ocorrido durante a capitania de Francisco Gonçalves da Câmara, levou à construção de novas fortificações costeiras.
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O plano de defesa do Funchal foi revisto, passando a prever uma fortaleza com três baluartes e muralhas com cinco portas.
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A bateria da Quinta Vigia foi construída no Funchal para defesa contra submarinos.
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A bateria da Montanha foi construída para defender o Funchal contra submarinos.
Lugar
Lugares mencionados · 19- Fortificações · Assunto
Calheta
Panorama da história das fortificações costeiras da Madeira, desde os primeiros pedidos de construção de uma fortaleza no Funchal, no século XV, até às baterias antissubmarinas construídas em 1916–1917. Enumera os fortes, redutos e baterias construídos em cada período na Madeira e no Porto Santo.
- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Trecho de costa fortificado em direção ao Funchal.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Caniço
Santa Cruz. Local dos fortes dos Reis Magos e do Porto Novo.
O Caniço é uma freguesia do concelho de Santa Cruz, situada na fronteira entre as capitanias do Funchal e de Machico. Entre os seus primeiros povoadores contavam-se Gaspar Rego, Vasco Fernandes Rego e Álvaro de Ornelas, cuja família aí instituiu morgados; o seu alcaide e juiz eram nomeados pelo Senado do Funchal. Na freguesia encontram-se a estátua do Garajau, a residência dos Jesuítas no Socorro e a Quinta do Barão da Conceição.
- Fortaleza do Ilhéu
Funchal. Fortaleza do século XVII.
A Fortaleza do Ilhéu é uma fortaleza do século XVII no Funchal. Em 1844, recebeu os presos políticos do brigue Douro e disparou sobre a barca Tybumia, que fugia. Forster afirmou que os navios de Cook a bombardearam em 1768, e planeou-se decorá-la com fogo de artifício e iluminações para o Quinto Centenário.
- Fortaleza do Pico
Funchal. Fortaleza cuja construção começou durante o domínio filipino.
Fortaleza acima do Funchal, na freguesia de São Pedro, começada durante o domínio filipino (espanhol) e concluída após a Restauração, que contém a capela profanada de São João. Foi estabelecida como marco dos limites da cidade em 1809 e serviu durante muito tempo como local de reclusão: ali estiveram detidos o governador deposto em 1668, 16 presos da Alçada de 1828 e os presos trazidos do cúter Andorinha em 1844. Foi cedida em 1888 e novamente proposta em 1909 para servir de cadeia, mas o custo dessa utilização levou à transferência do projeto para São Lázaro.
- Forte de São Tiago
Funchal. Forte construído durante o domínio filipino.
Forte do Funchal, na Madeira, construído durante o domínio filipino. O seu marco geodésico serviu de origem das coordenadas da triangulação de 1914, perto do local das observações americanas de 1892.
- Funchal
Principal porto e centro das obras de fortificação.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Machico
Sede da outra capitania, também fortificada.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Paul do Mar
Calheta. Local da fortaleza de Santo António.
O Paul do Mar é uma freguesia da costa sudoeste da Madeira, criada em 1676 a partir do Estreito da Calheta. É um porto de pesca servido pela antiga levada do Rabaçal, onde se cultiva malvasia e onde se assinalou uma incidência muito elevada de tracoma. Teve a fortaleza de Santo António, uma banda e salinas instaladas por volta de 1865, posteriormente abandonadas por falta de rentabilidade.
- Pico dos Frias
Funchal. Elevação onde as muralhas deveriam terminar.
Monte acima do Funchal, assim chamado por Romeu Frias, onde se ergue a fortaleza do Pico (Castelo de São João do Pico). Marcava o limite norte da vila primitiva, e a muralha ocidental da cidade deveria terminar no seu rochedo. A primeira casa de pedra de Zarco ficava no sopé. Perto da fortaleza existiu uma residência de campo dos jesuítas, mais tarde vendida por 9 contos.
- Porto Moniz
Local de um forte do século XVIII.
Freguesia e concelho do noroeste, com um cais e um porto razoável que oferece boas condições de desembarque quando os ventos do sul impedem o acesso à Costa Sul. Tem uma das mais antigas capelas dedicadas a Santa Maria Madalena no norte da Madeira, cuja festa se celebra a 22 de julho. Foi a terra natal do Dr. Manuel Gomes Jardim.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05-
Infanta, tutora do duque Diogo e administradora da Ordem de Cristo, que adiou a construção da fortaleza.
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Filho da infanta D. Beatriz, senhor da Madeira sob a tutela da mãe.
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Rei cujos novos impostos financiaram as obras de fortificação.
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Como duque e, mais tarde, rei, mandou construir o primeiro baluarte e as muralhas do Funchal.
- João Gonçalves da Câmara1414–1501
Segundo capitão-donatário do Funchal, que pediu a construção de uma fortaleza para defender o porto.