Faja da Ovelha (Freguesia da) 1Nome e origem da freguesia
Faja da Ovelha (Freguesia da)
Verbete sobre a freguesia da Fajã da Ovelha, no concelho da Calheta, no oeste da Madeira. Aborda a origem do nome da freguesia, a sua formação a partir da Capela de São Lourenço e a construção da nova igreja no século XVIII, e enumera os seus sítios, ribeiras, levadas e naturais ilustres.
1Nome e origem da freguesia
Há nesta paróquia um sítio que desde os tempos primitivos da colonização conserva o nome de Fajã da Ovelha, que depois se estendeu aos terrenos circunvizinhos e mais tarde a toda a freguesia. É cousa vulgar que um simples episódio, uma circunstancia ocasional ou um facto de pequena monta tenha justificado a existência dum nome aplicado a determinado sítio ou lugar, que depois se venha a converter num centro populoso ou numa importante localidade. Semelhantemente teria acontecido com o nome desta freguesia, como já fizemos notar no artigo consagrado á paróquia do Estreito da Calheta.
Afirma o douto anotador das Saudades da Terra que esta freguesia só começou a chamar-se da Fajã da Ovelha, quando, nos principios do século XVIII, foi autorizada a construção dum novo templo, que poucos anos depois se erigiu no sítio que então tinha e hoje tem ainda aquele nome. Discordamos desta opinião, embora muito autorizada, pelos motivos que rapidamente vamos apresentar. É certo que esta paróquia teve a sua sede durante quasi dois séculos na capela de S. Lourenço, no sítio deste nome, e que por meados do século XVIII se mudou para a nova igreja construída no sítio da Fajã da Ovelha, mas nunca foi conhecida pelo nome de freguesia de S. Lourenço, como era natural que fosse, se porventura não tivesse outro nome, como na verdade tinha. O mais antigo diploma respeitante a esta paroquia, citado no Índex Geral do registo da antiga Provedoria da Real Fazenda e nas Memorias sobre a creaçâo e augmento do estado eclesiástico na ilha da Madeira é de 1553, e já nele se faz referência á igreja da freguesia da Fajã da Ovelha, que era o nome pelo qual já era então conhecida. Não sendo S. Lourenço nem Fajã da Ovelha, que nome teria em época anterior ao século XVIII? Não se conhece. Daqui logicamente inferimos que esta freguesia teve sempre o nome de Fajã da Ovelha, desde os primitivos tempos da colonização, ou, ainda mais rigorosamente, desde a época em que ali se estabeleceu a sede duma nova paróquia.
Como quasi todas as freguesias desta ilha, teve a Fajã da Ovelha seu princípio numa capela bastante antiga que ali existia e em torno da qual se foi formando um núcleo importante de população. Era a capela de S. Lourenço, que antes da criação da paróquia tinha já seu capelão privativo, sendo o seu ultimo capelão e primeiro pároco o padre Antonio Enes.
2Curato, paróquia e nova igreja
A criação desta freguesia como curato é anterior a 1553, pois que o alvará régio de 11 de Abril deste ano acrescentou á primitiva côngrua do cura ou capelão-curado, que era de 9 000 réis mensais, um moio de trigo e um quarto de vinho. O alvará de 26 de Julho de 1559 fez novo acrescentamento ao vencimento do sacerdote que ali exercia as funções paroquiais. Pouco antes de 1573 é que verdadeiramente a Fajã da Ovelha se constituiu paróquia autónoma e passou o capelão-curado a gozar as honras e privilégios de vigário. Um diploma de 6 de Julho deste ano fixou a côngrua anual do pároco em 20.000 réis e outro de 3 de Junho de 1687 elevou-a a 25.000 réis em dinheiro e um moio e meio de trigo e uma pipa de vinho.
Com o desenvolvimento da população foi nesta freguesia criado um curato, pelos fins do século XVIII.
A capelania-curada e a paróquia tiveram a sua sede, como já dito fica, na capela de S. Lourenço e ali permaneceram até o segundo quartel do século XVIII. O alvará da infanta D. Catarina, regente do reino, de 27 de Junho de 1705, autorizou a construção dum novo templo e a sua mudança para o local que fosse julgado mais apropriado para esse fim e em harmonia com os desejos manifestados pelo povo, depois das mais reiteradas instâncias do respectivo pároco de então. A pesar disso, a edificação da nova igreja só se realizou alguns anos mais tarde, sendo escolhido o sítio da Fajã da Ovelha como o lugar que melhor satisfazia ás condições exigidas para essa construção. O mandado do Conselho da Fazenda de 24 de Janeiro de 1747 (e não 1737 como dizem as Saudades) deu a obra de arrematação ao carpinteiro Francisco Gomes pela importância de 6:350$000 réis. Ignoramos quando se concluíram as obras e quando se procedeu á benção da nova igreja.
Quando esta paróquia era ainda capelania-curada, dela se desmembrou a freguesia da Ponta do Pargo e mais tarde a dos Prazeres, constituída em parte por terrenos da Fajã da Ovelha e parte do Estreito da Calheta.
3Sítios principais
Lombada dos Marinheiros, Lombo dos Falcões, Eirinhas, Farrobo, Massapês, Fajã da Ovelha, S. João, Casais da Serra, S. Lourenço, Lombada dos Cedros, Raposeira do Serrado, Raposeira do Logarinho e Maloeira.
O pico da Maloeira, a rocha da Raposeira do Logarinho e as ribeiras dos Cedros e dos Marinheiros merecem referência especial pelo pitoresco que oferecem ao visitante e belos panoramas que dali se desfrutam.
Atravessam esta freguesia as ribeiras da Inez, que a separa dos Prazeres e as da Cova, da Chã, dos Cedros, de S. João, dos Falcões e dos Marinheiros. Por algumas destas ribeiras são alimentadas as levadas da Cova, do Ribeiro Chão, Moinhos e Fonte do Folhado, que irrigam esta freguesia, além da do Rabaçal. Há fundadas esperanças de que dentro de poucos anos se fará a tiragem duma extensa e abundante levada, que se destina á irrigação desta e doutras freguesias do concelho da Calheta.
No livro do engenheiro de minas Eugenio Ackermann, intitulado L'Ile Madère considerée au point de vue scientifique, se faz referência ao minério de manganés encontrado nesta freguesia, dando-se ali uma pequena analise da proporção dos elementos que o compõem. Parece que tem pouco valor industrial.
Tem 2757 habitantes e é S. João o orago da sua igreja paroquial. O novo cemitério foi benzido e inaugurado em Março de 1910.
Esta freguesia tem uma escola oficial para cada sexo, e a sede dum partido medico que abrange esta paróquia e as da Ponta do Pargo, Paul do Mar e Prazeres.
São naturais desta freguesia o padre Antonio Gomes Neto (V. este nome), o cónego Antonio Joaquim Jardim, que muito se notabilizou como orador sagrado e que sendo partidário das ideias liberais esteve alguns anos preso durante o governo absolutista, e Augusto César de Gouveia, que pelo seu desinteresse, prestigio, ilustração e génio empreendedor prestou a esta paróquia assinalados e reconhecidos serviços.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
Uma carta régia aumentou a côngrua do cura da Fajã da Ovelha; é o documento mais antigo conhecido que menciona o nome da freguesia.
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Uma carta régia voltou a aumentar a côngrua do sacerdote da Fajã da Ovelha.
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A côngrua do vigário da recém-criada freguesia independente da Fajã da Ovelha foi fixada em 20 000 réis.
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A côngrua do vigário da Fajã da Ovelha foi aumentada para 25 000 réis, acrescidos de trigo e vinho.
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Uma carta da regente Infanta D. Catarina autorizou a construção de uma nova igreja paroquial na Fajã da Ovelha, num local mais adequado.
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O Conselho da Fazenda adjudicou ao carpinteiro Francisco Gomes a construção da nova igreja da Fajã da Ovelha.
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O novo cemitério da Fajã da Ovelha foi benzido e aberto.
Lugar
Lugares mencionados · 32- Fajã da Ovelha · Assunto
Calheta. Sítio original cujo nome se estendeu a toda a freguesia e onde se situa a nova igreja.
A Fajã da Ovelha é uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira. Formou-se a partir da Capela de São Lourenço, e a sua nova igreja foi construída no século XVIII. É irrigada pela antiga Levada do Rabaçal, inclui o Pico da Fonte do Bispo nas suas zonas altas e é conhecida por produzir alguns dos melhores pêssegos da Madeira.
- Calheta
Concelho a que pertence a freguesia.
A Calheta é uma vila e concelho no oeste da Madeira, criado por carta régia de 1 de julho de 1502. Mais tarde, tornou-se sede de um condado concedido aos capitães do Funchal e foi reorganizado como concelho em 1835.
- Capela de São Lourenço
Calheta. Antiga capela que serviu de sede da freguesia durante quase dois séculos.
As notas reúnem duas capelas de São Lourenço. Uma é uma antiga capela na Fajã da Ovelha que serviu de sede da paróquia durante quase dois séculos. A outra foi construída em 1635 no interior da Fortaleza de São Lourenço, no Funchal, à qual deu o nome; a procissão de Santa Bárbara partia dali, a capela chegou a albergar a sua imagem e integrou o palácio, mas desapareceu no terceiro quartel do século XIX.
- Casais da Serra
Calheta. Um dos principais sítios da freguesia.
Um dos principais sítios da freguesia.
- Estreito da Calheta
Calheta. Freguesia vizinha cujo verbete aborda uma origem semelhante de topónimos; parte do seu território também passou a integrar os Prazeres.
O Estreito da Calheta é uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira, delimitada pela Ribeira de São Bartolomeu e pela Ribeira Funda. A sua igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça foi fundada pela família França, e o verbete aborda os primeiros proprietários, as capelas, os sítios, as escolas e a irrigação pela Levada Nova do Rabaçal; os Prazeres foram separados da freguesia em 1733.
- Levada do Rabaçal
Calheta. Levada que também irriga a freguesia.
A Levada do Rabaçal é uma gigantesca levada do Estado que irriga as freguesias ocidentais do concelho da Calheta, incluindo Arco da Calheta, Estreito da Calheta, Prazeres, Fajã da Ovelha e Ponta do Pargo. Uma lei de 1849 autorizou o governo a concluí-la; o Conselheiro José Silvestre Ribeiro promoveu especialmente a sua construção, e António Maria Fontes Pereira de Melo visitou as obras.
- Levada dos Moinhos
Funchal. Levada que irriga a freguesia.
A Levada dos Moinhos é uma antiga levada do Funchal que outrora movia os moinhos de água dos capitães-donatários. Pertence quase inteiramente à Câmara e é utilizada na limpeza e na rega da cidade. Foi uma das fundadoras da Liga das Levadas.
+ 20 mais
- Lombada dos Cedros
- Lombada dos Marinheiros
- Lombo dos Falcões
- Maloeira
- Massapês
- Paul do Mar
- Pico da Maloeira
- Ponta do Pargo
- Prazeres
- Raposeira do Lugarinho
- Raposeira do Serrado
- Ribeira da Chã
- Ribeira da Cova
- Ribeira da Inês
- Ribeira de São João
- Ribeira dos Cedros
- Ribeira dos Falcões
- Ribeira dos Marinheiros
- São João
- São Lourenço
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Anotador das Saudades da Terra, cuja opinião sobre a origem do nome da freguesia o autor contesta; o verbete não o identifica pelo nome, sendo aqui identificado como o conhecido anotador dessa obra.
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Último capelão da Capela de São Lourenço e primeiro pároco da Fajã da Ovelha.
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Sacerdote natural da Fajã da Ovelha com verbete próprio no Elucidário.
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Cónego natural da freguesia e pregador de renome; por ser liberal, esteve preso durante alguns anos sob o governo absolutista.
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Natural da freguesia, à qual prestou serviços notáveis e amplamente reconhecidos.
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Infanta e regente do reino cuja carta de 1705 autorizou a construção de uma nova igreja paroquial.
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Engenheiro de minas e autor de L'Ile Madère, obra que analisa o minério de manganês encontrado na freguesia.
- Francisco Gomesm. 1855
Carpinteiro a quem foi adjudicada, em 1747, a construção da nova igreja, por 6 350 000 réis.