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Prazeres (freguesia dos) 1Origem e história da paróquia
Artigo Nº 3004 Freguesia Calheta Vol. III · pp. 247–248 5 min de leitura

Prazeres (freguesia dos)

Freguesia da zona da Calheta, no oeste da Madeira, cujo nome provém de uma antiga ermida de Nossa Senhora dos Prazeres. Foi criada em 1676, extinta em 1700, restabelecida como curato em 1733 e, mais tarde, voltou a ser autónoma.

Prazeres (freguesia dos)
Mapa: Madeira (21)

1Origem e história da paróquia

Nos tempos antigos da colonização e ainda muito depois, ergueram-se não poucas capelas em vários sítios desta ilha, dando geralmente os seus nomes a esses sítios, os quais constituíam muitas vezes importantes núcleos de população e foram a origem de futuras paroquias. Daí vem que todas as freguesias da Madeira que conservam um nome de carácter religioso, tiram essa denominação de capelas já existentes, que depois se transformaram em igrejas paroquiais. O mesmo acontece com a freguesia dos Prazeres, cujo nome lhe provém de uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, ali edificada muito anteriormente á criação da paroquia. É de presumir que a primitiva ermida fosse conhecida pelo nome de capela dos Prazeres, e, assim, simplificada esta denominação, passasse a ser a da nova freguesia.

Os terrenos que constituem a parte mais considerável da freguesia dos Prazeres pertenceram primitivamente á paroquia do Estreito da Calheta. Desta se desmembraram para formar, juntamente com alguns casais da Fajã da Ovelha, uma freguesia independente, criada pelo alvará régio de 28 de Dezembro de 1676. Por 1684 é que se instalou a nova paroquia, que teve como sede a capela de Nossa Senhora dos Prazeres. Foram parocos dela o padre Manuel Dias Pinheiro (1684-1692), Francisco Correia da Silva (1692-1693) e José Cordeiro de Andrade (1693-1700). Neste ano de 1700, foi extinta a freguesia dos Prazeres ou ao menos suspenso uma parte do serviço paroquial que ali se fazia, passando a ser desempenhado na igreja do Estreito da Calheta, a cuja paroquia ficaram agregados os casais da freguesia dos Prazeres. Não descobrimos os motivos que determinaram esta medida, que nos parece estranha, mas que na realidade se deu. Teve, porém, um capelão privativo que ali celebrava alguns dos actos do culto.

Trinta e três anos depois, pelo alvará de 12 de Novembro 1733, foi criada o curato de Nossa Senhora dos Prazeres, que ficou então na dependência da freguesia do Paul do Mar. A única freguesia que sabemos ter sido extinta nesta diocese e a breve trecho restaurada como paroquia foi a de São Pedro, desta cidade, mas, duma freguesia autónoma que houvesse sido suprimida e passasse depois á categoria subalterna de curato, só temos conhecimento da dos Prazeres.

2Igreja, paisagem e sítios

Como aconteceu com o Jardim do Mar, Achadas da Cruz, e ainda outros, o curato dos Prazeres foi-se gradualmente libertando da dependência em que se encontrava da respectiva igreja matriz e passou depois a constituir uma freguesia autónoma, em ano que não podemos determinar. É ocasião de dizer aqui que as ultimas paroquias que nesta diocese tiveram o nome de curatos, como as do Curral das Freiras, Achadas da Cruz, Prazeres, etc., eram, nos últimos tempos, verdadeiras freguesias autónomas, sem dependência das paroquias de que tinham sido desmembradas, embora conservassem a tradicional denominação de curatos. Pouco antes de 1880, começaram os sacerdotes que exerceram funções paroquiais nos Prazeres a assinar como párocos os respectivos documentos oficiais, tendo sido o primeiro vigario colado, no ano de 1881, o padre João António Marcial. A antiga e primitiva capela ficava no sitio da Estacada, à margem da estrada, e dela não restam vestígios, sendo demolida quando se procedeu á edificação da actual igreja paroquial. Em 1745, foram dadas de arrematação as obras do novo templo por 4.100$000 réis, mas esta construção só começou alguns anos depois, tendo sido lançada e benzida a primeira pedra a 9 de Setembro de 1751 e dizendo-se no respectivo alvará de licença que a antiga igreja era «pequena e incapaz de servir». No ano de 1922, sofreu uma profunda modificação com o alargamento do corpo principal do edifício, a construção duma torre e de duas sacristias, dando-se-lhe deste modo mais amplas proporções. Foi neste templo que no mês de Dezembro de 1827 se deu um sacrílego desacato com o roubo do vaso sagrado que continha a Sagrada Eucaristia, o que causou uma grande sensação em toda a ilha, tendo-se, por esse motivo, realizado muitos actos de desagravo em todas as igrejas da diocese.

É a freguesia dos Prazeres uma das menos conhecidas desta ilha, mas é indubitavelmente uma das mais pitorescas. O Padre Fernando Augusto de Pontes refere-se a esta paroquia nos seguintes termos: «Ao longe a ondulação das montanhas estampa-se no azul do céo e os carreiros tortuosos dos trilhos e veredas cortam as eminencias em direcções diferentes. Ao perto, a vegetação é tapete que se desdobra por tôda a parte. As estradas são alinhadas de buxo e louros, e o ar bastante puro. Não é para calar a beleza arrebatadora que se goza do viso duma montanha á beira do mar – o Assomadouro. Lá em baixo, fica á esquerda uma povoação cujas habitações se ocultam quasi sob a vegetação que as abafa: é o Jardim do Mar. Á direita há outra freguesia – é o Paul do Mar. E que belo que é o casario em pinha á beira das aguas, no Paúl.»

Principais sítios: Lombo do Coelho, Lombo da Velha, Estacada, Picos, Lombo da Rocha, Carreira, Referta e Jardim Pelado.

Tem esta freguesia as levadas do Ribeiro de Inês, da Ribeira do Batel e da Ribeira da Lombada, sendo atravessada e irrigada pela Levada do Rabaçal. Tem uma escola oficial do sexo masculino. A sua população é de 1251 indivíduos. (1921)

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 10
  1. Na sequência da resolução do príncipe regente de outubro de 1676, cartas régias de D. Pedro II, datadas de 28 de dezembro de 1676, criaram várias freguesias e curadorias, incluindo as do Paul do Mar, Prazeres, Santa Luzia, Camacha, Serra de Água, Arco de São Jorge, Achadas da Cruz, Estreito e Arco da Calheta; foram extintos benefícios da colegiada de Câmara de Lobos para financiar algumas delas.

  2. A nova freguesia dos Prazeres foi instalada na capela de Nossa Senhora dos Prazeres.

  3. A freguesia dos Prazeres foi extinta e reintegrada no Estreito da Calheta.

  4. Um alvará criou a cura dos Prazeres, separando-a do Estreito da Calheta e subordinando-a ao Paul do Mar.

  5. A obra da nova igreja dos Prazeres foi posta a concurso por 4 100 000 réis.

  6. Foi lançada e benzida a primeira pedra da igreja paroquial dos Prazeres.

  7. O roubo da píxide com a Eucaristia da igreja dos Prazeres causou sensação em toda a Madeira.

  8. O Padre João António Marcial tornou-se o primeiro vigário colado dos Prazeres.

  9. O censo de 1921 registou a população das freguesias da Madeira, incluindo 4 083 habitantes na Sé, 3 107 em Santana e 7 061 em São Pedro.

  10. A igreja paroquial dos Prazeres foi ampliada e recebeu uma torre e duas sacristias.

Lugar

Lugares mencionados · 21
  1. Prazeres · Assunto

    Calheta. Tema da entrada.

  2. Achadas da Cruz

    Porto Moniz. Antigo curato citado como caso semelhante.

  3. Assomadouro

    Calheta. Miradouro junto ao mar, elogiado pela sua paisagem.

  4. Carreira

    Calheta. Um dos principais sítios da freguesia.

  5. Curral das Freiras

    Câmara de Lobos. Antigo curato citado como caso semelhante.

  6. Estacada

    Calheta. Local da capela primitiva.

  7. Estreito da Calheta

    Calheta. Freguesia de que os Prazeres foram separados e à qual voltaram a pertencer em 1700.

  8. Fajã da Ovelha

    Calheta. Alguns dos seus fogos foram incluídos na nova freguesia em 1676.

  9. Jardim do Mar

    Calheta. Antigo curato que também se tornou autónomo; é visível do Assomadouro.

  10. Jardim Pelado

    Calheta. Um dos principais sítios da freguesia.

  11. Levada da Ribeira da Lombada

    Calheta. Uma das levadas da freguesia.

  12. Levada da Ribeira do Batel

    Calheta. Uma das levadas da freguesia.

+ 9 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. Padre cuja descrição da paisagem dos Prazeres é citada na entrada.

  2. Pároco dos Prazeres (1692–1693).

  3. Primeiro vigário colado dos Prazeres, instituído em 1881.

  4. Pároco dos Prazeres (1693–1700), o último antes da supressão da freguesia.

  5. Primeiro pároco dos Prazeres (1684–1692).

Na folha P

Vistos recentemente

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