Prazeres (freguesia dos) 1Origem e história da paróquia
Prazeres (freguesia dos)
Freguesia da zona da Calheta, no oeste da Madeira, cujo nome provém de uma antiga ermida de Nossa Senhora dos Prazeres. Foi criada em 1676, extinta em 1700, restabelecida como curato em 1733 e, mais tarde, voltou a ser autónoma.
1Origem e história da paróquia
Nos tempos antigos da colonização e ainda muito depois, ergueram-se não poucas capelas em vários sítios desta ilha, dando geralmente os seus nomes a esses sítios, os quais constituíam muitas vezes importantes núcleos de população e foram a origem de futuras paroquias. Daí vem que todas as freguesias da Madeira que conservam um nome de carácter religioso, tiram essa denominação de capelas já existentes, que depois se transformaram em igrejas paroquiais. O mesmo acontece com a freguesia dos Prazeres, cujo nome lhe provém de uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, ali edificada muito anteriormente á criação da paroquia. É de presumir que a primitiva ermida fosse conhecida pelo nome de capela dos Prazeres, e, assim, simplificada esta denominação, passasse a ser a da nova freguesia.
Os terrenos que constituem a parte mais considerável da freguesia dos Prazeres pertenceram primitivamente á paroquia do Estreito da Calheta. Desta se desmembraram para formar, juntamente com alguns casais da Fajã da Ovelha, uma freguesia independente, criada pelo alvará régio de 28 de Dezembro de 1676. Por 1684 é que se instalou a nova paroquia, que teve como sede a capela de Nossa Senhora dos Prazeres. Foram parocos dela o padre Manuel Dias Pinheiro (1684-1692), Francisco Correia da Silva (1692-1693) e José Cordeiro de Andrade (1693-1700). Neste ano de 1700, foi extinta a freguesia dos Prazeres ou ao menos suspenso uma parte do serviço paroquial que ali se fazia, passando a ser desempenhado na igreja do Estreito da Calheta, a cuja paroquia ficaram agregados os casais da freguesia dos Prazeres. Não descobrimos os motivos que determinaram esta medida, que nos parece estranha, mas que na realidade se deu. Teve, porém, um capelão privativo que ali celebrava alguns dos actos do culto.
Trinta e três anos depois, pelo alvará de 12 de Novembro 1733, foi criada o curato de Nossa Senhora dos Prazeres, que ficou então na dependência da freguesia do Paul do Mar. A única freguesia que sabemos ter sido extinta nesta diocese e a breve trecho restaurada como paroquia foi a de São Pedro, desta cidade, mas, duma freguesia autónoma que houvesse sido suprimida e passasse depois á categoria subalterna de curato, só temos conhecimento da dos Prazeres.
2Igreja, paisagem e sítios
Como aconteceu com o Jardim do Mar, Achadas da Cruz, e ainda outros, o curato dos Prazeres foi-se gradualmente libertando da dependência em que se encontrava da respectiva igreja matriz e passou depois a constituir uma freguesia autónoma, em ano que não podemos determinar. É ocasião de dizer aqui que as ultimas paroquias que nesta diocese tiveram o nome de curatos, como as do Curral das Freiras, Achadas da Cruz, Prazeres, etc., eram, nos últimos tempos, verdadeiras freguesias autónomas, sem dependência das paroquias de que tinham sido desmembradas, embora conservassem a tradicional denominação de curatos. Pouco antes de 1880, começaram os sacerdotes que exerceram funções paroquiais nos Prazeres a assinar como párocos os respectivos documentos oficiais, tendo sido o primeiro vigario colado, no ano de 1881, o padre João António Marcial. A antiga e primitiva capela ficava no sitio da Estacada, à margem da estrada, e dela não restam vestígios, sendo demolida quando se procedeu á edificação da actual igreja paroquial. Em 1745, foram dadas de arrematação as obras do novo templo por 4.100$000 réis, mas esta construção só começou alguns anos depois, tendo sido lançada e benzida a primeira pedra a 9 de Setembro de 1751 e dizendo-se no respectivo alvará de licença que a antiga igreja era «pequena e incapaz de servir». No ano de 1922, sofreu uma profunda modificação com o alargamento do corpo principal do edifício, a construção duma torre e de duas sacristias, dando-se-lhe deste modo mais amplas proporções. Foi neste templo que no mês de Dezembro de 1827 se deu um sacrílego desacato com o roubo do vaso sagrado que continha a Sagrada Eucaristia, o que causou uma grande sensação em toda a ilha, tendo-se, por esse motivo, realizado muitos actos de desagravo em todas as igrejas da diocese.
É a freguesia dos Prazeres uma das menos conhecidas desta ilha, mas é indubitavelmente uma das mais pitorescas. O Padre Fernando Augusto de Pontes refere-se a esta paroquia nos seguintes termos: «Ao longe a ondulação das montanhas estampa-se no azul do céo e os carreiros tortuosos dos trilhos e veredas cortam as eminencias em direcções diferentes. Ao perto, a vegetação é tapete que se desdobra por tôda a parte. As estradas são alinhadas de buxo e louros, e o ar bastante puro. Não é para calar a beleza arrebatadora que se goza do viso duma montanha á beira do mar – o Assomadouro. Lá em baixo, fica á esquerda uma povoação cujas habitações se ocultam quasi sob a vegetação que as abafa: é o Jardim do Mar. Á direita há outra freguesia – é o Paul do Mar. E que belo que é o casario em pinha á beira das aguas, no Paúl.»
Principais sítios: Lombo do Coelho, Lombo da Velha, Estacada, Picos, Lombo da Rocha, Carreira, Referta e Jardim Pelado.
Tem esta freguesia as levadas do Ribeiro de Inês, da Ribeira do Batel e da Ribeira da Lombada, sendo atravessada e irrigada pela Levada do Rabaçal. Tem uma escola oficial do sexo masculino. A sua população é de 1251 indivíduos. (1921)
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 10-
Na sequência da resolução do príncipe regente de outubro de 1676, cartas régias de D. Pedro II, datadas de 28 de dezembro de 1676, criaram várias freguesias e curadorias, incluindo as do Paul do Mar, Prazeres, Santa Luzia, Camacha, Serra de Água, Arco de São Jorge, Achadas da Cruz, Estreito e Arco da Calheta; foram extintos benefícios da colegiada de Câmara de Lobos para financiar algumas delas.
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A nova freguesia dos Prazeres foi instalada na capela de Nossa Senhora dos Prazeres.
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A freguesia dos Prazeres foi extinta e reintegrada no Estreito da Calheta.
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Um alvará criou a cura dos Prazeres, separando-a do Estreito da Calheta e subordinando-a ao Paul do Mar.
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A obra da nova igreja dos Prazeres foi posta a concurso por 4 100 000 réis.
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Foi lançada e benzida a primeira pedra da igreja paroquial dos Prazeres.
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O roubo da píxide com a Eucaristia da igreja dos Prazeres causou sensação em toda a Madeira.
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O Padre João António Marcial tornou-se o primeiro vigário colado dos Prazeres.
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O censo de 1921 registou a população das freguesias da Madeira, incluindo 4 083 habitantes na Sé, 3 107 em Santana e 7 061 em São Pedro.
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A igreja paroquial dos Prazeres foi ampliada e recebeu uma torre e duas sacristias.
Lugar
Lugares mencionados · 21- Prazeres · Assunto
Calheta. Tema da entrada.
Os Prazeres são uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira, cujo nome provém de uma antiga ermida de Nossa Senhora dos Prazeres e que foi formada em parte com terras da Fajã da Ovelha. Criada em 1676 e suprimida em 1700, foi restabelecida em 1733 como curato separado do Estreito da Calheta e voltou mais tarde a tornar-se autónoma. É irrigada pela Levada Velha do Rabaçal.
- Achadas da Cruz
Porto Moniz. Antigo curato citado como caso semelhante.
Achadas da Cruz é uma pequena freguesia no extremo noroeste da Madeira, no concelho do Porto Moniz. Desenvolveu-se a partir de uma capela do século XVI e tornou-se freguesia independente em 1848. Mudou várias vezes de concelho: passou para o Porto Moniz em 1835, esteve brevemente integrada na Calheta entre 1849 e 1855 e voltou a pertencer à Calheta quando o concelho do Porto Moniz foi extinto em 1895. A sua fajã é o planalto mais pequeno e contém uma lagoa semelhante a uma cratera, com 66 m de largura; nela encontram-se gado em liberdade e Euphorbia mellifera. Entre os acontecimentos registados contam-se a ação do benfeitor Manuel de Pontes Câmara e o naufrágio do iate Varuna em 1909.
- Assomadouro
Calheta. Miradouro junto ao mar, elogiado pela sua paisagem.
Assomadouro é um sítio da freguesia dos Prazeres, na Madeira. É um miradouro junto ao mar, apreciado pela ampla vista da costa desde o Jardim do Mar até à Fajã da Ovelha.
- Carreira
Calheta. Um dos principais sítios da freguesia.
Carreira é um dos principais sítios da freguesia dos Prazeres, na Madeira. A entrada do Elucidário com esse nome refere-se à Rua da Carreira, no Funchal, um lugar diferente.
- Curral das Freiras
Câmara de Lobos. Antigo curato citado como caso semelhante.
Pequena freguesia do interior, situada num vale profundo que se crê ser a cratera de um vulcão extinto e o principal foco eruptivo da Madeira. A propriedade foi comprada para as freiras de Santa Clara, que ali se refugiaram em 1566 e lhe deram o nome. Foi criada como freguesia em 1790. Antes, servira de pastagem e de refúgio a escravos fugidos e criminosos; em 1927, tornou-se julgado da comarca do Funchal.
- Estreito da Calheta
Calheta. Freguesia de que os Prazeres foram separados e à qual voltaram a pertencer em 1700.
O Estreito da Calheta é uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira, delimitada pela Ribeira de São Bartolomeu e pela Ribeira Funda. A sua igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça foi fundada pela família França, e o verbete aborda os primeiros proprietários, as capelas, os sítios, as escolas e a irrigação pela Levada Nova do Rabaçal; os Prazeres foram separados da freguesia em 1733.
- Fajã da Ovelha
Calheta. Alguns dos seus fogos foram incluídos na nova freguesia em 1676.
A Fajã da Ovelha é uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira. Formou-se a partir da Capela de São Lourenço, e a sua nova igreja foi construída no século XVIII. É irrigada pela antiga Levada do Rabaçal, inclui o Pico da Fonte do Bispo nas suas zonas altas e é conhecida por produzir alguns dos melhores pêssegos da Madeira.
- Jardim do Mar
Calheta. Antigo curato que também se tornou autónomo; é visível do Assomadouro.
O Jardim do Mar é uma pequena freguesia situada numa fajã da costa sudoeste da Madeira, no concelho da Calheta, e pertenceu inicialmente à freguesia do Paul do Mar. A sua cura, criada no século XVIII, deu lugar a uma freguesia em 1848. A população construiu uma igreja de estilo gótico em 1906–1907. Ali cultiva-se a casta Malvasia, e mergulhadores apanham à mão cavacos nas suas águas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05-
Padre cuja descrição da paisagem dos Prazeres é citada na entrada.
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Pároco dos Prazeres (1692–1693).
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Primeiro vigário colado dos Prazeres, instituído em 1881.
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Pároco dos Prazeres (1693–1700), o último antes da supressão da freguesia.
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Primeiro pároco dos Prazeres (1684–1692).