Fajãs
Entrada geral sobre as fajãs, terrenos planos formados por deslizamentos de terras na Madeira. Enumera as mais conhecidas e regista deslizamentos notáveis de 1689, 1804, 1856 e 1894.
Fajãs e desabamentos
Há uma freguesia conhecida pela denominação de Fajã da Ovelha, e nas paróquias de S. Gonçalo, Faial, S. Jorge, S. Vicente, Porto do Moniz, Ponta do Pargo, Arco da Calheta, Estreito da Calheta, Canhas, Ribeira Brava, Campanário, Curral, etc., existem fajãs mais ou menos extensas e mais ou menos antigas.
A Fajã da Ovelha, na freguesia deste nome, a Fajã dos Padres (Campanário), a Fajã dos Asnos ou do Gregorio (Câmara de Lobos) e a Fajã da Areia (S. Vicente), são as mais conhecidas da ilha.
A propósito do desabamento dos terrenos diremos que o Lugar de Baixo é desde 1804, muito maior que dantes, porque nesse ano grande parte das terras da Lombada cairam para o lado do mar, e ali formaram uma campina extensa e produtiva. O choque da queda, diz o Dr. Azevedo, foi tal, que o mar saiu do seu nível em toda a costa adjacente, e sentiu-se o abalo tanto em terra, como no mar, a distancia de mais de 10 quilómetros. O mar entrou muito a dentro da vila da Ponta do Sol.
O falecido Antonio Pedro de Azevedo encontrou uma carta escrita em 1689 em que se fala dum deslocamento dum terreno com cerca de meia légua de extensão, ocorrido poucos tempos antes no Arco de S. Jorge (V. este nome). A ser certo o que diz o autor da referida carta, o deslocamento foi tão lento e suave que os prédios que existiam sobre o terreno nada sofreram com a mudança de situação.
Em Abril de 1856 deslocou-se uma extensão considerável de terreno em Machico, tendo desabado todas as choças que sobre ele estavam edificadas, e em 1894 deu-se uma grande quebrada na Deserta Grande, de que resultou o mar avançar e recuar sensivelmente nalguns pontos da costa sul da Madeira, semelhantemente ao que sucedera por ocasião do terramoto de 1755.
As fajãs são frequentes em certas ravinas do interior, tendo provocado algumas delas desvios mais ou menos consideráveis na primitiva direcção das águas. Quando estas fajãs se acham nas proximidades dos povoados, costumam aproveita-las por serem em geral muito produtivas, mas as torrentes devastam-nas e corroem-nas ás vezes durante a estação invernosa, podendo mesmo destrui-las se elas estão muito baixas ou imperfeitamente consolidadas.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
Na noite de Páscoa, um grande deslizamento de terras no Arco de São Jorge, com cerca de meia légua de extensão, levou terras para o mar e formou a Quebrada.
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O grande terramoto atingiu Portugal e provocou movimentos do mar na costa da Madeira.
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Um grande deslizamento de terras da Lombada alargou o Lugar de Baixo e fez o mar avançar sobre a Ponta do Sol.
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Um deslizamento de terras considerável em Machico destruiu as cabanas nele construídas.
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Uma grande derrocada na costa da Deserta Grande provocou fortes ondulações ao longo da costa sul da Madeira.
Lugar
Lugares mencionados · 23- Fajãs · Assunto
Câmara de Lobos
Designação geral das fajãs, terrenos planos formados por deslizamentos de terras na Madeira. O Elucidário enumera as mais conhecidas e regista deslizamentos notáveis de 1689, 1804, 1856 e 1894.
- Arco da Calheta
Calheta. Freguesia com fajãs.
O Arco da Calheta é uma freguesia do concelho da Calheta, criada em 1572 em torno da Capela de São Brás, cuja igreja conserva pinturas do século XVI. O Elucidário aborda os seus primeiros povoadores, como os Andrade, as propriedades açucareiras, as capelas, os morgadios, os tumultos de 1834 e 1887 e a irrigação pelas levadas do Rabaçal e do Pico da Urze.
- Arco de São Jorge
Santana. Local de um deslizamento lento de terras descrito numa carta de 1689.
Freguesia do concelho de Santana, na costa norte, separada de São Jorge em 1676 e sobre a qual se eleva o Pico do Arco de São Jorge (837 m). Ainda não tinha cemitério em 1862 e passou a ser julgado da comarca do Funchal em 1927. Está ligada à Boaventura por um caminho que atravessa a escarpa da Entrosa, e as suas florestas foram danificadas pelo incêndio de 1919.
- Campanário
Ribeira Brava. Freguesia com fajãs, entre elas a Fajã dos Padres.
O Campanário é uma freguesia da Madeira que pertenceu ao concelho de Câmara de Lobos antes de integrar o da Ribeira Brava e é atravessada pela Ribeira do Campanário (ou Ribeira da Lapa). O Elucidário regista o seu porto, a sua banda, a sua capitania-mor, os dízimos pagos aos Jesuítas, uma antiga capela de São João fundada em 1728 e o vigário condenado pela Alçada de 1823. Foi também terra natal do bispo D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade e do jurista Francisco Justino Gonçalves de Andrade.
- Canhas
Ponta do Sol. Freguesia com fajãs.
Os Canhas são uma freguesia do concelho da Ponta do Sol, na costa sul da Madeira, cujo nome provém da família Canha. Criada em 1577, teve a sua primeira sede na Capela de São Tiago. O Elucidário regista a sua igreja e as capelas, o vestuário e a fala locais, as atividades económicas e os sítios, como Outeiro e Carvalhal e Carreira, a irrigação por uma pequena levada particular e a sesmaria de Martim Afonso da Cunha.
- Curral das Freiras
Câmara de Lobos. Freguesia com fajãs.
Pequena freguesia do interior, situada num vale profundo que se crê ser a cratera de um vulcão extinto e o principal foco eruptivo da Madeira. A propriedade foi comprada para as freiras de Santa Clara, que ali se refugiaram em 1566 e lhe deram o nome. Foi criada como freguesia em 1790. Antes, servira de pastagem e de refúgio a escravos fugidos e criminosos; em 1927, tornou-se julgado da comarca do Funchal.
- Deserta Grande
Santa Cruz · Desertas. Local de uma grande derrocada em 1894 que agitou o mar na costa sul da Madeira.
A maior ilha das Desertas, com 490 m de altitude, visitada sazonalmente por caçadores, pescadores e apanhadores de urzela. O vapor Lagos encalhou ali em 1902, e a ilha foi visitada pelo Príncipe de Mónaco em 1888 e pelos cientistas do Dana. O seu desembarcadouro, na Carga da Lapa, fica a 21,5 milhas do Funchal.
- Estreito da Calheta
Calheta. Freguesia com fajãs.
O Estreito da Calheta é uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira, delimitada pela Ribeira de São Bartolomeu e pela Ribeira Funda. A sua igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça foi fundada pela família França, e o verbete aborda os primeiros proprietários, as capelas, os sítios, as escolas e a irrigação pela Levada Nova do Rabaçal; os Prazeres foram separados da freguesia em 1733.
- Faial
Santana. Freguesia com fajãs.
O Faial é uma freguesia da costa norte do concelho de Santana, criada em 1550, cujas nascentes de montanha alimentam a Levada da Serra. Abrange os Chícharos e a capela da Diferença, inclui a parte oriental do Pico Ruivo e é conhecida pelo fabrico de queijo e pelo basalto colunar.
- Fajã da Areia
São Vicente. Uma das fajãs mais conhecidas da ilha.
Fajã costeira conhecida e principal sítio da freguesia de São Vicente, com praia e um pequeno porto. Situado a cerca de dois quilómetros de São Vicente, o porto era preferido ao desembarcadouro da vila, embora também fosse considerado um mau porto. Fez-se ali uma tentativa infrutífera de produção de sal.
- Fajã da Ovelha
Calheta. Freguesia cujo nome provém de uma fajã, a Fajã da Ovelha, uma das mais conhecidas.
A Fajã da Ovelha é uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira. Formou-se a partir da Capela de São Lourenço, e a sua nova igreja foi construída no século XVIII. É irrigada pela antiga Levada do Rabaçal, inclui o Pico da Fonte do Bispo nas suas zonas altas e é conhecida por produzir alguns dos melhores pêssegos da Madeira.
- Fajã dos Asnos
Câmara de Lobos. Uma das fajãs mais conhecidas, também chamada Fajã do Gregório.
Fajã parcialmente cultivada em Câmara de Lobos, antes do Cabo Girão, também chamada Fajã do Gregório e considerada uma das fajãs mais conhecidas. Destaca-se pelo raro Helichrysum monizii que cresce nas suas arribas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Historiador madeirense citado pelo relato do deslizamento de terras da Lombada, em 1804, e dos seus efeitos no mar.
- António Pedro de Azevedo1814–1889
Investigador que encontrou uma carta de 1689 na qual se descreve um deslizamento de terras no Arco de São Jorge.