Marés 1Correntes das marés
Marés
Descreve as correntes de maré em redor da Madeira e do Porto Santo registadas pela Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes, bem como as tabelas de marés e as constantes de maré do porto do Funchal.
1Correntes das marés
A pág. 378 do 1º. vol. da obra «Ilhas de Zargo», encontram-se as seguintes informações, que tomamos a liberdade de transcrever textualmente:
«Sôbre o movimento das correntes das marés da Madeira, foram-nos fornecidas amàvelmente pela Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes estas seguras notas:
Durante a enchente, as aguas vêm dos quadrantes do S., durante a vazante, do quadrante de N. E.
As aguas da enchente dividem-se na costa S. da Madeira, correndo para W. e para E. a partir da zona da Ponta do Sol à Ponta do Jardim do Mar. Desta Ponta até á Ponta do Pargo, as correntes marítimas desenvolvem-se geralmente de N. W. junto da costa. As correntes respectivas têm direcções paralelas ou ligeiramente inclinadas para a costa, sendo por vezes bastante fortes ao largo (zona dos 500 ms. de fundo aproximadamente). Junto das pontas, tornam-se mais fortes dando lugar por vezes a encontro de aguas como se observam na Ponta do Pargo e principalmente na Ponta de S. Lourenço, onde as suas velocidades atingem cerca de 2 milhas em marés vivas.
As correntes de enchente fazem-se sentir principalmente na costa S., nas Pontas do Pargo e de S. Lourenço, e também na costa N.W., na Ponta do Tristão e junto do Ilhéu Mole (Porto do Moniz).
As aguas de vazante produzem fortes correntes para S.S.W. na Ponta de S. Lourenço, para W. na Ponta de S. Jorge e para S.W. no Ilhéu Mole e Ponta do Tristão. As águas correm quasi paralelamente à costa desde a Ponta de S. Jorge para o Ilhéu Mole, isto é na costa norte; na costa N.E. as correntes são nulas ou muito fracas, excepto nas profundidades da Ponta do Barlavento.
As correntes de vazante fazem-se sentir principalmente na costa N., sobretudo na Ponta de S. Lourenço e Ilhéu Mole onde atingem, em marés vivas, velocidades de 1,5 milhas.
Em marés mortas, as correntes são em geral nulas ou muito fracas. Sobre estas correntes exercem influencia os ventos predominantes e as situações barométricas do Atlântico Norte.
No Funchal, fazem-se sentir principalmente as correntes de enchente que têm direcções ligeiramente inclinadas para a costa (E.N.E.) e atingem, em marés vivas, velocidades de cerca de 1,2 milhas, a cerca de meia enchente. As correntes de vazante são em geral nulas ou muito fracas, correndo as aguas para E.N.E. e outras vezes para W.
No Porto do Moniz, fazem-se sentir em marés vivas tanto as correntes de enchente com as de vazante, mas principalmente durante a enchente produzem-se correntes de reversa e estoques de água no começo dentro do porto, correndo as águas mais direitas durante a vazante, à velocidade de 1 milha. No Porto da Cruz, as correntes são em geral bastante fracas ou nulas.
Na Ilha do Porto Santo, as correntes marítimas atingem maiores velocidades nas marés vivas, correndo dos quadrantes S. durante a enchente, e do quadrante N.E. durante a vazante. Fazem-se sentir principalmente na Ponta S. do Ilhéu de Cima onde as águas correm para N.E., em marés vivas, com a velocidade de 1 milha durante a enchente, e com a de 1,5 durante a vazante. Na Ponta do Ilhéu de Baixo, durante a enchente, correm para W. ou E. com a velocidade de 1 milha, em marés vivas, durante a vazante.
2Marés no pôrto do Funchal
As marés são muito regulares, havendo diariamente dois preamares e dois baixamares. Os valores das constantes harmónicas e não harmónicas são os dos quadros determinados pela Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes. Pela comparação entre os valores dos estabelecimentos do porto se obtêm as diferenças entre as horas dos preamares e baixamares dos respectivos portos». Esses quadros vem insertos a pág. 380 e seg. das Ilhas de Zargo.
Desde 1939 que a «Junta Autonoma dos Portos do Arquipélago da Madeira» publica anualmente um interessante opusculo intitulado Tabela das Marés no Porto do Funchal, em que desde o dia 1 de Janeiro até 31 de Dezembro se indicam com precisão, em determinadas horas, as alturas dos preamares e baixa-marés, tomadas de manhã e à tarde dentro do pôrto do Funchal. Esses dados são precedidos das seguintes advertencias: «Esta tabela foi calculada pela Missão Hidrológica das Ilhas Adjacentes, a partir dos registos de 1937, fornecidos pelo marégrafo da mesma Missão, instalado no Molhe da Pontinha. As alturas da tabela de marés são referidas ao plano do zero hidrográfico, que fica situado 1 m, 40 abaixo do nível médio oceânico (1937) e 4m,138 abaixo da marca do nível da Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes existentes no bordo superior do poço do seu marégrafo. – As horas são de tempo legal do Funchal (tempo médio de Greenwich menos uma hora).
Os «elementos das marés» no porto do Funchal, ali indicados, são estes: unidade de altura 1.m06, amplitude máxima observada 2.m58, amplitude média deduzida 1.m53, amplitude mínima observada 0.m55, desigualdade diria máxima em altura, 0.m25, e o «estabelecimento do porto» a 0. h32.m.
O estabelecimento do pôrto, ou a hora da maré cheia das aguas vivas, é no Funchal, segundo a carta geográfica do general Antonio Pedro de Azevedo, às 12.h48m, sendo a elevação da maré de 2,m28».
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02Lugar
Lugares mencionados · 15- Funchal
Porto cujas correntes e marés são descritas em pormenor.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Ilhéu de Baixo
Porto Santo. Ilhéu com correntes de cerca de 1 nó.
O Ilhéu de Baixo, também chamado Ilhéu da Cal, situa-se ao largo da extremidade sul de Porto Santo, separado da Calheta por um canal estreito, e marca o limite ocidental da Baía do Porto Santo. Durante séculos, forneceu todo o calcário utilizado no fabrico de cal para a construção na Madeira; o Elucidário refere ainda o seu calcário miocénico com fósseis, os caracóis fósseis, as grutas, os coelhos, um barco carregado de vinho que ali se perdeu em 1790 e a sua utilização como extremidade da Travessa do lado de Porto Santo para medições de distância.
- Ilhéu de Cima
Porto Santo. Ilhéu com correntes assinaláveis ao largo da sua ponta sul.
O Ilhéu de Cima, também chamado Ilhéu dos Dragoeiros ou do Farol, situa-se a leste-sudeste do Porto Santo e assinala o extremo oriental do arquipélago e o limite oriental da baía do Porto Santo. Em 1900, foi ali instalado um farol, a 118 m acima do nível do mar, com um cais para o seu pessoal. Foi ali encontrado um exemplar vivo de Helix Lowei; nas proximidades ocorrem conchas de águas profundas. Em 1903, o ilhéu foi recomendado para a instalação de armações de pesca do atum.
- Ilhéu Mole
Porto Moniz. Ilhéu no Porto Moniz onde as correntes de vazante atingem 1,5 nós.
Ilhéu ao largo do Porto Moniz que marca o extremo ocidental de um trecho de costa acidentada. As correntes de vazante atingem ali até 1,5 nós.
- Molhe da Pontinha
Funchal. Local onde se encontrava o marégrafo da Missão Hidrográfica.
O Molhe da Pontinha é o quebra-mar do porto do Funchal. Liga o ilhéu e a sua fortaleza à costa, formando o porto de abrigo. Foi construído por empreiteiros franceses entre 1885 e 1889 e reconstruído após os temporais de 1892. Acolheu festivais náuticos anuais, um marégrafo e, em 1922, o desembarque dos aviadores.
- Ponta de São Jorge
Santana. Ponta onde as correntes de vazante se dirigem para oeste.
A Ponta de São Jorge é o promontório que mais avança pelo mar na costa norte da Madeira; aí, a costa inflete para sudeste. Assinala o limite norte da largura da ilha, serve de referência para medições da linha de costa, apresenta correntes de vazante para oeste e é um miradouro recomendado, visível do Pico da Cancela.
- Ponta de São Lourenço
Machico. Ponta onde se registam as correntes mais fortes, de cerca de 2 nós nas marés vivas.
A Ponta de São Lourenço é uma ponta longa e estreita no extremo oriental da Madeira, na freguesia do Caniçal. Diz-se que recebeu o nome da caravela São Lourenço e tem um farol num dos seus ilhéus. O Elucidário descreve a sua geologia, a vegetação sazonal, os ilhéus, as formações calcárias fósseis da Piedade, os caracóis terrestres e o seu uso como pastagem. O vapor Forerunner naufragou ali em 1884, e existe um banco submarino entre a ponta e as Desertas.
- Ponta do Barlavento
Machico. Exceção às correntes fracas da costa nordeste.
Exceção à fraqueza das correntes na costa nordeste.
- Ponta do Jardim do Mar
Calheta. Ponta que marca o limite da zona onde as águas de enchente se dividem.
Ponta que marca o limite da zona onde se dividem as águas das cheias.
- Ponta do Pargo
Calheta. Ponta onde se encontram correntes fortes.
Ponta do Pargo é uma freguesia no extremo ocidental da Madeira, transferida do concelho de Porto Moniz para o da Calheta em 1871, onde um farol há muito reivindicado foi aceso pela primeira vez em 1922. É irrigada pela antiga levada do Rabaçal, cultiva a casta Sercial, dá nome a uma sub-raça de gado bovino branco e foi terra natal de Manuel da Costa Dias e João Pestana Júnior.
- Ponta do Sol
Zona da costa sul a partir da qual as águas da enchente se dividem para leste e oeste.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
- Ponta do Tristão
Porto Moniz. Ponta noroeste onde se fazem sentir as correntes da enchente e da vazante.
A Ponta do Tristão é um promontório no noroeste da Madeira que assinalava o extremo norte da fronteira entre as capitanias do Funchal e de Machico e o limite ocidental da Costa Norte. Assinalou o fim da primeira exploração dos descobridores, e a sua área só recentemente foi explorada do ponto de vista botânico, tendo sido encontradas várias plantas dignas de nota. As notas situam-na ora em Achadas da Cruz, ora na freguesia de Porto Moniz.
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Pessoas
Pessoas mencionadas · 01- António Pedro de Azevedo1814–1889
General cuja carta geográfica da Madeira indicava para o porto do Funchal um estabelecimento de 12 h 48 min e uma elevação da maré de 2,28 m.