Madeira (Aspectos orográficos: Encostas, Planaltos e Vales) 1Serrania e picos
Madeira (Aspectos orográficos: Encostas, Planaltos e Vales)
Panorama do relevo da Madeira: a cordilheira central, orientada de leste a oeste, e os seus picos, os poucos planaltos, as principais pontas costeiras e os vales mais importantes. Explica a divisão tradicional da ilha em Costa Norte e Costa Sul.
1Serrania e picos
O inverosímil acidentado do solo madeirense e a caprichosa e variada configuração orográfica da sua forma merecia uma larga e minuciosa descrição, que a falta de espaço e de seguros elementos não permite fazer, limitando-nos a uma enumeração sumaria das principais elevações montanhosas e suas altitudes, das pontas, vertentes e encostas, dos vales, planaltos, profundidades, etc., que se encontram espalhados nos 500 quilómetros quadrados de superfície de toda esta ilha.
«É ela constituida, diz-se no já citado Dicionário Universal Portuguez Ilustrado, por uma elevada serrania de mil e duzentos a mil e novecentos metros de altura, do dorso da qual sobre saem alguns picos e que vai de leste a oeste desde a Ponta de São Lourenço até bifurcar-se afinal, prolongando-se para noroeste sobre o Porto do Moniz a formar a Ponta do Tristão e lançando um ramal de menor vulto para sudoeste, cujo extremo é a Ponta do Pargo: esta serrania longitudinal, descendo com suas faldas e alguns ramaes secundários por norte, por oeste e por sul em toda a sua extensão até o mar, divide a ilha em três grandes regiões, a saber: a do norte, desde a Ponta de São Lourenço, até à do Tristão; a de oeste, desde a do Tristão até à do Pargo, que abrange o território adentro da mencionada bifurcação; e a do sul, que decorre desde a Ponta do Pargo até á de S. Lourenço: mas, como a região de oeste pende para noroeste e já está em muito sob a acção do quadrante do norte, os marítimos, e, com estes os Madeirenses em geral, só distinguem duas regiões, uma, a que chamam Costa do Sul, que é a supra demarcada para este lado, e outra a Costa do Norte, que compreende a do norte e a de oeste referidas» (Acerca destas costas», veja-se o que fica referido a pág. 324 do vol. I).
Como ficou dito, a cordilheira que, com altas eminências e sem solução de continuidade atravessa longitudinalmente a Madeira de leste a oeste, estabelece bem distintamente as duas costas setentrional e meridional, erguendo-se no dorso dessa cordilheira muitos picos de acentuada altura entre os quais se destacam o Pico Ruivo, de todos o mais elevado, o do Cidrão, Torrinhas, Canário e Arieiro. Mencionaremos os mais conhecidos, além dos que ficam citados: Pico do Castanho, Pico da Maia, Pico do Arco de São Jorge, Pico das Torres, Pico da Neve, Pico do Poiso, Pico da Lagoa, Pico de Santo António, Pico do Arrebentão, Pico do Infante, Pico Grande, Pico dos Bodes, Pico da Urze, Pico do Gato, Pico da Amendoeira, Pico Queimado, Pico da Suna, etc. Como ramificações dos montes e picos da cordilheira central, destacam-se ainda muitas outras eminências, que por vezes se estendem até as regiões do litoral. Entre estas eminências mencionaremos as do Pico dos Barcelos, Pico da Cruz, Pico do Cardo, Pico dos Eirós, Pico do Facho, Pico das Favas, Pico da Cruz, Pico da Relva, etc. (V. cada um dos nomes que ficam indicados).
Para maior esclarecimento, devemos chamar a atenção do leitor para a desenvolvida noticia que se encontra a pág. 52 e ss. do vol. I, em que se faz menção das - «altitudes» de um numero avultado de elevações montanhosas e de outros pontos dignos de serem especialmente conhecidos. A êste assunto, oferecem particular interesse os dados fornecidos pela Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes e que vêm insertos a pág. 95 do vol. I da apreciada obra «Ilhas de Zargo».
2Planaltos, pontas e vales
A única extensão de terreno que no solo acidentadíssimo da Madeira merece o nome de planalto é o do Paul da Serra (V. este nome). No entretanto, chamam-se comummente planaltos as pouco extensas planicies do Santo da Serra (V. Lagoa) na freguesia do mesmo nome, a Achada de Santana, na freguesia de Santana, e a das Achadas, na freguesia das Achadas da Cruz.
As principais pontas ou saliências da costa marítima desta ilha são as seguintes: a de São Lourenço, a de maior extensão, que tem várias pontas secundárias com os nomes de Furado Abra, Dedais, Rosto, etc., Ponta da Queimada, Ponta de Santa Catarina, Ponta do Guindaste, Ponta da Atalaia, Ponta da Oliveira, Ponta do Garajau, Ponta da Cruz, Ponta da Agua, Ponta do Sol, Ponta da Galé, Ponta do Jardim, Ponta da Fajã da Ovelha, Ponta do Pargo, Ponta do Tristão, Ponta do Porto do Moniz, Ponta Delgada, Ponta de São Jorge, Ponta de Santana, Ponta do Cortado e Ponta de Larano (V. cada um destes nomes).
O solo montanhoso e acidentadíssimo desta ilha determina a formação de muitos vales, alguns de notável profundidade, mas que em geral atingem uma extensão bastante limitada. Os principais são o do Funchal, especialmente no sitio chamado o Val Formoso; o de Machico, que da praia da vila do mesmo nome se estende entre as margens da respectiva ribeira; o do Jardim da Serra no extremo norte da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos; o de São Vicente, situado na bacia hidrográfica da ribeira do mesmo nome incluindo a vila e suas imediações; o da Penha de Aguia, que torneja a rocha deste nome (V. Penha de Aguia), o da Metade, proximo do Ribeiro Frio; o da Ribeira da Janela, entre as margens da ribeira deste nome. (Vid. Vales). Relacionam-se com este assunto os artigos Fajãs e Quebradas.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 25- Achada de Santana
Santana. Pequena área plana habitualmente chamada planalto.
A Achada de Santana é uma pequena área plana no concelho de Santana. É comum chamar-lhe planalto.
- Achadas da Cruz
Porto Moniz. A sua área plana é habitualmente chamada planalto.
Achadas da Cruz é uma pequena freguesia no extremo noroeste da Madeira, no concelho do Porto Moniz. Desenvolveu-se a partir de uma capela do século XVI e tornou-se freguesia independente em 1848. Mudou várias vezes de concelho: passou para o Porto Moniz em 1835, esteve brevemente integrada na Calheta entre 1849 e 1855 e voltou a pertencer à Calheta quando o concelho do Porto Moniz foi extinto em 1895. A sua fajã é o planalto mais pequeno e contém uma lagoa semelhante a uma cratera, com 66 m de largura; nela encontram-se gado em liberdade e Euphorbia mellifera. Entre os acontecimentos registados contam-se a ação do benfeitor Manuel de Pontes Câmara e o naufrágio do iate Varuna em 1909.
- Costa do Norte
Região costeira setentrional definida pela divisão tradicional da ilha.
Costa do Norte é o nome tradicional e popular da costa norte da Madeira, que se estende da Ponta do Tristão à vertente norte da Ponta de São Lourenço. É uma costa escarpada, ladeada de arribas e fustigada pelo vento, com apenas dois portos de abrigo, Porto da Cruz e Porto Moniz.
- Costa do Sul
Região costeira meridional definida pela divisão tradicional da ilha.
Costa do Sul é o nome tradicional e popular da costa sul da Madeira, da Ponta do Pargo à Ponta de São Lourenço. É mais amena e abrigada do que a costa norte e oferece mais ancoradouros; Mousinho de Albuquerque descreveu os seus rumos e perigos.
- Jardim da Serra
Câmara de Lobos. Vale a norte da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos.
Jardim da Serra é um pitoresco vale de altitude no extremo norte da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, na Madeira, rico em vegetação autóctone e com vistas sobre o Curral das Freiras. O cônsul inglês Henry Veitch construiu ali uma casa de campo, realizou a primeira tentativa de cultivo de chá na Madeira e está sepultado num mausoléu no local; as vinhas de altitude amadurecem tarde.
- Machico
Vale ao longo da ribeira de Machico.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Paul da Serra
Ponta do Sol. O único verdadeiro planalto da Madeira.
O Paul da Serra é o único planalto extenso da Madeira, situado a cerca de 1 500 m de altitude e abrangendo quatro concelhos, onde as temperaturas podem descer até ao ponto de congelação. Nas suas margens nascem as fontes do Rabaçal e do Risco, a Ribeira da Tabua e a Ribeira da Janela, e dele são alimentadas as principais levadas. O Elucidário regista a sua vegetação, os ensaios agrícolas, as Casas de Abrigo, os encontros para a tosquia das ovelhas, o uso dos terrenos comuns e um projeto de estrada inacabado.
- Penha de Águia
Santana. Penha em torno da qual serpenteia um vale.
Penha costeira em forma de pirâmide truncada, com quase 600 m de altura, na costa norte da Madeira, elogiada por dar nome a um vale de beleza sem igual. Stuebel considerou-a o vestígio de uma cratera secundária destruída, e a sua face voltada para o mar apresenta filões duplos. É local de nidificação do boieiro e deu nome a um morgadio.
- Pico do Arieiro
Câmara de Lobos. Pico destacado da cordilheira.
O Pico do Arieiro é um pico destacado da cordilheira central da Madeira, recomendado pelas suas vistas panorâmicas. Foi proposta a instalação de um posto meteorológico a 1 700 metros de altitude, onde se registaram temperaturas negativas; nas proximidades cresce a Sorbus maderensis.
- Pico do Cidrão
Câmara de Lobos. Pico destacado da cordilheira.
O Pico do Cidrão tem 1 676 metros de altitude e fica sobranceiro à freguesia do Curral das Freiras, perto do Pico Ruivo. É um cume destacado da cordilheira central e pode ser visto do cimo do Pico Ruivo.
- Pico Grande
Câmara de Lobos. Incluído entre os picos mais conhecidos.
O Pico Grande é um dos picos conhecidos da Madeira, com 1 643 m de altitude. É um dos picos que rodeiam a freguesia da Serra de Água, fica perto da Boca dos Córregos e pode ser visto do cume do Pico Ruivo.
- Pico Ruivo
Santana. O pico mais alto da ilha.
Pico mais alto da Madeira, situado no bordo da cratera principal, com 1 861 m de altitude numa lista e 1 950 m noutra. A sua altitude foi medida por várias expedições, incluindo as de Ross e Hochstetter. Nele nasce a Ribeira do Faial.