Madeira (Aspectos Hidrográficos: Baias, Enseadas, Portos e Praias da) 1Baías, enseadas e portos
Madeira (Aspectos Hidrográficos: Baias, Enseadas, Portos e Praias da)
Panorama das características da costa da Madeira: as duas baías (Funchal e Porto Santo), as pequenas enseadas, os locais de desembarque classificados como bons, razoáveis ou maus e as praias da ilha, maioritariamente de seixos. Serve de índice para as entradas próprias de cada porto e praia.
1Baías, enseadas e portos
Como já deixámos dito a páginas 116 deste volume, não sendo fácil estabelecer-se uma rigorosa diferença de significado entre os termos «baía» e «enseada», ao referirmo-nos às reentrancias que se encontram ao longo da costa maritima, consideramos como «baías» as do Funchal (pág. 66 deste volume) e Porto Santo (vid. este nome).
São estas as pequenas enseadas da Madeira: Abra, Machico. Garajau, Camara de Lôbos, Lugar de Baixo, Santa Cruz, Reis Magos, e Porto do Moniz (Vid. estes nomes).
Os portos da Madeira, segundo se lê em uma informação de caracter oficial, consideravam-se até há pouco como bons o do Funchal (Vid. Funchal (Baía do) e Porto do Funchal) e o do sul da ilha do Porto Santo (Vid. este nome), sendo tidos como sofriveis os da Abra, Machico, Santa Cruz, Camara de Lôbos, Ribeira Brava, Ponta do Sol, Pôrto do Moniz e Porto da Cruz, e maus os do Caniçal, Porto Novo, Reis Magos, Oliveira, Campanário, Lugar de Baixo, Madalena do Mar, Anjos, Fajã do Mar, Calheta, Jardim do Mar, Paul do Mar, Pesqueiro, Seixal, Fajã da Areia, Ponta Delgada, Boaventura, São Jorge e Faial. Os portos das freguesias do Porto do Moniz e Porto da Cruz são considerados como bons desembarcadouros, quando sopram os ventos do quadrante sul, não sendo então permitido qualquer tráfego em toda a costa meridional da Madeira, o que aliás sucede poucas vezes em cada ano. Nos últimos trinta anos, as condições dos portos destas localidades melhoraram consideravelmente com a construção de pequenos cais e desembarcadouros e com os trabalhos de acrescentamento e reparação realizados nos já existentes (V. cada um dos nomes acima indicados).
A este assunto interessa bastante o artigo Distâncias Marítimas, inserto a páginas 367 do vol. I, que apresenta uma tabela do numero de milhas a que os diversos portos da Madeira se encontram distanciados uns dos outros.
2Praias
Já disse alguém que na Madeira não havia praias, talvez pela circunstancia de não serem de areia e terem uma limitada extensão. Com efeito as desta ilha, exceptuando a da Prainha no Caniçal, são formadas de pequenas pedras ou calhaus rolados e de escuro basalto, tendo todas elas um aspecto sombrio e um piso difícil e incomodo. Em compensação, possui a vizinha ilha do Porto Santo uma das mais belas e extensas praias de todo o país. As principais praias da Madeira, algumas delas de extensão muito limitada, são as seguintes: Prainha, Caniçal, Machico, Seixo, Santa Cruz, Porto Novo, Reis Magos, Funchal, Formosa (V. estes nomes), Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Lugar de Baixo, Madalena do Mar, Calheta e Paul do Mar, na costa meridional, e as do Porto do Moniz, São Vicente, Fajã da Areia, Ponta Delgada, São Jorge e Porto da Cruz na costa setentrional. (Vid. estes nomes, sob a designação de «Portos» ou «Praias», e ainda o artigo Portos).
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 24- Aspectos Hidrográficos: Baias, Enseadas, Portos e Praias da Madeira · Assunto
Câmara de Lobos
Entrada panorâmica sobre a costa da Madeira. Descreve as duas baías (Funchal e Porto Santo), as pequenas enseadas, os locais de desembarque classificados como bons, razoáveis ou maus e as praias da ilha, maioritariamente de seixos. Serve de índice para as entradas próprias de cada porto e praia.
- Abra
Machico. Indicada como pequena enseada com um porto razoável.
A Abra é uma enseada, ponta, ancoradouro e sítio perto da Ponta de São Lourenço. É a maior enseada da Madeira, descrita como uma pequena angra com um porto razoável e delimitada pela Ponta do Furado. As suas rochas altas são o único local onde ocorre Helichrysum devium, e ali foi construído um cais em 1905.
- Calheta
Indicada como porto mau e praia.
A Calheta é uma vila, freguesia e concelho na costa sudoeste da Madeira e um dos povoamentos mais antigos da ilha. O Elucidário aborda o seu nome, os primeiros povoadores, como Pedro Berenguer, a igreja e numerosas capelas, incluindo uma de um antigo convento franciscano, e o motim de 1834.
- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Indicada como enseada, porto razoável e praia.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Caniçal
Machico. Indicado como porto mau e praia.
Freguesia piscatória isolada no extremo oriental da Madeira, na base da Ponta de São Lourenço. Teve origem num morgadio dos Moniz e na coutada de João Teixeira, tornando-se freguesia por volta de 1561. Celebra a festa de Nossa Senhora da Piedade com uma procissão marítima e possui um forte construído após um ataque de piratas.
- Fajã da Areia
São Vicente. Indicada como porto mau e praia da costa norte.
Fajã costeira conhecida e principal sítio da freguesia de São Vicente, com praia e um pequeno porto. Situado a cerca de dois quilómetros de São Vicente, o porto era preferido ao desembarcadouro da vila, embora também fosse considerado um mau porto. Fez-se ali uma tentativa infrutífera de produção de sal.
- Funchal
A baía do Funchal é uma das duas reentrâncias que a entrada considera verdadeiras baías.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Garajau
Santa Cruz. Indicado como pequena enseada.
O Garajau é um cabo que delimita a baía do Funchal a leste, a 2,9 milhas do Funchal, assim chamado pelos garajaus ali encontrados pelos descobridores. No seu cume há um dique basáltico, uma capela de Nossa Senhora das Neves e a estátua do Sagrado Coração de Jesus, de 1927; teve um telégrafo de 1839 a 1847. É conhecido pelas bombas vulcânicas, por um dragoeiro sobrevivente, pela única norça em estado selvagem, por Senecio incrassatus e pelos moluscos de águas profundas, sendo recomendado como miradouro.
- Lugar de Baixo
Ponta do Sol. Indicado como enseada, porto mau e praia.
O Lugar de Baixo é uma fajã costeira entre a Ponta do Sol e a Tábua, na freguesia da Ponta do Sol, Madeira. Foi muito ampliado por um deslizamento de terras da Lombada em 1804 (a aluvião que o ampliou também é datada de 1803). Tem a capela da casa dos Carvalhal, reconstruída em 1906, e uma estação meteorológica instalada em 1941. O Infante D. Luís desembarcou e embarcou ali quando o mar estava demasiado agitado junto ao cais da vila.
- Machico
Indicado como enseada, porto razoável e praia.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Paul do Mar
Calheta. Indicado como porto mau e praia.
O Paul do Mar é uma freguesia da costa sudoeste da Madeira, criada em 1676 a partir do Estreito da Calheta. É um porto de pesca servido pela antiga levada do Rabaçal, onde se cultiva malvasia e onde se assinalou uma incidência muito elevada de tracoma. Teve a fortaleza de Santo António, uma banda e salinas instaladas por volta de 1865, posteriormente abandonadas por falta de rentabilidade.
- Ponta do Sol
Indicada como porto razoável.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.