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Doação da Ilha da Madeira á Infanta D. Catarina 1A doação projectada
Artigo Nº 1220 Acontecimento histórico Vol. I · pp. 708–709 2 min de leitura

Doação da Ilha da Madeira á Infanta D. Catarina

Descreve os documentos preparados por precaução e falsificados em 1660 durante a regência de D. Luísa, que doavam a Madeira à Infanta D. Catarina para que a ilha pudesse ser oferecida como dote em troca do apoio inglês durante a Guerra da Restauração. O sacrifício revelou-se desnecessário, pois a Inglaterra aceitou, em vez disso, privilégios comerciais, Tânger e Bombaim.

Doação da Ilha da Madeira á Infanta D. Catarina

1A doação projectada

Na ânsia de um apoio seguro e não sucumbir Portugal na luta da Independência, esteve preparado um alto sacrifício para pesar prontamente na balança das nossas concessões e atrair o auxílio da Inglaterra. Ia ser doada á infanta D. Catarina, filha de D. João IV e futura rainha inglesa, a jóia mais cara de Portugal-nos presentes da noiva figuraria, se preciso fosse, o florido ramalhete da ilha da Madeira.

A rainha regente D. Luisa, rodeada de amarguras com o peso do governo, olhando um herdeiro inábil e uma corte, qual bastidor de emaranhadas representações políticas, não querendo tomar sôbre si a responsabilidade de alienar a Madeira, nem incorrer na maldiçam de Deus, conforme a carta de D. Manuel quando fez a ilha realenga (T. 1.º do Arquivo da Camara Municipal do Funchal), faz forjar uma doação do rei defunto a sua filha, e envia-a aos Senados do Funchal e Machico para que se tombassem os diplomas. Este curioso ponto histórico é tratado pelo Dr. Alvaro Rodrigues de Azevedo nas notas ás Saudades da Terra, pag. 384.

Eram documentos para precaução, pois lá está escrito, quando for tempo, com o fim de vencer qualquer obstáculo que sobreviesse nas negociações diplomáticas.

No Arquivo da Câmara Municipal de Machico, acham-se tombados curiosos documentos sôbre este assunto, nos títulos do L. 3.º Parte 1 (fs. 158 v.º Traslado do Alv. de S. M. da mercê feita á S. Infanta D. Catharina. a 23 de Novembro de 1660; fs. 261 Traslado da procuração da S. I. D. Catharina, 18 de Novembro de 1660; Alvará que declara a forma com que a S. I. D. Catharina deve usar das doações que lhe fez S. M. seu augusto Pai).

2Desfecho e fontes

Fazia-se também reviver nesse tempo a lenda dos namorados inglêses que aportaram a esta ilha, a fim de cohonestar uma suposta prioridade da descoberta, para amortecer a dor da perda da Madeira, se acaso fosse preciso. (V. Machim)

Não foi necessário tamanho sacrifício. A liberdade do comercio inglês no Brasil e nas Índias Orientais, Tanger e Bombaim, “chaves do Mediterrâneo e da India” satisfizeram a diplomacia britanica, ignorando os citados documentos que revestiam um certo caracter confidencial.

Existe um folheto intitulado Um Ponto de Historia Pátria, Funchal, 1914, separata de artigos publicados no Heraldo da Madeira, nºs 2815-16 e 2823-24, que se refere a este assunto. S.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. A Madeira foi doada à Infanta D. Catarina de Bragança por alvará régio de 23 de novembro de 1660 (com procuração datada de 18 de novembro). O governador Furtado apresentou a escritura de doação à Câmara do Funchal para registo em 7 de dezembro; a escritura foi também registada em Machico.

  2. Foi publicado no Funchal o opúsculo Um Ponto de Historia Pátria, sobre a doação da Madeira à Infanta D. Catarina.

Lugar

Lugares mencionados · 07

No estrangeiro

Mapa: Madeira (6)
  1. Bombaim

    India. Cedida à Inglaterra em vez da Madeira.

  2. Brasil

    Brazil. A liberdade de comércio concedida aos ingleses no Brasil fez parte do acordo.

  3. Funchal

    A sua Câmara registou a doação.

  4. Inglaterra

    United Kingdom. Potência cujo apoio Portugal procurava obter.

  5. Machico

    O seu arquivo conserva cópias dos documentos da doação.

  6. Tânger

    Morocco. Cedida à Inglaterra em vez da Madeira.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. Anotador de Saudades da Terra que abordou este episódio.

  2. Filha de D. João IV e futura rainha de Inglaterra, a quem a Madeira seria doada como dote, caso fosse necessário.

  3. Rei de Portugal em cujo nome foi redigida, após a sua morte, a doação da Madeira à filha.

  4. Rei cuja carta tornou a Madeira propriedade da Coroa e lançou uma maldição sobre quem a alienasse.

  5. Rainha regente que mandou falsificar a doação da Madeira e enviá-la às câmaras do Funchal e de Machico.

Na folha D

Vistos recentemente

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