Anais do Município 1A portaria de 1848
Anais do Município
Descreve os anais municipais que um decreto de 1848 obrigou as câmaras da Madeira a manter e mostra como poucas câmaras — Porto Santo, Machico e Calheta — cumpriram essa obrigação. O livro de anais do Funchal ficou em branco.
1A portaria de 1848
A portaria de 8 de Novembro de 1848 impôs ás câmaras Municipais a obrigação de possuírem um livro subordinado ao título de Anais do Município e de ali fazerem lançar no mês de Março de cada ano uma súmula de todos os acontecimentos, notas e informações que porventura podessem interessar á historia do respectivo município. O ilustre governador civil deste arquipélago José Silvestre Ribeiro, que não descurou nunca qualquer assunto que pudesse contribuir para o progredimento material e intelectual dos povos seus administrados, suscitou a observância daquela portaria nas suas circulares ás câmaras e administradores do concelho do distrito de 3 de Janeiro de 1848 e 22 de Janeiro de 1850, em que com as mais persuasivas razões mostrava as vantagens e a necessidade da execução daquela medida governativa. Poucas municipalidades, a começar pela da capital do distrito, deram cumprimento àquela tão útil e necessária determinação.
Apenas temos conhecimento de que as câmaras do Porto Santo, Machico e Calheta tivessem redigido os seus anais, embora nos anos subsequentes omitissem a continuação deles, não cumprindo a lei em toda a sua extensão e tornando assim quasi inteiramente inútil a sua observância.
2Os anais do Porto Santo, Machico e Calheta
No Porto Santo o respectivo administrador do concelho João de Sant'Ana e Vasconcelos foi quem em 1848 coligiu as notas indispensáveis e deu a redacção definitiva aos anais daquele município. É um trabalho valioso e pode considerar-se como uma monografia interessante sobre a ilha do Porto Santo, quer debaixo do ponto de vista histórico, quer ainda quanto á descrição da ilha, estatísticas de suas produções, população, costumes etc. A pesar das suas deficiências, é um trabalho que muito honra a memória do seu autor. Foi integralmente publicado no Heraldo da Madeira nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março de 1906 e já muito antes tinham sido publicados alguns trechos no Diário de Noticias desta cidade.
Menos completos, mas também interessantes e com dados valiosos para a historia do município, são os anais de Machico, que nos parece terem sido redigidos por José Antonio de Almada, natural daquela vila e que foi escrivão do juízo de direito na comarca do Funchal. Conservaram-se inéditos até o ano de 1906, em que, no mês de Novembro, foram publicados na integra no Heraldo da Madeira. Ha ainda a fazer menção dos anais do município da Calheta, que se conservam inéditos e que contêm alguns elementos valiosos para a historia daquele concelho.
A Câmara do Funchal cometeu a redacção dos seus anais primeiramente a Marceliano Ribeiro de Mendonça, depois a Francisco de Andrade e finalmente a Augusto César de Freitas, tendo-se negado o segundo a escreve-los, e nada fazendo o primeiro e o terceiro, a pesar de não constar que se houvessem recusado a desempenhar tal serviço.
Em sessão de 7 de Outubro de 1897 aprovou a Câmara uma proposta do seu presidente para que houvesse no arquivo municipal um livro onde se descrevesse detalhadamente a historia de todas as grandes obras, resoluções e melhoramentos executados pela Municipalidade, mas esta deliberação nunca teve execução, por motivos que nós ignoramos. O livro destinado aos anais mandados organizar pelo conselheiro Silvestre Ribeiro, ainda hoje existe no Arquivo Municipal, perfeitamente em branco.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
João de Sant'Ana e Vasconcelos redigiu os anais municipais do Porto Santo.
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José Silvestre Ribeiro emitiu uma circular sobre a elaboração dos anais municipais em 3 de janeiro de 1848, a que se seguiu um decreto de 8 de novembro que obrigava as câmaras a manter anualmente os Anais do Município.
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José Silvestre Ribeiro emitiu outra circular a insistir na elaboração dos anais municipais.
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A Câmara Municipal do Funchal aprovou a criação de um livro para registar as suas principais obras, mas a iniciativa nunca foi concretizada.
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Os anais municipais do Porto Santo foram publicados na íntegra no Heraldo da Madeira.
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Os anais municipais de Machico foram publicados na íntegra no Heraldo da Madeira.
Lugar
Lugares mencionados · 05- Arquivo Municipal do Funchal
Funchal. Guarda o livro dos anais do Funchal, ainda em branco.
O Arquivo Municipal do Funchal conserva o livro, ainda em branco, dos anais do Funchal. Para lá foi enviada uma pedra com inscrição proveniente do Jardim Municipal, embora já não se encontre no arquivo.
- Calheta
A sua câmara municipal produziu anais que permanecem inéditos.
A Calheta é uma vila e concelho no oeste da Madeira, criado por carta régia de 1 de julho de 1502. Mais tarde, tornou-se sede de um condado concedido aos capitães do Funchal e foi reorganizado como concelho em 1835.
- Funchal
Capital cuja câmara municipal nunca escreveu os seus anais.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Machico
A sua câmara municipal produziu anais, publicados em 1906.
Machico é uma vila e concelho da Madeira situados num vale. O Elucidário traça a sua história municipal desde a provável criação por volta de 1451, passando pelas perdas territoriais para Santa Cruz, São Vicente e Santana. Regista também as suas armas, os seus privilégios e os novos Paços do Concelho de 1929.
- Porto Santo
A sua câmara municipal produziu os anais municipais mais completos.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06-
Terceiro encarregado de escrever os anais do Funchal; nada escreveu.
- Francisco de Andrade1806–1881
Segundo encarregado de escrever os anais do Funchal; recusou a incumbência.
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Administrador do concelho do Porto Santo que compilou os seus anais em 1848.
- José de Almada1880–1885
Natural de Machico e escrivão do tribunal do Funchal, foi provavelmente o autor dos anais de Machico, segundo o Elucidário.
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil da Madeira que publicou circulares em 1848 e 1850, instando as câmaras municipais a manter anais.
- Marceliano Ribeiro de Mendonça1805–1866
Primeiro encarregado pela Câmara Municipal do Funchal de escrever os seus anais; nada escreveu.