Portas da Cidade 1As portas em 1836
Portas da Cidade
Descreve as portas das antigas muralhas do Funchal, enumerando as que ainda existiam em 1836 e as datas da sua demolição, além de referências mais antigas, datadas de 1597 ou provenientes do regimento de fortificação de D. Sebastião e de Frutuoso.
1As portas em 1836
O Funchal, como tôdas cidades antigas, teve as suas portas, que fechavam a horas prèviamente marcadas pelas autoridades e que só se abriam ao toque da alvorada. Em algumas cidades eram essas portas defendidas por certas fortificações destinadas a impedir a entrada de quaisquer assaltantes inimigos. Não sabemos se as portas desta cidade, a não ser as que ficavam junto das fortalezas, teriam alguns elementos de defesa militar.
Nos principios do século XIX tinha a nossa cidade dezasseis portas e em 1836 só existiam onze. Algumas foram demolidas no periodo decorrido de 1836 a 1839, não restando hoje nenhuma delas, a não ser a da Alfandega e talvez uma abertura que ainda existe na cortina da cidade, situada nas proximidades da fortaleza de São Tiago. As portas que ainda estavam de pé no ano de 1836, constam da seguinte relação, mais completa do que a que publicamos a pag. 322 do volume I.º desta obra:
- As duas portas que ficavam entre a fortaleza de São Tiago e o chamado Forte Novo e o Pelourinho, sendo a do lado oriental aquela a que já fizemos referência
- O portão de Nossa Senhora do Calhau, situado entre o Forte Novo e o Pelourinho, na embocadura da rua da Boa Viagem, que foi demolido em 1836 quando se principiou a construção da praça Academica
- O portão dos Varadouros, demolido em 1911 e que veio substituir o que foi apeado quando ali se edificou o arco e a capela do mesmo nome (V. pag. 467 do volume II), continuando a ser uma das portas da cidade
- O portão do extremo-sul da rua do Sabão, demolido em 1836
- O portão do forte da Alfandega
- O portão da Saúde, situado entre a Casa da Saúde (V. Entrada da Cidade) e a fortaleza de São Lourenço, abatido em 1839, quando se procedeu á construção da Entrada da Cidade, hoje Avenida João Gonçalves Zargo
- O portão de São Lazaro, que ficava no alto da rua dos Aranhas e que também tinha este nome, demolido em 1904
- O portão de São Paulo, junto á capela do mesmo nome, demolido em 1839:
- O portão da Carreira, situado abaixo do cemiterio britanico e que foi construido no ano de 1865
O portão do Pico, que se encontrava entre a capela de São Paulo e a rua de Bela Vista, igualmente demolido em 1865.
Das outras cinco portas existentes no principio do século passado, não há noticia segura acêrca dos lugares em que se encontravam.
2Notícias antigas das portas
Vê-se, dum livro existente no arquivo da Camara Municipal, que em 1597 havia as seguintes portas para o lado do mar: a da rua do Peixe, a dos Varadouros, a da rua do Sabão e a da Fortaleza. Não podemos precisar o local onde existiu a primeira destas portas, mas há fortes razões para crer que ela ficasse perto da actual praça de S. Pedro e fôsse a mesma que Frutuoso coloca perto dos açougues.
No regimento das obras de fortificação, dado por D. Sebastião, alude-se á abertura de duas portas para o lado do mar, entre a fortaleza e a igreja de Nossa Senhora do Calhau, e nas Saudades da Terra refere-se Frutuoso a três portas que existiam na muralha, ao longo da ribeira de João Gomes, e bem assim a três outras que ficavam para o lado sul, sendo uma junto da dita igreja de Nossa Senhora do Calhau, outra mais no meio da cidade, perto dos açougues, e a terceira, «a mais principal aos Varadouros».
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Um livro municipal registou quatro portas voltadas para o mar no Funchal.
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Das onze portas da cidade ainda existentes no Funchal em 1836, várias foram demolidas entre 1836 e 1839.
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A Câmara Municipal do Funchal pôs a concurso as obras da Entrada da Cidade em 8 de fevereiro de 1839 e adjudicou a empreitada em 22 de fevereiro; o portão do Porto da Saúde foi demolido para construir a rua.
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No Funchal, foi construída a porta da Carreira e demolida a porta do Pico.
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Foi demolida a porta de São Lázaro, no Funchal.
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Foram demolidos a Capela e o Portão dos Varadouros, no Funchal, bem como o troço de muralha adjacente.
Lugar
Lugares mencionados · 21- Portas da Cidade · Assunto
Funchal
As Portas da Cidade eram as portas das antigas muralhas do Funchal. O Elucidário enumera as que ainda existiam em 1836 e indica quando cada uma foi demolida, além de apresentar referências mais antigas, de 1597, do regulamento das fortificações de D. Sebastião e de Frutuoso.
- Avenida Zarco
Funchal. Antiga Entrada da Cidade, construída em 1839, quando foi derrubada a porta da Saúde.
A Avenida Zarco é uma avenida do Funchal que substituiu a antiga Entrada da Cidade, construída em 1839 após a demolição da porta da Saúde. Entre os edifícios situados na avenida ou com vista para ela contavam-se o antigo edifício da Associação Comercial, que acolhia a Escola Elementar do Comércio, a sede do Clube Republicano da Madeira e o Club Restauração. Nela foi erguido um arco triunfal para o quinto centenário do descobrimento da Madeira, e um cortejo de visitantes de Tenerife foi ali recebido ao som do hino espanhol.
- Capela de São Paulo
Funchal. A porta de São Paulo ficava junto à capela.
Capela construída por Zarco no Funchal, junto da sua casa de pedra. Deu origem à freguesia de São Pedro e foi a sua primeira sede. O primeiro hospital foi construído ao seu lado, cerca de 1469. Deu nome ao largo, à travessa e ao sítio de São Paulo.
- Casa da Saúde
Funchal. A porta da Saúde ficava junto à casa.
A Casa da Saúde é um edifício situado na Entrada da Cidade, no Funchal, junto do qual ficava a porta da Saúde. Acolheu a Associação Comercial, a estação de saúde e a capitania do porto. A Câmara Municipal reuniu-se ali a partir de 1784 e, de novo, em várias datas posteriores.
- Cemitério Britânico
Funchal. A porta da Carreira situava-se abaixo do cemitério.
O cemitério britânico (protestante) do Funchal remonta a uma autorização de 1761. O primeiro cemitério situava-se onde hoje fica o Largo do Conde do Ribeiro Real; o atual foi construído em 1808 e ampliado em 1852 e 1889. Situa-se na Rua da Carreira, junto ao novo Paço Episcopal, e possui uma lápide em memória do reverendo R. T. Lowe.
- Fortaleza de São Lourenço
Funchal. A porta da Saúde ficava perto da fortaleza.
A Fortaleza de São Lourenço, no Funchal, começou por ser um simples baluarte no tempo do quarto e do quinto capitães-donatários e ficou concluída até ao reinado de D. Sebastião; a entrada principal está voltada para o Largo da Restauração. Mais tarde, serviu de palácio e acolheu a estação meteorológica do Funchal. Nela foi hasteada a bandeira republicana nos dias 6 e 7 de outubro de 1910. O Elucidário regista ainda os seus emblemas heráldicos, uma inscrição de 1635, uma antiga Capela de São Lourenço e a destruição da estátua do santo em 1911.
- Fortaleza de São Tiago
Funchal. Uma abertura na muralha, perto da fortaleza, poderá ser o vestígio de uma antiga porta.
Fortaleza na frente marítima do Funchal, no extremo oriental da praia de desembarque, datada de 1614, durante o domínio espanhol, e reconstruída em 1767; albergou mais tarde uma bataria de artilharia de montanha. Ali foram detidos presos em 1823 e 1828, hasteou-se a bandeira republicana em 7 de outubro e a fortaleza disparou durante o bombardeamento do Funchal em 1916.
- Forte Novo
Funchal. Havia portas entre este forte e São Tiago e o Pelourinho.
Havia portas entre este forte e São Tiago e o Pelourinho.
- Funchal
Cidade cujas portas são descritas.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Igreja de Nossa Senhora do Calhau
Funchal. Foram abertas portas entre a igreja e a fortaleza.
A Igreja de Nossa Senhora do Calhau foi a primeira igreja paroquial do Funchal. A sua construção começou cerca de 1438 junto à praia, na margem esquerda da Ribeira de João Gomes. Foi repetidamente danificada por cheias e destruída pela grande cheia de 1803; a capela-mor foi preservada como memória da igreja até à demolição das ruínas em 1835 para dar lugar a um mercado.
- Pelourinho
Funchal. Marco que delimitava várias portas voltadas para o mar.
O Pelourinho do Funchal foi mandado erguer por D. Manuel em 1486, construído em jaspe e demolido por decisão da Câmara Municipal em 1835. O forte de São Filipe ficava a sul e o pelourinho servia de referência para delimitar várias portas da cidade viradas para o mar.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02-
Rei de Portugal cujo regimento para as obras de fortificação do Funchal previa duas portas voltadas para o mar.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Autor das Saudades da Terra, obra que descreve as portas da muralha do Funchal.