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Junta Governativa da Madeira em 1847 1A revolução e a Junta
Artigo Nº 1963 Acontecimento histórico Vol. II · pp. 389–391 4 min de leitura

Junta Governativa da Madeira em 1847

Relato da Junta Governativa revolucionária constituída na Madeira em 29 de abril de 1847 em apoio da revolta da Maria da Fonte e da Junta do Porto, e da sua dissolução sob pressão naval britânica e francesa em julho de 1847.

Junta Governativa da Madeira em 1847

1A revolução e a Junta

A revolta popular que em 1846 rebentara na província do Minho e se alastrara rapidamente por outros pontos do país, ficou na nossa historia conhecida pelo nome de revolução da Maria da Fonte. Depois da constituição dum governo provisório na cidade do Porto, que teve a denominação de Junta Governativa do Porto, outras Juntas suas delegadas se organizaram em diversas vilas e cidades com o fim de apoiar o movimento revolucionário que se propunha derrubar o governo dos Cabrais e anular as grandes influencias de que gozava nas esferas do poder. Seguiu-se um período verdadeiramente calamitoso de guerra civil, que prometia eternizar-se, a não haver-se dado a intervenção de algumas potências estrangeiras.

A revolução teve seu eco na Madeira na madrugada de 29 de Abril de 1847, com o pronunciamento das tropas da guarnição, que no antigo passeio publico aderiram solenemente à revolução e à Junta Governativa do Porto. No pátio do hospital de Santa Isabel, pelas cinco horas da manhã daquele dia, se reuniram a Câmara Municipal, vários funcionários, algumas pessoas de representação e bastantes populares, achando-se postada a força armada a poucos metros de distancia, e proclamaram então os princípios da revolução e aderiram á Junta do Porto, nomeando a Junta Governativa da Madeira, que ficou constituída por Luis de Ornelas e Vasconcelos, presidente, Francisco Correia Heredia, vice-presidente, Diogo Berenguer, Luis Agostinho de Figueiroa, Dr. José Julio Rodrigues e Antonio Correia Heredia, secretario. Tendo Luis de Ornelas e Vasconcelos abandonado desde logo os trabalhos da Junta, assumiu a sua presidência, até á sua dissolução, o morgado Francisco Correia Heredia. Era então governador civil do distrito o benemérito conselheiro José Silvestre Ribeiro, que, não aderindo ao movimento revolucionário, abandonou imediatamente o governo e se recolheu á Quinta do Pico de S. João e depois à quinta do Deão, pondo-se ao abrigo da hospitalidade que lhe ofereceram dois súbditos ingleses ali residentes.

2Governo e dissolução da Junta

A Junta Governativa da Madeira desenvolveu desde os primeiros momentos da sua constituição uma pasmosa actividade, que parece ter excedido os trabalhos das suas congéneres, que se haviam organizado em muitas terras de Portugal. Nomeou governador civil o professor do Liceu Manuel Joaquim da Costa Andrade, que escusando-se pouco depois de assumir aquele cargo foi substituído pelo tenente-coronel Manuel José Júlio Guerra, que também havia sido nomeado comandante militar da Madeira. O Dr. António Ribeiro Pacheco Nunes, o Dr. Luís da Costa Pereira e o Dr. Juvenal Honório de Ornelas foram respectivamente nomeados delegado do procurador régio, presidente da Câmara e delegado de saúde. Foram demitidos muitos funcionários públicos e substituídos por indivíduos que tivessem aderido ao movimento revolucionário ou aos princípios proclamados pela Junta do Porto. Houve acesso de postos para alguns oficiais da guarnição e vários sargentos foram promovidos a alferes. A acção governativa da Junta da Madeira fez sentir, por vezes, duma maneira verdadeiramente arbitraria em muitos ramos da administração publica levantando protestos enérgicos dos povos, apesar dos poderes discricionarios de que a mesma Junta se revestira. Segundo um documento da época, deixou completamente exaustos os cofres públicos do distrito.

Como se protelasse a guerra civil, a Inglaterra, a Espanha e a França resolveram interferir nos negócios internos do nosso país, pondo termo á anarquia que por toda a parte se alastrava. No dia 23 de Junho, apareceu no porto do Funchal a fragata inglesa de guerra Thetis, impondo o seu comandante á Junta Governativa da Madeira a sua imediata dissolução, o que esta fez no dia 14 de Julho de 1847, dirigindo por essa ocasião uma proclamação a todos os habitantes deste arquipélago.

No dia 21 de Julho, ancoraram no nosso porto os navios de guerra inglesas Terrible e Recruit e a fragata francesa Armide, tendo os respectivos comandantes, no dia 26 do mesmo mês, entregue o governo do distrito ao conselheiro José Silvestre Ribeiro, revestindo o acto, que se realizou no palácio de S. Lourenço, a maior solenidade e havendo por essa ocasião varias demonstrações de regozijo.

No dia 11 de Agosto, tendo já terminado o movimento revolucionário ancorou na baía do Funchal, procedente da cidade do Porto, o vapor de guerra D. Luiz que conduzia a seu bordo o batalhão de Caçadores n.° 6, sob o comando do tenente-coronel José Marques Salgueiral.

Acerca deste assunto, leia-se o opúsculo da autoria do tenente-coronel Alberto Artur Sarmento, intitulado «Maria da Fonte na Madeira».

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. A revolta popular da Maria da Fonte eclodiu no Minho, desencadeando um movimento revolucionário em Portugal; Justino António de Freitas integrou o seu governo provisório e António Alves da Silva interrompeu os estudos em Coimbra.

  2. No contexto do movimento da Maria da Fonte, a Infantaria n.º 11 e a Artilharia n.º 4, juntamente com a Câmara Municipal do Funchal, pronunciaram-se a favor da Junta do Porto e instalaram a Junta Governativa da Madeira, da qual António Correia Herédia foi secretário e que governou até 14 de julho de 1847.

  3. A fragata britânica Thetis chegou ao Funchal e exigiu a dissolução da Junta; esta dissolveu-se em 14 de julho e os comandantes britânicos e franceses restituíram José Silvestre Ribeiro ao cargo de governador civil em 26 de julho.

  4. O navio de guerra D. Luiz trouxe ao Funchal o batalhão de Caçadores n.º 6.

Lugar

Lugares mencionados · 08

No estrangeiro

Mapa: Madeira (8)
  1. Funchal

    Local onde navios de guerra estrangeiros fundearam para forçar a dissolução da junta.

  2. Hospital de Santa Isabel

    Funchal. No seu pátio foi proclamada a junta.

  3. Minho

    Portugal. Província onde eclodiu a revolta da Maria da Fonte em 1846.

  4. Palácio de São Lourenço

    Funchal. Local onde o governo foi devolvido a Silvestre Ribeiro.

  5. Passeio Público

    Funchal. Local onde a guarnição se declarou a favor da revolução em 29 de abril de 1847.

  6. Porto

    Portugal. Sede da revolucionária Junta Governativa do Porto.

  7. Quinta do Deão

    Funchal. Refúgio posterior do governador Silvestre Ribeiro.

  8. Quinta do Pico de São João

    Funchal. Primeiro refúgio do governador Silvestre Ribeiro.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 14
  1. Autor do opúsculo Maria da Fonte na Madeira sobre estes acontecimentos.

  2. Secretário da Junta Governativa da Madeira de 1847.

  3. Nomeado delegado do procurador régio pela Junta de 1847.

  4. Membro da Junta Governativa da Madeira de 1847.

  5. Vice-presidente e, depois, presidente interino da Junta da Madeira de 1847 até à sua dissolução.

  6. Membro da Junta Governativa da Madeira de 1847.

  7. Comandante do batalhão de Caçadores n.º 6, que chegou ao Funchal em 11 de agosto de 1847.

  8. Governador civil da Madeira que se recusou a aderir à revolta de 1847, se refugiou junto de residentes britânicos e foi reintegrado em 26 de julho de 1847.

  9. Nomeado delegado de saúde pela junta de 1847.

  10. Membro da Junta Governativa da Madeira de 1847.

+ 4 mais
  1. Nomeado presidente da Câmara Municipal pela junta de 1847.

  2. Nomeado presidente da Junta Governativa da Madeira em abril de 1847, abandonou de imediato os seus trabalhos.

  3. Professor do Liceu nomeado governador civil pela junta de 1847, cargo a que renunciou pouco depois.

  4. Tenente-coronel nomeado comandante militar e, depois, governador civil da Madeira pela junta de 1847.

Na folha J

Vistos recentemente

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