Heredia (António Correia)
Biografia de António Correia Herédia (1822–1899), jornalista, administrador alfandegário e político madeirense que exerceu numerosos cargos, incluindo os de governador civil, deputado e par do Reino, e liderou a junta revolucionária de 1847 no Funchal.
Vida, cargos e escritos
Nasceu este ilustre madeirense a 2 de Março de 1822 e faleceu em Lisboa a 23 de Junho de 1899, sendo filho de Francisco Correia Herédia (V. este nome) e de D. Ana Margarida de Bettencourt Acciaioly e Sá Escórcio Drumond, e descendia de antigas e nobres famílias desta ilha. Não sabemos que possuísse habilitações literárias oficiais, mas a falta de cursos superiores ou universitários não obstou a que fosse um hábil e talentoso jornalista, e teria porventura sido um distinto escritor, se variadas ocupações não lhe houvessem inteiramente absorvido a grande actividade do seu espírito. Provam-no os escritos que deixou. Exerceu muitos cargos públicos, e assim foi presidente da Câmara Municipal, procurador à Junta Geral, secretário geral, governador civil, director das alfândegas do Funchal, Porto e Lisboa, director geral das alfândegas, deputado, par do reino, presidente de muitas comissões destinadas à reforma de diversos serviços públicos etc. No desempenho de alguns destes cargos escreveu vários relatórios, regulamentos e projectos de lei, que exuberantemente provam o seu saber, a sua competência e as suas grandes faculdades de trabalho. Além da sua obra jornalística, que é grande, publicou: Breves reflexões sobre a abolição dos morgados na Madeira, Lisboa, 1849, As contradições imaculadas, Funchal, 1850, A Boa Fé do «Archivista», Funchal, 1852, Observações sobre a situação económica da ilha da Madeira e sobre a reforma das Alfândegas, Lisboa, 1888, de 96 pág., Relatório do Projecto do Regulamento Geral das Alfândegas, Lisboa, 1876, de 129 pág., Exposição e Documentos enviados à Câmara dos Dignos Pares, Lisboa, 1886, António Correia Herédia — Ao Público, Lisboa, 1885, de 235 pág.
António Correia Herédia foi secretário geral deste distrito e serviu também de governador civil, e representou a Madeira no parlamento, nas sessões legislativas de 1857 a 1858, 1858 a 1859 e 1865 a 1868.
Por ocasião do governo provisório da Junta do Porto, no ano de 1847, foi António Correia Herédia o secretário da Junta Governativa da Madeira, ou antes foi nesta cidade a alma desse movimento revolucionário. V. Junta Governativa.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Nasceu António Correia Herédia.
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No contexto do movimento da Maria da Fonte, a Infantaria n.º 11 e a Artilharia n.º 4, juntamente com a Câmara Municipal do Funchal, pronunciaram-se a favor da Junta do Porto e instalaram a Junta Governativa da Madeira, da qual António Correia Herédia foi secretário e que governou até 14 de julho de 1847.
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António Correia Herédia representou a Madeira no Parlamento em várias legislaturas entre 1857 e 1868.
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António Correia Herédia morreu em Lisboa.
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Funchal
Cidade onde Herédia dirigiu a alfândega e presidiu à junta de 1847.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde Herédia morreu e dirigiu a alfândega.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Porto
Portugal. Cidade onde Herédia dirigiu a alfândega e onde teve sede a junta provisória de 1847.
Cidade portuguesa onde começou a revolução liberal de 1820. O seu distrito é o único com maior densidade populacional do que o do Funchal. Vários madeirenses estudaram na sua escola médica ou na Academia Politécnica, e alguns viveram ou morreram na cidade. O editor de O Funchalense Liberal foi ali enforcado, e o Marítimo venceu ali o FC Porto em 1922.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03- António Correia Herédia1822–1899
Jornalista madeirense, diretor-geral das Alfândegas, governador civil, deputado e par do Reino, biografado neste artigo.
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Mãe de António Correia Herédia, descendente de antigas famílias nobres madeirenses.
- Francisco Correia Herédia1793–1880
Pai de António Correia Herédia, a quem é dedicada uma entrada própria no Elucidário.