Ribeira Brava (Visconde da) 1Origem, carreira e vida política
Ribeira Brava (Visconde da)
Biografia de Francisco Correia Heredia, Visconde da Ribeira Brava (1852–1918), político madeirense progressista e, mais tarde, republicano, deputado e governador civil, morto em Lisboa em 1918 quando era escoltado como preso político.
1Origem, carreira e vida política
Francisco Correia Heredia, que, depois da abolição dos títulos nobiliarquicos, passou a chamar-se Francisco Correia Heredia Ribeira Brava, nasceu na freguesia de que tomou o título a 2 de Abril de 1852, sendo filho do conselheiro Antonio Correia Heredia (V. este nome) e de D. Ana de Bettencourt Heredia, e descendia das mais antigas e nobres famílias madeirenses (V. Heredia). Foi agraciado com o título de visconde por decreto de 4 de Maio de 1871.
Cursou o liceu desta cidade e frequentou o antigo Curso Superior de Letras.
Militou activamente na política, sendo uma figura em destaque no antigo partido progressista. Foi eleito algumas vezes deputado e representou a Madeira na sessão legislativa de 1897-1899, tendo também sido governador civil nos distritos de Bragança, Beja e Lisboa. Teve um papel preponderante na dissidência progressista chefiada pelo conselheiro Alpoim, tomando parte em diversos movimentos revolucionários que apressaram a queda da monarquia.
Implantada a republica, seguiu a facção partidária do Dr. Afonso Costa, de quem foi grande admirador e amigo, e passou a exercer na Madeira um lugar proeminente na política local, tendo representado este arquipélago em cortes nas legislaturas de 1911-1915 e 1915-1917.
2Cargos, viagens e morte
Foi durante alguns anos o presidente da Junta Agrícola da Madeira, tendo iniciado alguns empreendimentos dignos de nota, mas de resultados práticos pouco apreciáveis. Esta corporação administrativa, como já em outro lugar fizemos sentir (volume II, página 197), não correspondeu ao muito que havia a esperar da sua acção, como um poderoso factor, que deveria ter sido, das prosperidades deste arquipélago.
Fez parte também da junta Geral do Distrito, da Junta Autónoma das Obras do Porto do Funchal e da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia. Por 1893, estava na Republica Argentina, administrando as propriedades da Casa Armstrong, tendo tido muitas vezes ocasião de coadjuvar o visconde de Faria na recepção das pessoas categorizadas que visitaram aquele país, e viveu alguns anos em Paris, onde conviveu com muitos homens de letras e frequentou a melhor sociedade daquela capital, tendo por isso um perfeito conhecimento da língua francesa.
O visconde da Ribeira Brava foi morto em Lisboa, a 16 de Outubro de 1918, na ocasião em que era conduzido, com outros prisioneiros políticos, do Governo Civil para uma fortaleza, onde devia ficar detido. Diz-se que os presos políticos atacaram a força que os escoltava, e que esta respondeu com uma descarga a queima-roupa, matando sete dos mesmos presos. V. Ribeira Brava (Freguesia da).
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Francisco Correia Heredia, futuro Visconde da Ribeira Brava, nasceu na Ribeira Brava.
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Francisco Correia Herédia recebeu por decreto o título de Visconde da Ribeira Brava.
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O Visconde da Ribeira Brava encontrava-se na Argentina a administrar as propriedades da Casa Armstrong.
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O Visconde da Ribeira Brava representou a Madeira como deputado na sessão legislativa.
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O Visconde da Ribeira Brava representou a Madeira no parlamento republicano em 1911–1915 e 1915–1917.
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O visconde foi morto a tiro em Lisboa, juntamente com outros seis presos políticos, quando eram escoltados para uma fortaleza.
Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Argentina
País onde administrou as propriedades da Casa Armstrong por volta de 1893.
País da América do Sul para o qual emigraram cerca de 250 madeirenses em 1905. Francisco Mendes Gonçalves aí fez fortuna, o Visconde da Ribeira Brava administrou aí as propriedades da Casa Armstrong por volta de 1893, e Anatole France viajou para lá em 1909.
- Beja
Portugal. Distrito de que foi governador civil.
Beja é uma cidade e um distrito de Portugal Continental. A primeira abadessa do Convento de Santa Clara, no Funchal, veio do Convento da Conceição daquela cidade, e D. José Xavier de Cerveira e Sousa foi transferido para a sua diocese em 1848. O Visconde da Ribeira Brava exerceu ali o cargo de governador civil.
- Bragança
Portugal. Distrito de que foi governador civil.
Bragança é um distrito e uma diocese de Portugal Continental, referidos pela sua baixa densidade populacional. Várias figuras ligadas à Madeira exerceram ali funções, nomeadamente como governador civil, governador da diocese a partir de 1840, vigário-geral a partir de 1824 e vice-reitor do Seminário.
- Lisboa
Portugal. Distrito de que foi governador civil e cidade onde foi morto.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Paris
France. Cidade onde viveu durante alguns anos.
Capital francesa onde Franco de Sousa se estabeleceu e pintou «Ar livre», e onde Juvenal Honório de Ornelas se doutorou em Medicina em 1834. O Padre Luiz Gonçalves da Câmara estudou ali e conheceu Loyola; o Barão de Ornelas formou-se, exerceu a profissão e morreu na cidade.
- Ribeira Brava
Terra natal do visconde, da qual deriva o seu título.
A Ribeira Brava é uma das freguesias mais antigas da Madeira. Deve o nome à sua ribeira impetuosa e possui vila, porto e cais. O Elucidário aborda a sua igreja colegiada e as respetivas pinturas, o convento franciscano e as capelas, bem como a festa de São Pedro, com barco e dança das espadas. Regista também tumultos contra o sistema métrico e as mortes causadas por disparos das tropas sobre a população durante as eleições de 1884.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06-
Visconde madeirense, deputado e governador civil, morto em Lisboa em 1918 quando era preso político; tema desta entrada.
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Líder republicano cuja fação o visconde seguiu depois de 1910.
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Líder da dissidência progressista em que o visconde teve um papel destacado.
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Mãe do Visconde da Ribeira Brava.
- António Correia Herédia1822–1899
Conselheiro e pai do Visconde da Ribeira Brava.
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Pessoa a quem o visconde ajudou a receber visitantes ilustres na Argentina.