Heredia (Conselheiro Francisco Correia)
Biografia de Francisco Correia Herédia (1793–1880), fidalgo madeirense e liberal que combateu no cerco do Porto, foi deputado, presidente da Câmara Municipal do Funchal e da Junta Governativa revolucionária e se distinguiu durante a epidemia de cólera de 1856.
Pertencia à antiga e nobre familia Herédia desta ilha. Um dos representantes directos desta família e administrador de vários vínculos foi D. José de Brito Heredia, cuja filha e única herdeira, D. Antonia Basilia Heredia de Bettencourt, casou em 1801 com o conhecido e distinto diplomata e estadista Antonio Saldanha da Gama, que foi agraciado com o título de conde do Porto Santo. Morrendo os condes do Porto Santo sem descendência, passou a importante casa ao parente mais próximo Francisco Correia Herédia, pai de Antonio Correia Herédia e avô do visconde da Ribeira Brava.
O conselheiro Francisco Correia Heredia nasceu nesta ilha a 4 de Julho de 1793 e morreu em Lisboa a 27 de Julho de 1880, e era filho de D. Francisco Moniz de Aragão e Melo de Heredia. As perseguições que ele e sua família sofreram por parte dos miguelistas, obrigaram-no a emigrar para o Brasil, seguindo depois para França e Inglaterra e reunindo-se mais tarde ao exército libertador, em cujas fileiras militou, distinguindo-se pelo seu valor, principalmente no cerco do Porto.
Foi deputado por este distrito na sessão legislativa de 1842 a 1845, e presidente da Junta Governativa que na Madeira se organizou por ocasião do movimento revolucionário da Maria da Fonte.
Foram assinalados e ficaram memoráveis os serviços que prestou por ocasião da epidemia da colera-morbus, que assolou esta ilha em 1856.
Exerceu entre nós diversos cargos públicos, como presidente da Câmara do Funchal, recebedor geral, governador civil interino, presidente da Junta Governativa, etc.
A Religião e Progresso, de 20 de Agosto de 1880, transcreveu um longo artigo biográfico do conselheiro Herédia, publicado no Diário de Noticias, de Lisboa.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
Francisco Correia Herédia nasceu na Madeira.
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D. Antónia Basília Herédia de Bettencourt casou com António Saldanha da Gama.
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Francisco Correia Herédia foi deputado pelo distrito do Funchal.
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Uma epidemia de cólera, trazida pelo Regimento de Infantaria n.º 1, assolou a Madeira de julho a outubro de 1856, causando, segundo a tradição, cerca de dez mil mortes e deixando muitos órfãos. Álvaro Rodrigues de Azevedo, Luiz Albino Gonçalves e outros prestaram serviço durante a epidemia.
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Francisco Correia Herédia morreu em Lisboa; A Religião e Progresso republicou um artigo biográfico sobre ele a 20 de agosto.
Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Brasil
Brazil. País para onde emigrou para fugir à perseguição miguelista.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- França
France. País onde esteve exilado.
A França é um país onde vários madeirenses combateram e morreram na Primeira Guerra Mundial, entre eles Gabriel Rocha de Gouveia e João Paulo da Veiga Pestana. Foi também lugar de estudo, exílio e refúgio para madeirenses. De lá partiu a expedição que deu origem ao Saque dos Franceses, e era o destino pretendido pelos fugitivos da lenda de Machim.
- Funchal
Cidade a cuja Câmara Municipal presidiu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Inglaterra
United Kingdom. País onde esteve exilado.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde Herédia morreu em 1880.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Porto
Portugal. Cidade em cujo cerco se distinguiu.
Cidade portuguesa onde começou a revolução liberal de 1820. O seu distrito é o único com maior densidade populacional do que o do Funchal. Vários madeirenses estudaram na sua escola médica ou na Academia Politécnica, e alguns viveram ou morreram na cidade. O editor de O Funchalense Liberal foi ali enforcado, e o Marítimo venceu ali o FC Porto em 1922.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 07- Francisco Correia Herédia1793–1880
Liberal madeirense, deputado e titular de cargos públicos que herdou a casa dos Herédia; figura biografada nesta entrada.
- António Correia Herédia1822–1899
Filho de Francisco Correia Herédia.
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Diplomata e estadista agraciado com o título de conde de Porto Santo; após a sua morte, sem descendentes, a casa dos Herédia passou para Francisco Correia Herédia.
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Única herdeira de José de Brito Herédia; casou com António Saldanha da Gama em 1801 e tornou-se condessa de Porto Santo.
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Neto de Francisco Correia Herédia.
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Pai de Francisco Correia Herédia.
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Representante da família Herédia e administrador de vários morgadios.