Junta Governativa do Bispado em 1869
A junta de três clérigos que governou a Diocese do Funchal em 1869–1870, durante a ausência do bispo D. Patrício Xavier de Moura. A sua conduta contrária às normas canónicas, nomeadamente uma circular de 26 de janeiro de 1870 que condenava práticas piedosas, mereceu a censura da nunciatura em Lisboa.
Apesar desta diocese ter sido algumas vezes governada por Juntas Governativas, em virtude da morte ou ausência dos respectivos prelados, uma houve que, pela maneira como geriu os negócios do Bispado, deu muito que falar de si, tendo-se a imprensa desta cidade e ainda da capital ocupado dos seus actos, que chegaram a merecer a formal condenação do episcopado português e até da Santa Sé. Pela ausência do Bispo D. Patrício Xavier de Moura no ano de 1869, ficou esta diocese sendo administrada por uma Junta Governativa composta de três eclesiásticos, que, afastando-se da observância das leis canónicas e das praxes em vigor, concitou a má vontade do clero e dos fiéis, tendo sido censurado o seu procedimento pela nunciatura de Lisboa. O acto mais saliente e escandaloso da sua administração foi o da circular de 26 de Janeiro de 1870, em que eram condenadas varias praticas de piedade e religião, na mais diametral oposição com os ensinamentos da Igreja e com as doutrinas dos seus mais abalizados doutores e teólogos. O distinto escritor e grande polemista católico Sousa Monteiro ocupou-se do assunto no Bem Publico, e, em 1870, publicou-se em Lisboa um opúsculo com o título Breves reflexões acerca da Circular de 26 de Janeiro de 1870 do presidente da Junta Governativa do Bispado do Funchal.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
Na ausência do bispo, a Diocese do Funchal foi governada por uma junta de três clérigos.
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Foi publicado em Lisboa um opúsculo que criticava a circular da junta governativa do bispado.
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A Junta Governativa do Bispado dirigiu aos párocos uma circular que condenava várias práticas piedosas, causou escândalo e suscitou críticas da Santa Sé.
Lugar
Lugares mencionados · 02No estrangeiro
- Funchal
Sede da diocese governada pela junta.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Sede da nunciatura que censurou a junta e cidade onde foi publicado um opúsculo contra a sua circular.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- Patrício Xavier de Mouram. 1872
Bispo do Funchal cuja ausência em 1869 deixou a diocese a cargo da controversa junta governativa.
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Escritor e polemista católico que criticou a atuação da junta no jornal Bem Público.