Salinas 1Tentativas de salinação
Salinas
Relato das repetidas tentativas, na maioria fracassadas, de produzir sal marinho na Madeira e no Porto Santo desde 1792, com uma análise dos obstáculos técnicos e uma longa citação do almirante Hugo de Lacerda, que defendia que a produção de sal ainda poderia ter êxito.
1Tentativas de salinação
Por diferentes vezes se tem pretendido estabelecer no arquipélago a indústria da extracção do sal das águas do mar, quase sempre, porém, com resultados pouco animadores. A mais antiga tentativa para o exercício dessa indústria data de 1792, tendo o alvará de 20 de Novembro deste ano permitido a Tomás Watts, Francisco Martins da Luz e João José de Basto «o estabelecimento de fabricas de pescarias e salinas em todo o estado da Madeira e praia chamada formosa», seguindo-se a essa tentativa uma outra de Francisco Vicente Espinosa da Camara que, em 1823, requereu o exclusivo, durante 30 anos, do fabrico do sal na Madeira, apontando alguns meios de se obter este produto em condições vantajosas.
Na Praia Formosa, encontram-se vestígios de antigas instalações para a cristalização do sal, construídas provavelmente pelos primeiros indivíduos que ensaiaram a salinação entre nós, e muito perto deste sítio, na Ponta da Cruz, houve há cerca de 15 anos uns ensaios para o fabrico do mesmo produto, os quais não deram resultado algum por se tornar necessário elevar a água do mar a grande altura para a fazer entrar nos reservatórios. Foi José da Corte quem procurou estabelecer marinhas na Ponta da Cruz, mas com a montagem da fabrica de conservas de atum, cessaram por completo as tentativas para a extracção do sal naquele sítio.
Por 1865 fez construir António de Sousa umas salinas no Paul do Mar, nos sítios das Lagoas e Serra da Cruz as quais passaram, cremos que por 1878, para a posse de Filipe António Gonçalves, e há 15 para 20 anos outras salinas foram estabelecidas perto das antigas, tendo sido seus donos José Mauricio Gomes, João Martins da Silva, José da Corte e Alexandre da Silva (1921). Tanto nestas como nas antigas salinas se fabricou muito sal, nem sempre de má qualidade, o que não obstou a que umas e outras tivessem de ser abandonadas por darem pouco lucro, ou talvez prejuízos aos seus proprietários. Para o revestimento do fundo e paredes dos reservatórios destas ultimas salinas, chegou a importar-se barro de Portugal.
Temos ainda conhecimento de duas outras tentativas para a extracção do sal, realizadas na Madeira, uma no sítio da Fajã da Areia, em S. Vicente, e a outra na freguesia do Caniçal, das quais também se não colheram resultados animadores. Foram José Maurício Gomes e J. Pontes Leça os instaladores e dirigentes das salinas do Caniçal.
No Porto Santo, algumas tentativas houve também para o estabelecimento da indústria da extracção do sal das águas do mar, sendo a mais antiga a de Isidoro da Silva, que consumiu capitais avultados na construção dumas salinas no sítio da Fontinha. Em 1890 e nos anos imediatos, conseguiu Augusto de Nóbrega Noronha extrair muito sal dumas marinhas mandadas construir por ele na Serra de Fora, na parte norte da ilha, e, por 1903, outras marinhas foram estabelecidas no mesmo sítio, sendo seu proprietário o Dr. António Luís Pimenta, não tendo estas dado, porém, resultados satisfatórios, devido, segundo se disse, a defeitos na construção dos reservatórios destinados a receber as águas.
Para o funcionamento das marinhas do arquipélago, torna-se preciso elevar as águas por meio de maquinismos de qualquer natureza, visto os reservatórios, pela conformação da costa, não poderem ficar em nível inferior ao do mar. Esta circunstancia por um lado, e por outro uma certa lentidão na evaporação das águas devido ao céu muitas vezes se apresentar toldado durante o estio, e haver de ordinário na atmosfera uma dose avultada de vapor de água, tornam a salinação mais dispendiosa e difícil aqui do que no Continente, o que não quer dizer que ela não possa realizar-se, e em condições talvez vantajosas, se se respeitarem certos preceitos a que nem sempre até hoje se tem ligado a devida consideração.
As salinas do Paul do Mar não deram resultados animadores por terem sido construídas em local pouco varrido pelos ventos e se tornar preciso o emprego de motores a vapor para se conseguir a elevação das águas; no Caniçal, porém, há razões para crer que ainda possa vir a dar lucros a indústria da extracção do sal, uma vez que haja a cautela de cimentar os reservatórios para o produto obtido se não apresentar, como já sucedeu, carregado de impurezas. Aí como no Porto Santo, podem ser usados os aeromotores na elevação das águas, o que representa para esta operação uma grande economia, sendo com o auxilio duma destas maquinas e com reservatórios nas condições acima indicadas, que o falecido Augusto de Nóbrega Noronha conseguiu obter naquela ilha sal tão perfeito como o que vem de Portugal.
2Parecer do almirante Hugo de Lacerda
Merece especial estudo a exploração das «salinas» neste arquipélago, atenuando as desfavoráveis impressões que entre nós se têm mantido acerca dos vários insucessos ocorridos em volta dessa apreciada indústria. Para isso, vamos transcrever alguns trechos de um belo artigo do ilustre oficial da armada e académico almirante Hugo de Lacerda, que encerra valiosas informações acerca deste importante assunto.
«Uma simples comparação dos factores de ordem técnica que podem ser considerados basilares na questão de que se trata, entre os daqui e os do Continente português, julgo que pode já trazer alguma elucidação. Como se sabe, é Portugal continental um dos principais produtores de sal: salinas vastas, ou marinhas, na Ria de Aveiro, no estuário do Mondego, no Tejo até Vila Franca e na margem ribatejana, no Rio Sado até Alcácer do Sal, e ainda no Algarve em Faro, Tavira e Portimão. Vejamos: – Quanto aos graus de salinidade da água e da sua pureza, só poderão ser vistas vantagens neste Arquipélago. O inconveniente que ouvi citar de a salinidade aqui ser maior do que no Continente, só pode colher em inverso sentido; de resto, não será por as marinhas do Continente serem situadas (com excepção das de Faro) em regiões fluviais que receberão águas menos densas, porque elas funcionam nas épocas das estiagens. – Relativamente à maior facilidade de enchimento dos reservatórios não pode haver dúvidas que acentuadas vantagens existem no Continente, bastando ali só o fluxo das marés mais altas para dar franca entrada às águas: e as facilidades são tanto melhores quanto se trata do maior remanso de zonas fluviais. A quantidade de água a ser tratada é considerável porque cada litro só pode fornecer cerca de duas dezenas de gramas de cloreto de sódio; contudo, podendo-se contar com o vento, o moinho pode resolver mais economicamente a dificuldade; tanto mais que em outros misteres pode também ele ser aplicado. É para notar que na Itália, país também grande produtor de sal, as marés mediterrâneas atingem, sobre o nível médio, quando muito 0,m3, não sendo pois natural que não haja ali a recorrer a processos artificiais mais ou menos dispendiosos. - Sobre o que respeita à impermeabilização dos fundos e paredes dos reservatórios, o que parece ter sido causa principal dos insucessos mencionados, não há também duvida sobre as vantagens no Continente. Mas se o revestimento, como foi feito em Porto Santo, abriu fendas, são estas menos de esperar com os modernos processos do cimento armado, que para o caso nem precisa contar com sensíveis cargas, bastando talvez a simples rede metálica para armadura; de resto, há também já processos de boa impermeabilização, as próprias fendas podem ter remédios e deve-se contar com a cobertura liquida pelo menos na época de maiores temperaturas ao sol. Em Mossamedes, consta-me que o sal para a salga do pescado, tão abundante ali, é fabricado em reservatórios revestidos a betão, naturalmente armado. A Enciclopédia Britanica a reservatórios desta ordem se refere. – É condição o não haver chuvas durante o período do fabrico, e esta é idêntica e praticamente realizada em ambas as regiões. – O calor figura como importante factor, sendo para julgar sobretudo o da directa radiação solar; quanto ao calor à sombra, deve haver alguma vantagem aqui, mas relativamente ao directo do sol descoberto é que já pode haver duvidas, ainda nos lugares litorais que interessam para a questão, mais assoalhados, ou sejam os de Porto Santo; contudo, já uma das experiências demonstrou que podia ser obtido abundante sal. – Ao vento não poderá deixar de ser atribuída importância capital. Em grande parte do sul da Madeira com relativamente pequena acção desta ordem poderá ser contada; mas já no lado norte e no lado sul, de Machico para Este, e principalmente em Porto Santo, a julgar pelos ventos que sopram na Ponta de S. Lourenço, as diferenças não deverão ser tão acentuadas em relação às fortes nortadas do litoral continental nos meses de verão. A este respeito também aquela experiência que produziu abundante sal (embora de má qualidade) é também para ter em consideração.
Por ultimo, o que se refere á humidade relativa da atmosfera que, sendo considerável, deve contrariar as acções do sol e do vento, diminuindo a evaporação. Esta condição tem perfeita identidade, nas duas regiões consideradas no verão, porque no inverno (bom é sempre repetir) são aqui bastante superiores as vantagens.
Eu resumo: Quanto à técnica, respeitada que ela seja, e escolhidos os locais, parece não haver razão para se pensar que se não possa obter aqui bom e abundante sal; e assim a questão reveste-se principalmente do aspecto financeiro, de razoáveis lucros: a um lado a maior despesa com os revestimentos dos reservatórios e a elevação das águas, do outro o custo de transporte do sal do Continente para aqui e ainda o maior preço da mão d'obra, tanto na instalação inicial como do próprio fabrico.
Mas isto não quer dizer que não haja a recorrer ao bom perito, para uma e outra cousa, auxiliado por pessoal adestrado no mister. E querendo-se, porventura, volver a nova tentativa, bem orientada, não será possível encontrar bom guia, impresso, tanto da parte técnica como da ordem financeira? O Dicionário Português Ilustrado refere-se a artigo de engenheiro português sobre o assunto.
A considerar é ainda que a Madeira pode de um momento para o outro ficar isolada, ou quasi assim, e o sal é das primeiras necessidades, tanto que em alguns pontos é objecto de principal permuta».
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Uma carta régia autorizou Tomás Watts e os seus sócios a estabelecer pescarias e salinas na Madeira, na primeira de várias tentativas falhadas de fundar companhias de pesca (a que se seguiu outra em 1802).
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Francisco Vicente Espinosa da Câmara pediu o monopólio da produção de sal na Madeira por 30 anos.
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António de Sousa construiu salinas no Paul do Mar.
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As salinas do Paul do Mar passaram para Filipe António Gonçalves.
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Augusto de Nóbrega Noronha começou a produzir grandes quantidades de sal na Serra de Fora, no Porto Santo.
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Foram instaladas novas salinas pertencentes a António Luís Pimenta na Serra de Fora, no Porto Santo.
Lugar
Lugares mencionados · 16No estrangeiro
- Alcácer do Sal
Portugal. Zona produtora de sal no continente, junto ao Sado, citada para comparação.
Zona de produção de sal no continente, junto ao Sado, citada para comparação.
- Caniçal
Machico. Freguesia com salinas consideradas ainda potencialmente rentáveis.
Freguesia piscatória isolada no extremo oriental da Madeira, na base da Ponta de São Lourenço. Teve origem num morgadio dos Moniz e na coutada de João Teixeira, tornando-se freguesia por volta de 1561. Celebra a festa de Nossa Senhora da Piedade com uma procissão marítima e possui um forte construído após um ataque de piratas.
- Fajã da Areia
São Vicente. Local de uma tentativa fracassada de produção de sal.
Fajã costeira conhecida e principal sítio da freguesia de São Vicente, com praia e um pequeno porto. Situado a cerca de dois quilómetros de São Vicente, o porto era preferido ao desembarcadouro da vila, embora também fosse considerado um mau porto. Fez-se ali uma tentativa infrutífera de produção de sal.
- Fontinha
Porto Santo. Local das salinas de Isidoro da Silva.
A Fontinha é um sítio da vila do Porto Santo conhecido pela sua nascente de água mineral, reputada pelo tratamento de problemas de estômago. A água foi analisada em Paris, em 1893, e classificada como bicarbonatada e sulfatada sódica; é engarrafada e exportada por uma empresa concessionária sediada no local. A área apresenta também vestígios de uma praia levantada, uma pequena ribeira e as salinas de Isidoro da Silva.
- Machico
A costa a leste de Machico é apontada como mais ventosa e, por isso, mais favorável à produção de sal.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Moçâmedes
Angola. Porto angolano onde se produzia sal em reservatórios revestidos de betão.
Moçâmedes é um porto angolano onde desembarcaram os primeiros colonos madeirenses em 18 de novembro de 1884 e onde se desenvolveu uma próspera colónia madeirense. Ali se produzia sal em reservatórios revestidos de betão.
- Paul do Mar
Calheta. Local de salinas instaladas por volta de 1865, abandonadas por falta de rentabilidade.
O Paul do Mar é uma freguesia da costa sudoeste da Madeira, criada em 1676 a partir do Estreito da Calheta. É um porto de pesca servido pela antiga levada do Rabaçal, onde se cultiva malvasia e onde se assinalou uma incidência muito elevada de tracoma. Teve a fortaleza de Santo António, uma banda e salinas instaladas por volta de 1865, posteriormente abandonadas por falta de rentabilidade.
- Ponta da Cruz
Funchal. Local de tentativas fracassadas de produção de sal, posteriormente ocupado por uma fábrica de conservas de atum.
Esta Ponta da Cruz situa-se em São Martinho e é considerada o limite ocidental da baía do Funchal. Nela existiu um pequeno reduto e perto dela situa-se uma fábrica de conservas de peixe.
- Ponta de São Lourenço
Machico. Os seus ventos fortes são citados como prova das boas condições de evaporação.
A Ponta de São Lourenço é uma ponta longa e estreita no extremo oriental da Madeira, na freguesia do Caniçal. Diz-se que recebeu o nome da caravela São Lourenço e tem um farol num dos seus ilhéus. O Elucidário descreve a sua geologia, a vegetação sazonal, os ilhéus, as formações calcárias fósseis da Piedade, os caracóis terrestres e o seu uso como pastagem. O vapor Forerunner naufragou ali em 1884, e existe um banco submarino entre a ponta e as Desertas.
- Porto Santo
Ilha onde se fizeram várias tentativas de instalar salinas.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Praia Formosa
Funchal. Mencionada na licença de 1792; conservam-se aí vestígios de antigas salinas.
A Praia Formosa é uma praia de areia a oeste do Funchal que constitui o limite sul da freguesia de São Martinho. Corsários franceses desembarcaram ali em 3 de outubro de 1566, antes de saquearem o Funchal, e o local foi posteriormente fortificado. O Elucidário regista ainda o naufrágio do Britannia em 1828, um ancoradouro de quarentena ao largo da praia, a abundância de cristais de olivina e várias plantas dignas de nota.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 15-
Proprietário de salinas instaladas por volta de 1903 na Serra de Fora, no Porto Santo, que fracassaram devido a defeitos nos reservatórios.
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Produziu grandes quantidades de sal a partir de 1890 na Serra de Fora, no Porto Santo, usando uma bomba acionada pelo vento e obtendo sal tão bom como o do continente.
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Coproprietário das salinas posteriores do Paul do Mar.
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Adquiriu as salinas do Paul do Mar por volta de 1878, segundo o Elucidário.
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Cotitular da licença de 1792 para instalar pescarias e salinas na Madeira.
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Pediu em 1823 o monopólio da produção de sal na Madeira por 30 anos.
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Almirante e académico português cujo artigo sobre a produção de sal na Madeira é citado extensamente.
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Fez a primeira tentativa de instalar salinas no Porto Santo, na Fontinha, com grandes despesas.
- Jacinto António de Sousa1818–1880
Construiu salinas no Paul do Mar por volta de 1865.
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Cotitular da licença de 1792 para instalar pescarias e salinas na Madeira.
+ 5 mais
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Coproprietário das salinas posteriores do Paul do Mar.
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Tentou instalar salinas na Ponta da Cruz e, mais tarde, foi coproprietário de salinas no Paul do Mar.
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Coproprietário de salinas posteriores no Paul do Mar e cofundador das salinas do Caniçal.
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Cofundador e gerente das salinas do Caniçal.
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Um dos três homens autorizados em 1792 a instalar pescarias e salinas na Madeira.