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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 3097 Epidemia Vol. III · pp. 305–306 3 min de leitura

Raiva

Relato do surto de raiva no Funchal em 1892, que matou muitos cães e sete pessoas, e da investigação do veterinário António Roque da Silveira, enviado de Lisboa, que confirmou a doença. Segundo o Elucidário, é a única ocorrência conhecida de raiva na Madeira.

Raiva

A raiva de 1892

Por meados do ano de 1892, apareceu no Funchal uma doença que vitimou muitos cães e á qual se afirma terem também sucumbido algumas pessoas residentes nesta ilha. A população ficou em extremo sobressaltada, pois se tratava dum morbo completamente desconhecido entre nós e que não só atacava os animais como também alguns indivíduos da espécie humana. A aumentar este natural sobressalto, veio o estado de indecisão dos médicos madeirenses, que não tinham opiniões conformes sobre o diagnostico da enfermidade, devido principalmente á falta dos respectivos exames bacteriológicos, que de modo algum se podiam fazer na Madeira.

A imprensa local prestou nesta conjuntura um importante serviço, não só pedindo enérgicas e imediatas providencias, mas pondo de sobreaviso os habitantes com respeito aos perigos que podiam resultar da mordedura dos cães, como ainda da necessidade que havia de sequestrá-los e pô-los em condições de não transmitirem o mal a qualquer pessoa ou outros animais.

Devido ás instâncias do governador civil do distrito, de então, o engenheiro Luís Merens de Távora, enviou o governo da Metrópole à Madeira o distinto medico veterinário António Roque da Silveira, encarregado de estudar a doença que aqui se manifestara e de indicar o meio de a debelar. Este veterinário chegou ao Funchal a 8 de Outubro de 1892 e logo iniciou os seus estudos, aproveitando desde logo e no mesmo dia em que desembarcara alguns trabalhos já anteriormente realizados com a inoculação em coelhos de uma emulsão do bolbo de cães mortos pela moléstia. As novas inoculações a que procedeu, os exames microscópicos que fez, o demorado estudo clínico a que se entregou e ainda outros trabalhos a que diligentemente procedeu levaram ao seu animo a convicção de que a hidrofobia existia na Madeira, apesar de alguns distintos médicos madeirenses serem de opinião que não era de carácter rábico a epizootia que se manifestara nos caninos desta ilha.

Roque da Silveira diz que a raiva foi importada, e aceita como provável a opinião das pessoas que afirmam que no mês de Maio de 1892 desembarcara no Funchal um estrangeiro acompanhado de dois cães e que ao voltar para bordo, poucas horas depois, era apenas seguido por um desses animais. É possível que o cão, que aqui se extraviara, trouxesse incubada a raiva e que, na ocasião dela se manifestar, mordesse outros animais e assim transmitisse a doença.

Apesar de não ser muito avultado o número das vitimas constatou-se no entretanto a morte de sete pessoas, que sucumbiram á horrível doença da raiva.

Não temos conhecimento de que antes ou depois desta época se haja manifestado entre nós aquela moléstia.

O veterinário António Roque da Silveira dirigiu ao governo central um desenvolvido relatório acerca da raiva aparecida nesta ilha em 1892, que foi publicado no n.° 2 do V ano do Boletim da Direcção Geral da Agricultura, de páginas 29 a 62.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 01
  1. A raiva surgiu na Madeira em 1892, provavelmente trazida pelo cão de um estrangeiro desembarcado no Funchal em maio, e causou a morte de muitos cães e de sete pessoas. O veterinário António Roque da Silveira chegou ao Funchal em 8 de outubro para estudar o surto.

Lugar

Lugares mencionados · 01
Mapa: Madeira (1)
  1. Funchal

    Cidade onde surgiu o surto de raiva de 1892.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 02
  1. Veterinário enviado à Madeira em 1892, que confirmou o surto de raiva e escreveu um relatório a seu respeito.

  2. Engenheiro e governador civil do distrito do Funchal em 1892, que pediu ajuda ao governo central para combater o surto de raiva.

Na folha R

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