Câmara (Martim Gonçalves da) 1Origem e primeiros cargos
Câmara (Martim Gonçalves da)
Biografia de Martim Gonçalves da Câmara, clérigo madeirense do século XVI, filho do 4.º capitão-donatário do Funchal, que se tornou reitor da Universidade de Coimbra e o todo-poderoso escrivão da puridade de D. Sebastião.
1Origem e primeiros cargos
Era filho de João Gonçalves da Câmara, 4º. capitão-donatario do Funchal, e de D. Leonor de Vilhena e irmão do padre Luiz Gonçalves da Câmara, de quem nos ocupamos neste Elucidario. Deve ter nascido no princípio do segundo quartel do século XVI. Nada sabemos dos primeiros tempos da sua existencia, pois é já na idade aproximada dos quarenta anos que temos conhecimento dum dos primeiros actos da sua vida publica, com a sua nomeação para reitor da Universidade de Coimbra.
Foi o madeirense que maior influencia e prestigio chegou a ter nas esferas da governação publica e foi tambem um dos homens que no nosso país gozou de mais amplos poderes e conseguiu alcançar um mais absoluto ascendente sobre o espírito do monarca. Já alguém afirmou que, afora o Marquês de Pombal, talvez nenhum outro homem publico tivesse ainda desfrutado entre nós tão absoluta e despoticamente da sua influencia junto do rei, na sua qualidade de ministro, como Martim Gonçalves da Camara.
Os historiadores são quasi unânimes em afirmar que ele abusou do poder e do prestigio que tinha sôbre o espírito irrequieto e versátil de D. Sebastião. Pinheiro Chagas, que dele se ocupa com largueza no vol. 4º. da sua Historia de Portugal, descreve-o como um homem em extremo orgulhoso e despótico e põe em relevo a sua acção nefasto em muitas questões de administração publica.
2Cargos e desvalimento
Era no entretanto um espírito de alta envergadura intelectual, que soube impor-se á admiração dos seus contemporâneos. Exerceu os mais elevados cargos, e entre eles os de reitor da Universidade, presidente da
Mesa da Consciência e do Desembarco, vedor da justiça e ainda outros.
O logar que lhe alcançou grande prestigio e influencia foi o de escrivão da puridade, que era então o cargo de mais alta responsabilidade na governação do estado. Caindo no desagrado de D. Sebastião, recolheu-se á casa da Companhia de Jesus de S. Roque, em Lisboa, e ali terminou a sua existencia. Era clérigo secular e doutor em teologia pela Universidade de Coimbra.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Casa de São Roque
Portugal. Casa dos Jesuítas em Lisboa para onde Câmara se retirou e onde morreu.
Casa dos jesuítas em Lisboa onde Câmara se recolheu e morreu.
- Coimbra
Portugal. Sede da universidade de que foi reitor.
Cidade universitária de Portugal continental onde muitos madeirenses estudaram Direito ou Medicina e onde o Padre Luís Gonçalves da Câmara lecionou e foi reitor do colégio dos Jesuítas. Acolheu o campeonato académico de ténis de mesa de 1921, e os seus dados de dormência e pluviosidade são comparados com os do Funchal.
- Funchal
Capitania detida pelo pai de Câmara.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 07-
Clérigo secular madeirense e doutor em Teologia que foi reitor da Universidade de Coimbra e escrivão da puridade de D. Sebastião.
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Rei de Portugal sobre quem Câmara exerceu grande influência até cair em desgraça.
- João Gonçalves da Câmara1414–1501
4.º capitão-donatário do Funchal e pai de Martim Gonçalves da Câmara.
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Mãe de Martim Gonçalves da Câmara.
- Luiz Gonçalves da Câmara1518–1575
Padre e irmão de Martim Gonçalves da Câmara, com entrada própria no Elucidário Madeirense.
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Historiador português que, na sua Historia de Portugal, retrata Câmara como orgulhoso e despótico.
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Ministro português do século XVIII, citado como o único estadista cuja influência sobre um rei rivalizou com a de Câmara.