Saltar para o conteúdo
Elucidário Madeirense Início
Câmara (Martim Gonçalves da) 1Origem e primeiros cargos
Artigo Nº 0722 Político Vol. I · pp. 395–396 2 min de leitura

Câmara (Martim Gonçalves da)

Biografia de Martim Gonçalves da Câmara, clérigo madeirense do século XVI, filho do 4.º capitão-donatário do Funchal, que se tornou reitor da Universidade de Coimbra e o todo-poderoso escrivão da puridade de D. Sebastião.

Câmara (Martim Gonçalves da)

1Origem e primeiros cargos

Era filho de João Gonçalves da Câmara, 4º. capitão-donatario do Funchal, e de D. Leonor de Vilhena e irmão do padre Luiz Gonçalves da Câmara, de quem nos ocupamos neste Elucidario. Deve ter nascido no princípio do segundo quartel do século XVI. Nada sabemos dos primeiros tempos da sua existencia, pois é já na idade aproximada dos quarenta anos que temos conhecimento dum dos primeiros actos da sua vida publica, com a sua nomeação para reitor da Universidade de Coimbra.

Foi o madeirense que maior influencia e prestigio chegou a ter nas esferas da governação publica e foi tambem um dos homens que no nosso país gozou de mais amplos poderes e conseguiu alcançar um mais absoluto ascendente sobre o espírito do monarca. Já alguém afirmou que, afora o Marquês de Pombal, talvez nenhum outro homem publico tivesse ainda desfrutado entre nós tão absoluta e despoticamente da sua influencia junto do rei, na sua qualidade de ministro, como Martim Gonçalves da Camara.

Os historiadores são quasi unânimes em afirmar que ele abusou do poder e do prestigio que tinha sôbre o espírito irrequieto e versátil de D. Sebastião. Pinheiro Chagas, que dele se ocupa com largueza no vol. 4º. da sua Historia de Portugal, descreve-o como um homem em extremo orgulhoso e despótico e põe em relevo a sua acção nefasto em muitas questões de administração publica.

2Cargos e desvalimento

Era no entretanto um espírito de alta envergadura intelectual, que soube impor-se á admiração dos seus contemporâneos. Exerceu os mais elevados cargos, e entre eles os de reitor da Universidade, presidente da

Mesa da Consciência e do Desembarco, vedor da justiça e ainda outros.

O logar que lhe alcançou grande prestigio e influencia foi o de escrivão da puridade, que era então o cargo de mais alta responsabilidade na governação do estado. Caindo no desagrado de D. Sebastião, recolheu-se á casa da Companhia de Jesus de S. Roque, em Lisboa, e ali terminou a sua existencia. Era clérigo secular e doutor em teologia pela Universidade de Coimbra.

Neste artigo

Lugar

Lugares mencionados · 03

No estrangeiro

Mapa: Madeira (3)
  1. Casa de São Roque

    Portugal. Casa dos Jesuítas em Lisboa para onde Câmara se retirou e onde morreu.

  2. Coimbra

    Portugal. Sede da universidade de que foi reitor.

  3. Funchal

    Capitania detida pelo pai de Câmara.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 07
  1. Clérigo secular madeirense e doutor em Teologia que foi reitor da Universidade de Coimbra e escrivão da puridade de D. Sebastião.

  2. Rei de Portugal sobre quem Câmara exerceu grande influência até cair em desgraça.

  3. 4.º capitão-donatário do Funchal e pai de Martim Gonçalves da Câmara.

  4. Mãe de Martim Gonçalves da Câmara.

  5. Padre e irmão de Martim Gonçalves da Câmara, com entrada própria no Elucidário Madeirense.

  6. Historiador português que, na sua Historia de Portugal, retrata Câmara como orgulhoso e despótico.

  7. Ministro português do século XVIII, citado como o único estadista cuja influência sobre um rei rivalizou com a de Câmara.

Na folha C

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.