Braguinha 1Descrição e execução
Braguinha
A braguinha é um pequeno instrumento de quatro cordas semelhante à guitarra, característico da Madeira e tocado sobretudo pela população rural em agrupamentos populares; o verbete descreve a sua afinação, a técnica de execução, os seus professores, a sua difusão no Havai por emigrantes e as possíveis origens dos seus nomes alternativos.
1Descrição e execução
Instrumento musico de madeira, de forma de uma viola de pequenas dimensões e peculiar a estas ilhas. Possue 17 tastos ou pontos e é provido de 4 cordas de tripa, que se afinam não em quintas, como o violino ou o bandolim, e como pretendem alguns autores, mas do seguinte modo ré 3, sol 3, si 3, ré 2, ou seja com um intervalo de quarta e dois de terceira. As vezes, especialmente no campo, a prima de tripa é substituída por uma corda de metal, que lhe dá um som estridente, mais do agrado do tocador campesino. A sua extensão pouco excede duas oitavas, e pode dar acordes nos tons de sol, dó, fá, ré e lá, sendo o seu tom mais fácil o de sol maior. O som agudo, saltitante e alegre, o que lhe permite sobressair de modo característico no meio de instrumentos congéneres, é usado quasi exclusivamente pelo povo, prestando-se à execução de variadas melodias, que muitas vezes são acompanhadas de rajão e viola. Faz parte dos grupos musicais populares, desempenhando umas vezes a parte principal ou cantante, em uníssono com outros instrumentos, como guitarra e rabeca outras vezes fazendo, em acordes, um simples acompanhamento. Na produção de uma melodia, o tocador do povo serve-se somente do polegar; o instrumento é, porém, susceptível de maior efeito quando tocado por artista hábil e conhecedor que, executando a melodia com o polegar, entremeia-a com acordes de três e quatro notas desferidas pelos outros dedos, o que dá à musica deste instrumento uma feição inteiramente particular.
A expressão popular tocar a ponteado significa desempenhar uma melodia, por isso que nesse caso, ao contrario do que sucede nos acompanhamentos, o tocador usa da maior parte dos pontos ou tastos.
2Professores, orquestra e nomes
Houve no Funchal alguns professores de braguinha, entre eles Manuel Cabral, Antonio José Barbosa e Agostinho Martins, e algumas musicas existem manuscritas, além dos princípios do instrumento, cujo estudo era feito com predilecção por muitos dos estrangeiros que outrora aportavam à Madeira.
Ha alguns anos organizou-se no Funchal, sob a direcção de Agostinho Martins, uma orquestra composta de braguinhas, rajões e violas, que, na execução de musicas de estilo popular e mesmo clássico, apropriadas aos recursos destes instrumentos, produziu forte impressão pela originalidade e bem arquitectado do arranjo musical.
Hoje encontra-se o braguinha nas ilhas de Sandwich e outras partes do mundo, para onde se tem dirigido a emigração do colono madeirense.
Sendo chamado cavaquinho em Lisboa, é também conhecido por machete de braga ou somente braga no arquipelago da Madeira. Embora estes últimos apelativos o façam supor de origem minhota, é certo não haver actualmente noticia de ter sido encontrado nas terras de Portugal. E, ou fôsse importado de outras regiões, ou seja produto de criação madeirense, a expressão machete de braga talvez esteja a indicar que era noutros tempos tocado ou por gente do povo, dessa que usava os calções antigos chamados bragas, ou por condenados, desses que traziam uma argola na perna, conhecida por braga, ou ainda por pessoas que o punham sobre a cinta, dado que braga significava outrora cinta, braguilha, cintura.
De todas estas hipóteses, é talvez a primeira a mais aceitável, e seja como for, é questão que necessita de largo estudo para se chegar a conclusões seguras.
Convém acentuar que a simples designação de machete pertencia dantes a este instrumento, como se vê nas respectivas musicas manuscritas; hoje, porem, o povo chama simplesmente machete aquele outro instrumento indigena - o rajão.
Inteiramente modelada pelo braguinha, fabrica-se ainda no Funchal a chamada requinta de braga.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Funchal
Cidade onde trabalharam professores de braguinha, se formou uma orquestra e se fabrica a requinta de braga.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Havai
United States. Ilhas para onde emigrantes madeirenses levaram a braguinha.
Ilhas do Pacífico que se tornaram, a partir de 1878, destino de uma emigração madeirense em grande escala, tema de um guia publicado em 1878. Os emigrantes madeirenses levaram para lá a braguinha, e James Cook morreu ali num confronto com os habitantes locais.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde o instrumento é chamado cavaquinho.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03- Agostinho Martins1841–1909
Professor de braguinha no Funchal que dirigiu uma orquestra de braguinhas, rajões e violas.
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Professor de braguinha no Funchal.
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Professor de braguinha no Funchal.