Tabaco 1Planta, legislação e cultura
Tabaco
Entrada sobre o tabaco na Madeira: a liberdade de cultivo desde 1864, o antigo monopólio estatal, as plantações locais esporádicas e a história das fábricas e empresas de transformação de tabaco no Funchal.
1Planta, legislação e cultura
Solanacea originária da América, cujas folhas exalam no estado fresco um cheiro forte e viroso Para aproveitar estas folhas é preciso fazê-las secar e fermentar convenientemente.
A cultura do tabaco é livre nas ilhas adjacentes desde a publicação da lei de 13 de Maio de 1864, cujas disposições foram mantidas ou ampliadas pela lei de 15 de Junho de 1882 e decreto de 8 de Outubro de 1885.
Durante a vigência do monopólio, havia na Madeira um administrador do contrato do tabaco e guardas da fiscalização do mesmo contrato, os quais levavam muita vez ao extremo o rigor com que exerciam as suas funções fiscais.
Entre 1877 e 1882, fizeram-se algumas plantações de tabaco na Madeira, principalmente em S. Gonçalo e Santo António, e em 1907 voltou esta planta a ser cultivada de novo na ilha, mas sem se generalizar, não obstante ela produzir bem nos nossos terrenos, quando convenientemente adubados. A Nicotina Tabacum era a espécie dominante nas plantações que se realizaram em 1907 e nos anos subsequentes, mas nalgumas localidades via-se também a Nicotina rústica. A primeira destas espécies vive naturalizada na Madeira e Porto Santo, estando a sua cultura abandonada ou quase abandonada presentemente no arquipélago.
2Fábricas, empresas e impostos
Em Outubro de 1877, fundou o falecido visconde de Monte Belo uma fábrica para a manipulação de tabacos na Madeira, e, em 18 de Julho de 188? foi instalada uma outra fábrica destinada ao mesmo fim, a qual durou muito pouco tempo, tendo sido seu proprietário o falecido João de Sales Caldeira. A primeira destas fábricas, depois de haver laborado durante alguns anos por conta do seu proprietário foi arrendada a Francisco Gonçalves nos princípios de século XIX, o qual continuou com a indústria da manipulação dos tabacos nesta ilha, a principio só, e depois associado a Nicásio de Azevedo Ramos e Abraão Adida.
Em 1908, estabeleceu-se no Funchal a «Companhia de Tabacos da Madeira» que liquidou em 1912, sucedendo-lhe a «Empresa Madeirense de Tabacos, Lda», fundada em 1 de Outubro de 1918 e de que faziam parte Leacock & C.% William Hinton & Filhos Reid, Castro & C." e Rocha Machado & C Tendo as firmas Reid, Castro & C.\ Rocha Machado & C e Hinton & Filhos desistido dos seus direitos a primeira a 27 de Abril de 1914, a segundo a 26 de Janeiro de 1916 e a última a 28 de Abril de 1920, ficou o negócio dos tabacos a cargo da firma Leacock & C.», a qual, em 27 de Setembro de 1920, admitiu como seu sócio Diogo Martinho de Freitas, o qual é hoje o gerente da «Empresa Madeirense de Tabacos, Lda.». (1921).
Esta empresa importou dos Açores, em 1922, 49.920 quilogramas de tabaco em folha, e no mesmo período vieram dos Açores e do estrangeiro, para diversos comerciantes do Funchal, 218.052 quilogramas de tabaco manipulado. Lemos algures que, em 1914, manipulou a mesma empresa 40.918 quilogramas de tabaco, sendo 467 de proveniência madeirense.
A extinta «Companhia de Tabacos da Madeira» aproveitou os maquinismos da antiga fábrica do visconde de Monte Belo, mas a «Empresa Madeirense de Tabacos, Lda.» tem adquirido diversas máquinas aperfeiçoadas para o exercício da sua indústria, rivalizando os seus produtos com os que vem dos Açores (1921).
A folhas 232 do livro VII do «Arquivo da Câmara Municipal do Funchal» está registada uma provisão do ano de 1698, em que se diz que no ano seguinte de 1699 deveria começar nova administração do tabaco na Madeira e em 1686 havia um juiz conservador do estanco nesta ilha, cargo que ainda existia em 1745, sendo desempenhado então pelo provedor da fazenda Pelas leis de 10 de Julho de 1919 e 22 de Janeiro de 1920, foi criado o imposto municipal de $50 por cada quilograma de tabaco despachado na Alfândega. Este imposto rendeu para a Câmara do Funchal, em 1922, a importância de 21.837$21.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 12-
Existia na Madeira um juiz conservador do monopólio do tabaco.
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Uma provisão anunciou uma nova administração do tabaco na Madeira a partir de 1699.
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Uma lei tornou livre o cultivo do tabaco nas ilhas adjacentes, incluindo a Madeira.
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Entre 1877 e 1882, cultivou-se tabaco na Madeira, sobretudo em São Gonçalo e Santo António.
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O Visconde de Monte Belo fundou uma fábrica de tabaco na Madeira.
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Uma lei manteve ou alargou a liberdade de cultivo do tabaco na Madeira.
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Um decreto confirmou o regime de livre cultivo do tabaco na Madeira.
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O cultivo do tabaco foi retomado na Madeira, embora não se tenha generalizado.
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Foi fundada no Funchal a Companhia de Tabacos da Madeira.
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A Companhia de Tabacos da Madeira foi liquidada.
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Data indicada para a fundação da Empresa Madeirense de Tabacos, Lda.
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Uma lei criou um imposto municipal sobre o tabaco desalfandegado.
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A Leacock & C.ª admitiu Diogo Martinho de Freitas como sócio.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Açores
Portugal. Origem de tabaco em folha e de tabaco manufaturado importados.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Funchal
Sede das empresas de tabaco.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Porto Santo
O tabaco cresce aí de forma espontânea.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Santo António
Funchal. Um dos principais locais de cultivo de tabaco entre 1877 e 1882.
Santo António é uma freguesia do concelho do Funchal, na Madeira, onde nasce a ribeira de São João e onde os Jesuítas tinham a sua residência do Pico do Cardo. A igreja possui uma inscrição latina de 1783, e na freguesia encontram-se as capelas da Madalena, de São João e Santana e do Pópulo; a freguesia dá também nome a uma elevação de cerca de 400 metros perto da igreja.
- São Gonçalo
Funchal. Um dos principais locais de cultivo de tabaco entre 1877 e 1882.
São Gonçalo é uma freguesia suburbana na extremidade oriental do Funchal, criada no século XVI. Parte do seu território foi acrescentada em 1927, ano em que também passou a ser um julgado da comarca do Funchal. O Elucidário refere as bordadeiras profissionais que produziam os trabalhos mais finos, as levadas, o abastecimento de feno ao Funchal, os caçadores de cagarras e o facto de aí ter nascido o Padre Manuel Fernandes de Sant'Ana; a freguesia inclui Alpires e a Quinta do Rochedo.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06-
Sócio de Francisco Gonçalves no negócio do tabaco.
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Admitido como sócio da Leacock & C.ª em 1920 e gerente da Empresa Madeirense de Tabacos em 1921.
- Francisco Mendes Gonçalvesm. 1930
Arrendou a fábrica de tabaco de Monte Belo e prosseguiu o fabrico de tabaco.
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Proprietário de uma segunda fábrica de tabaco, instalada na década de 1880 e de curta duração.
- Nicásio de Azevedo Ramos1862–1927
Sócio de Francisco Gonçalves no negócio do tabaco.
- Visconde de Monte Belom. 1922
Fundou uma fábrica de transformação de tabaco na Madeira em outubro de 1877.