Prados 1Prados naturais e da região inferior
Prados
Panorama dos prados e pastagens naturais da Madeira por faixa de altitude (zona baixa, intermédia e interior), com a enumeração das principais plantas forrageiras, do seu ciclo sazonal e do potencial ainda por aproveitar para melhorar as pastagens da ilha.
1Prados naturais e da região inferior
Como é sabido, há prados naturais e prados artificiais, sendo os primeiros constituídos por diferentes espécies de plantas, as mais das vezes não semeadas pelo homem, e sendo os segundos formados por uma só planta que o homem semeia e cultiva durante um certo tempo. Os prados da Madeira pertencem á primeira categoria, só existindo alguns pequenos prados artificiais na quinta do Palheiro e em poucos lugares mais.
Há prados naturais na região inferior da Madeira na região media e na região do interior, sendo os últimos os que ocupam maior área, se bem que nem sempre sejam os mais importantes no tocante á qualidade e ao numero das espécies.
Na parte sul da Madeira, a espécie dominante em toda a orla marítima é o Lotus glaucus (trevina), planta vivaz da familia das Leguminosas que vive nos lugares mais secos e é considerada por todos como boa forragem. Entram mais pelo interior das terras e são frequentes nos terrenos ervosos da região baixa meridional, as especies seguintes Trifolium angustifolium, T. scabrum, Scorpiurus sulcata (cabreira), Psoralea bituminosa (fedegoso), Melilotus parviflora, Lotus parviflorus, Galactites tomentosa (cardo), Plantago lanceolata e P. Lagopus (tanchagem ou orelha-de-cabra), Andropogon hirtus (feno), Avena fatua (balanco) Cynosurus echinatus, Cynodon Dactylon (grama), Bromus madritensis (panasco); Hordeum murinum, Lolium multiflorum (azevém), etc.
Todas estas plantas, e ainda muitas outras, prosperam nos lugares secos; nos lugares umidos são freqüentes a primeira das plantaginaceas mencionadas, o Trifolium repens (trevo), o Paspalum paspalodes, etc.
O grande aproveitamento dos terrenos para as culturas faz com que os prados da região inferior tenham uma area limitada, mas, por entre as culturas e na borda dos caminhos, aparecem também muitas plantas forraginosas, entre as quais mencionaremos a Bidens pilosa (amor-de-burro), o Cichorium Endivia (almeirão), o Senecio vulgaris, a Setaria verticillata, Agrostis verticillata, o Panicum sanguinale, etc., etc. O Panicum barbinode (capim) e o P. maximum (erva-da-Guiné) são duas gramineas perfeitamente aclimadas, que os criadores de gado cultivam para sustento dos seus animais.
Nas rochas, desde o Seixal até o Porto do Moniz, cresce o Sideroxylon Marmulano (marmulano), arbusto cuja folhagem constitui um bom alimento para o gado, e entre S. Vicente e Ponta Delgada, vegeta a Genista madeirensis especie proxima da «gacia» e do «tegasaste» de Canarias, que também é utilizada na alimentação dos animais.
2Prados da região média e do interior
Os prados da região inferior da Madeira estendem-se até á altitude de 200 metros na costa do sul e de 150 na do norte, ficando daí para cima os prados da região media, os quais ocupam as margens das ravinas que pela sua inclinação não se prestam a amanhos, e varias colinas, picos e outros terrenos não invadidos ainda pelas culturas. São cortados ou limitados muitas vezes pelas matas de pinheiros, aparecendo neles com grande freqüencia especies da região interior, mas associadas a outras que só começam a ser dominantes a partir duma determinada altitude tais como Ornithopus perpusillus, O. compressus, Trifolium agrarium, Briza minor (chocalheirinha), Holcus lanatus, Poa trivialis, etc. O Ulex europaeus (carqueja) abunda na segunda zona botanica da Madeira, onde as especies pratenses mais comuns parecem ser a Vulpia bromoides e o Andropogon hirtus, dominando este nas colinas sêcas e aquela nos lugares frescos ou umidos, onde forma freqüentemente uma relva densa e fina que o gado come com avidez.
A partir de 750 ou 800 metros começam os prados e pastagens do interior, os quais abrangem o alto das serras, as ravinas centrais não arborizadas e ainda uma parte das vertentes meridional e setentrional da ilha. Nos lugares secos das montanhas, são muito freqüentes o Leontodon nudicaulis, a Aira proecox, a Agrostis castellana, o Lotus hispidus e a Plantago lanceolata, plantas que nos terrenos menos altos das vertentes aparecem associadas a outras já indicadas nos prados da região media, e nas ravinas do interior á Deschampsia argenvea (barba de bode), á Festuca Donax (palha carga), ao Cynosurus elegans e a diferentes especies mais, peculiares ou quasi peculiares destes lugares e que só vivem nos sitios úmidos ou assombreados.
Nas ravinas da Ribeira da Metade e da Boa Ventura, existe uma graminea de folhas suculentas, infelizmente muito rara, que é considerada como uma das melhores forragens da ilha. Esta gramínea, que é a Festuca albida, já foi cultivada com bom resultado num terreno dos suburbios do Funchal. Na citada Ribeira da Metade, também se encontra uma leguminosa – a Anthyllis Lemanniana – que temos na conta duma excelente forragem, digna de ser cultivada. A Dactylis glomerata e o Anthoxathum odoratum são plantas que, embora pouco freqüentes, aparecem na segunda e na terceira zonas botânicas da Madeira (1921).
3Aproveitamento dos prados
As ervas dos prados da região inferior da Madeira, nascem ou revivem com as chuvas de Outubro e desaparecem, requeimadas pelos ardores do sol, desde Abril até Maio, excepto nos lugares encharcados e naqueles onde chegam com freqüencia as aguas de irrigação. Na parte media e superior da ilha, e especialmente na zona constantemente visitada pelos nevoeiros as ervas conservam-se verdes por mais tempo, até meados ou fins de Junho, o que é de vantagem ainda mesmo para os criadores de gado das vizinhanças do litoral, que lá sobem muitas vezes a colhê-las, percorrendo distancias consideráveis.
Quando as ervas dos prados estão secas, a alimentação dos animais é fornecida geralmente pela rama da batateira, pelas folhas da vinha, da cana de açúcar e da cana de roca, pelas plantas que nascem junto dos cursos de agua e pelas que aparecem por entre as culturas nos lugares irrigados a miúdo. O feno da ilha e o importado de Portugal, e os caules das bananeiras reduzidos a pequenos pedaços e associados ao farelo, são muito empregados na sustentação do gado estabulado do Funchal.
Como os prados da Madeira não estão sujeitos a tratamento algum, abundam em todos eles as espécies nocivas ou inúteis. No alto das montanhas os animais comem livremente a erva que aí cresce, ao passo que nas regiões inferiores a regra mais geral é as plantas serem colhidas verdes e á medida que vão sendo necessárias para a alimentação quotidiana do gado.
Dos 30:000 hectares de terrenos incultos que existem na Madeira (1921), pode-se admitir que 10.000 só produzem ervas de boa ou má qualidade para sustento dos animais. Se esta vasta superfície fosse devidamente aproveitada, isto é, se se procurasse melhorar as suas produções, muito lucraria com isso a industria pecuaria madeirense, que só carece para desenvolver-se de mais amplos recursos forraginosos do que os que a ilha agora oferece. Com um pouco de boa vontade, talvez não fosse tarefa extremamente difícil converter certos pontos das serras, onde só cresce uma relva fraca e raquitica, em pastagens feracissimas capazes de alimentar convenientemente uma parte da população pecuária da nossa terra.
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Anos mencionados · 01Lugar
Lugares mencionados · 09No estrangeiro
- Canárias
Spain. Origem dos arbustos forrageiros aparentados gacia e tegasaste.
As Canárias são o arquipélago vizinho da Madeira, cuja descoberta é objeto de relatos divergentes. Segundo a tradição, o seu rei Béthencourt vendeu-as ao Infante D. Henrique em troca de terras na Madeira. O Elucidário refere numerosos contactos entre os dois arquipélagos, incluindo visitas científicas, a digressão do Orfeão Madeirense em maio de 1922 e o massacre de quarenta Jesuítas nas suas águas.
- Funchal
A Festuca albida foi cultivada com êxito nos seus arredores; aí, o gado estabulado é alimentado com feno e caules de bananeira.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Ponta Delgada
São Vicente. Limite da área de distribuição da Genista madeirensis.
Ponta Delgada é uma freguesia da costa norte da Madeira, uma das três freguesias do concelho de São Vicente, com uma ponta costeira e um pequeno porto de pesca. A festa do Senhor Jesus é uma grande romaria de promessas, e a freguesia foi sede de uma capitania-mor. Em 1856, registou 409 mortes por cólera.
- Porto Moniz
Assinala o outro extremo da área de distribuição do marmulano.
Freguesia e concelho do noroeste, com um cais e um porto razoável que oferece boas condições de desembarque quando os ventos do sul impedem o acesso à Costa Sul. Tem uma das mais antigas capelas dedicadas a Santa Maria Madalena no norte da Madeira, cuja festa se celebra a 22 de julho. Foi a terra natal do Dr. Manuel Gomes Jardim.
- Quinta do Palheiro
Funchal. Um dos poucos locais com pequenos prados artificiais.
Quinta da família Carvalhal em São Gonçalo, no Funchal. O 1.º Conde de Carvalhal morreu ali e foi inicialmente sepultado na sua capela; o 2.º Conde deu ali festas célebres e recebeu D. Luís. A arquiduquesa Leopoldina jantou na quinta em 12 de setembro de 1817, D. Carlos jogou ali ténis em 1901 e foi ali introduzido pela primeira vez o tojo.
- Ribeira da Boaventura
Santa Cruz. Ribeira onde cresce a Festuca albida.
A Ribeira da Boaventura é uma das ribeiras mais caudalosas da Madeira. Nasce na Boca das Torrinhas e é chamada Ribeira do Porco junto à povoação.
- Ribeira da Metade
Santana. Ribeira onde crescem a rara gramínea forrageira Festuca albida e a Anthyllis lemanniana.
A Ribeira da Metade é um afluente da Ribeira do Faial, na Madeira. O seu vale pode ser observado dos miradouros do Ribeiro Frio, e o Ribeiro do Juncal situa-se no seu curso superior. Marcou um dos limites da sesmaria de Lançarote Teixeira. No seu barranco crescem as raras gramíneas Festuca albida e Anthyllis lemanniana, e foi proposta como local para o cultivo da quina.
- São Vicente
A Genista madeirensis cresce entre São Vicente e Ponta Delgada.
São Vicente é descrita como a maior e mais populosa freguesia do norte da Madeira e sede da única vila da costa norte. O Elucidário aborda o seu povoamento, a história da igreja, os sítios e a paisagem, bem como o deslizamento de terras de 1929, que causou vítimas mortais.
- Seixal
Porto Moniz. Assinala um dos extremos das falésias costeiras onde cresce o marmulano.
Freguesia da costa norte da Madeira, criada em 1553 e integrada no concelho do Porto Moniz; esteve temporariamente ligada a São Vicente quando o concelho do Porto Moniz foi extinto. Tem um cais e a Ponta do Buraco e sofreu danos na cheia de 1895. O Elucidário regista plantas autóctones que ali crescem e indica-a como terra natal de João de Azevedo.